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Aquele motoboy que parou para me
encarar e em cujos lábios era possível ler palavras não muito
agradáveis para uma tarde de sexta-feira, na avenida Santo Amaro (zona
sul de São Paulo), possivelmente por eu ter mudado de faixa à sua
frente sem avisá-lo — talvez por ele estar num ponto cego de meu
retrovisor —, mal sabia que inspiraria a coluna desta semana.
É que, na atribulada vida de jornalista, o caráter "repórter-fuçador"
tem dado espaço mais a uma espécie de "repórter-pensador", que trata
de descarregar algumas reflexões represadas em anos e anos de
exercício profissional ligado à reportagem automobilística sem, no
entanto, poder opinar tanto por questões de padrão.
Aqui, no BCWS, a coisa é um pouco diferente. Por isso peço um
pouco de paciência ao leitor para abordar um assunto que mesmo para
mim era marginal, visto até com um certo preconceito: o fato de São
Paulo ser a capital mundial dos motoboys. Terror dos
retrovisores, eles criam corredores próprios no meio de vias que
deveriam ser rápidas, mas que vivem congestionadas, como a marginal
Pinheiros e a avenida Paulista.
Tal universo começou a fazer parte do meu quando, impossibilitado de
fazer o sobe-desce das ladeiras de Perdizes e Pompéia (bairros da zona
oeste) de bicicleta, resolvi à porta dos 30 anos tirar habilitação
tipo A — aquela que autoriza o cidadão a conduzir uma motocicleta.
Abordada só na última semana pela revista Veja, a explosão na
venda de motos — cresceu 75% nos últimos cinco anos; no mesmo período
o comércio de automóveis caiu 25% — já me chamava a atenção nas
periódicas reuniões da Abraciclo (associação de fabricantes).
Bem, como a relação homem-automóvel despertou tanto interesse na
última coluna, atrevo-me a voltar um pouco ao assunto. Só que agora
para discutir a civilidade dos que rasgam os congestionamentos das
grandes cidades. Não, não é complexo digno de ser discutido em
psicanálise: foi só começar a sair de casa com minha Honda C 100 Biz
zero-quilômetro que comecei a enfrentar os mesmos olhares de ódio,
desprezo e preconceito que a maioria dos motoristas (com os quais me
identifiquei) lançam sobre os motociclistas, motoboys, que
sejam. Foi uma espécie de espelho. O primeiro impulso nessa hora é
adotar a estratégia similar à dos grupos de pagode no final dos anos
90: usar um terninho para impor respeito; quem sabe assim me levam
mais a sério.
Idéia abortada. Não iria adiantar. O maior inimigo dos motociclistas
não são os motoristas. São eles próprios, quando sobem em calçadas,
invadem a faixa de pedestres ou, pressionados pelo patrão, provocam
acidentes de seus colegas quando os apressam em seus "corredores
exclusivos".
No último mês foram comercializadas 12.420 unidades da básica Biz, já
citada, e 33.728 da campeã de vendas, a (também Honda) CG Titan. Uma
Yamaha Drag Star 650, nacional, estradeira, classuda e cult,
custa mais do que um automóvel "mil" razoavelmente equipado — coisa de
R$ 23 mil. Vende coisa de cem por mês.
Mas volto a abordar a competitividade, a "luta de classes", a
tentativa de causar inveja ao semelhante. Convido o leitor paulistano
a dar uma passada na área destinada ao treinamento de futuros
motociclistas, ao lado do parque Ibirapuera, em frente ao prédio do
Detran (Departamento Estadual de Trânsito), na zona sul de São Paulo,
só que do outro lado da avenida.
Curioso alguém que, por dever profissional, dirigiu nos últimos cinco
anos cerca de 500 modelos diferentes de automóveis — e é habilitado há
mais de dez anos — ter de aprender a ligar uma moto no meio de
adolescentes em cujos olhos há um brilho de fascínio, de momento de
provação. Como se a prova em que, após 15 monótonas aulas, é preciso
fazer um "oito" com marcação no asfalto, não deixar a moto morrer e
não colocar o pé no chão, que dura apenas alguns segundos, fosse o
paroxismo, o ápice da auto-afirmação, um "vestibular de vida". Aos que
ganham a rubrica "A", de aprovado, a vitória. Aos que não passam,
resta o sabor amargo da derrota.
A competitividade que provoca atitude ousada (leia-se perigosa) e tantas vidas põe em
risco são transpostas para as ruas. Assim como outras relações
inconciliáveis — água e óleo, polícia militar e civil —, condutores de
automóveis e de motos (mas sobretudo estes entre si) travam uma guerra
sem sentido, em que a quantidade de "vítimas civis" é incomensurável,
demonstrando que no Brasil a vida humana ainda vale muito pouco.
