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Entrevista

“Os fabricantes vão virar grandes negócios em que o carro será só mais um produto. Marcas e tradição vão virar história.”

Ricardo Bock

Coordenador do curso de mecânica automobilística da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) de São Bernardo do Campo, SP


Autogiro – Há quanto tempo existe o curso de mecânica automobilística da FEI [Faculdade de Engenharia Industrial, de São Bernardo do Campo, atual UniFEI]?

Ricardo Bock – No dia 20 de agosto faz 40 anos. No início ele se chamava engenharia de operações com ênfase em mecânica automobilística. Hoje a gente abrevia o nome para engenharia mecânica automobilística.

AG – Por que só a FEI ministra um curso desses em graduação?

Bock – Porque a faculdade notou uma falta de mão-de-obra especializada, com engenheiros que entrassem na indústria automobilística rapidamente.

Na FEI todos os professores de determinadas disciplinas tiveram passagem pela respectiva área. O professor de freios, por exemplo, teve passagem pela Varga. Pela forma como o aluno é preparado, ele já sai falando a língua de dentro da indústria.

AG – Seria menos acadêmico do que as outras?

Bock – Não. É tão acadêmico quanto, mas com a preocupação de transferir para o aluno a experiência do mercado de trabalho.

AG – E há ainda a apresentação de protótipos construídos por alunos...

Bock – Sim. O Doblò do Rally dos Sertões foi feito por uma equipe nossa. Não tem nada a ver com o Doblò Adventure. Nem o pára-brisa é o mesmo. É um grande exemplo de como essa formação pode funcionar.

AG
– E como fica a questão da falta de economia de escala para produzir equipamentos importantes, como bolsas infláveis e freios ABS, que são tão caros aqui por ser importados ou não haver economia de escala?

Bock – O momento atual do Brasil é preocupante. Os investimentos externos no país já caíram assustadoramente. Por outro lado, temos muita gente competente. A gente até exporta engenheiros.

Vemos o governo empenhado em derrubar impostos para vender mais carros. É uma coisa que eu não acho que vá funcionar. Muita gente que procura um carro para comprar não tem a mínima consciência. Não paga R$ 2.000 a mais por um airbag, mas paga R$ 4.000 pelo tuning da moda. Sem querer desmerecer o tuning, mas, na maneira de ver do comprador, para que ele vai comprar airbag se não vai usar? Então ele investe mais em status do que em segurança. Quem compra carro tecnicamente é engenheiro.

Com essa mistureba toda de marcas, logo os motores vão ser commodities [produtos em estado bruto ou primários de importância comercial, como petróleo, soja, café e ouro]. Essa coisa de marca e tradição vai virar história. Daqui a uns anos haverá dois grandes grupos por continente...

AG – A Peugeot na França produz inclusive pimenteiros...

Bock – Sim, sempre produziu. Fabricantes de automóveis vão virar grandes negócios de movimentação de dinheiro em que carros serão só mais um produto, pois vendem bem, pela emoção. Muita gente discorda. Mas eu penso assim.
Shopping
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Feirão não, feirinha... - Como nesta semana a seção
Roda e Avisa comportou uma nota "nada a ver", é o caso de repetir o feito nesta Shopping. É que acontece no domingo, dia 10, das 8h às 22h, a tradicional feira da Vila Madalena, com aproximadamente 600 barracas onde se acha de tudo um pouco. Será no tradicional bairro da zona oeste, em ruas como Fradique Coutinho e Wisard, entre outras.

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