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Entrevista
“Os
fabricantes vão virar grandes negócios em que o carro será só mais um
produto. Marcas e tradição vão virar história.”
Coordenador do curso de
mecânica automobilística da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial)
de São Bernardo do Campo, SP |
Bock – Sim. O
Doblò do Rally dos Sertões foi feito por uma equipe nossa. Não tem
nada a ver com o Doblò Adventure. Nem o pára-brisa é o mesmo. É um
grande exemplo de como essa formação pode funcionar. AG – E como fica a questão da falta de economia de escala para produzir equipamentos importantes, como bolsas infláveis e freios ABS, que são tão caros aqui por ser importados ou não haver economia de escala? Bock – O momento atual do Brasil é preocupante. Os investimentos externos no país já caíram assustadoramente. Por outro lado, temos muita gente competente. A gente até exporta engenheiros. Vemos o governo empenhado em derrubar impostos para vender mais carros. É uma coisa que eu não acho que vá funcionar. Muita gente que procura um carro para comprar não tem a mínima consciência. Não paga R$ 2.000 a mais por um airbag, mas paga R$ 4.000 pelo tuning da moda. Sem querer desmerecer o tuning, mas, na maneira de ver do comprador, para que ele vai comprar airbag se não vai usar? Então ele investe mais em status do que em segurança. Quem compra carro tecnicamente é engenheiro. Com essa mistureba toda de marcas, logo os motores vão ser commodities [produtos em estado bruto ou primários de importância comercial, como petróleo, soja, café e ouro]. Essa coisa de marca e tradição vai virar história. Daqui a uns anos haverá dois grandes grupos por continente... AG – A Peugeot na França produz inclusive pimenteiros... Bock – Sim, sempre produziu. Fabricantes de automóveis vão virar grandes negócios de movimentação de dinheiro em que carros serão só mais um produto, pois vendem bem, pela emoção. Muita gente discorda. Mas eu penso assim. |
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