Pela quantidade de manifestações recebidas, não foram poucos os
leitores a se interessar (a maioria no mau sentido) pelo projeto do
deputado Inocêncio Oliveira (PFL-PE) que torna obrigatória a
manutenção no mercado, pelo prazo mínimo de dez anos, dos veículos
fabricados no país. Para quem ainda não acredita, basta clicar
aqui.
Embora não tenha feito contato com este colunista, o deputado
esclareceu alguns pontos por intermédio de sua assessoria: 1) O
projeto foi arquivado no fim da legislatura de 2002; 2) Como houve
renovação de 52% dos deputados, Oliveira resolveu reapresentá-lo, para
que os novos parlamentares tenham a chance de apreciá-lo.
"É sabido que muitos modelos de veículos saem de linha pouco depois de
lançados pelas montadoras, gerando, em conseqüência, toda sorte de
dissabores para aqueles que os adquiriram. Além da depreciação, é
comum a falta de peças para reposição", diz o projeto em sua
justificativa.
Qualquer pessoa pode acompanhar o desenrolar dessa história pelo site
da Câmara dos
Deputados, bastando preencher o campo do número do projeto com 137
e o ano como 2003. Mas já adiantamos: o projeto está tramitando (ou
seja, no gerúndio...) pelas comissões de Defesa do Consumidor, Meio
Ambiente e Minorias, Viação e Transportes e Constituição e Justiça e
de Redação.
Nesta semana, entrevistamos Roberto Scaringella,
um dos maiores especialistas em segurança no trânsito do Brasil, e a
piloto Juliana Carreira. Estréia finalmente
a seção Zoom, com o Ford Fiesta 1,6. Se você não sabe
a que
se destina a nova seção, clique aqui. Continua
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57 - Esse é o número
recorde de pessoas que já couberam no prestes a ser extinto, no México,
Volkswagen Fusca. O autor da façanha foi um time da Universidade
de Graz, na Áustria. É apenas uma das várias curiosidades que
estão no primeiro número da revista V, recém-lançada pela
fábrica.
2.600 - É esse o número de vezes em que os amortecedores
de um veículo se comprimem, em média, a cada quilômetro
percorrido. Ou 105 milhões de ações a cada 40 mil quilômetros. O
número, curioso como o da primeira nota, foi divulgado na última
semana pela Monroe.
Apesar da crise - A General Motors teve de suspender a
propaganda Welcome to the Top do
novo Omega, lançado em maio.
Em junho foram emplacadas 61 unidades do modelo, que custa R$
133.900, aumento de 36% de participação em relação ao mesmo mês
do ano passado.
Eles também compram - Pesquisa obtida por esta coluna
indica que, entre os primeiros compradores do Fiat Palio, 9%
estão nas classes C e D. Ou seja, a cada 10 Palio vendidos,
praticamente 1 pessoa está enquadrada nesse perfil
socioeconômico.
Pelo social 1 - A Pirelli apresentou, na última semana, a
Copa Bom de Bola, Dez na Escola, projeto social que tem como
objetivo minimizar a evasão escolar, motivando crianças de oito
a 14 anos a freqüentar a sala de aula e, assim, oferecer a
oportunidade de se desenvolver por meio do futebol.
Pelo social 2 - O projeto da fábrica de pneus vai reunir
cerca de 200 crianças no estádio Moisés Lucarelli (o da Ponte
Preta, em Campinas, interior de São Paulo), no dia 27 (domingo),
das 10h às 16h30. Estarão presentes o goleiro Marcos e o
diretor-geral do Internazionale de Milão, Massimo Moretti.
Pelo social 3 - Ingo Hoffmann, líder da Stock Car, e
Guilherme Spinelli, bicampeão brasileiro de Rally de Velocidade
e vice-campeão do Rally dos Sertões em 2000 e 2001, estão
levando 60 toneladas de alimentos arrecadadas em 30 dias para
Goiânia, de onde partem nesta quarta, dia 23. A ação faz parte
do projeto Mitsubishi Racing Pro Brasil. |
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Contra
desgaste - O Radiex é um protetor automotivo para borrachas,
pneus, plásticos e couro. Por não conter solvente, não ataca a
superfície onde é aplicado. Dá segurança contra a ação de raios
solares e calor. É vendido em embalagens de 250 ml e
custa R$ 5,60.
Cheirinho - Quem gosta do carro perfumado e personalizado
pode adquirir um desodorizador AutoShine (R$ 2,61) nos aromas
antitabaco, tutti-frutti, lavanda, floral, frutas e bebê. Retira
cheiro de cigarro e mofo. Pode ser encontrado em embalagens de
30 ml. |
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