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O que não consigo entender é como Raquel (Helena Ranaldi) conseguiu comprar um Toyota RAV4 (R$ 122 mil!) com salário de professor no Brasil. Tudo bem que ela economize gasolina, pois vive passeando de bicicleta com seu aluno Fred (Pedro Furtado). Outra pergunta que não quer calar é: qual afinal é a profissão de seu marido, Marcos?

Ele nunca aparece trabalhando, só perseguindo e esbofeteando a professora de educação física, dono de um Mercedes-Benz ML 500 preto (com aquele bonequinho de esquiador na neve horroroso no retrovisor), que não sai por menos de R$ 370 mil! Veja como é a vida: quem nem trabalha e é o grande vilão desfila com o carro mais caro da novela.

 

 

Cenas dos tiros no Leblon, zona sul do Rio,
mobilizaram cerca de 500 técnicos e figurantes

 

Dá pra engolir, por exemplo, o BMW Série 5 do médico bonitão, o doutor Cesar (José Mayer), de R$ 225 mil. Às vezes seu filho Rodrigo (Leonardo Miggiorin) ou o motorista aparecem ainda com um Mitsubishi Pajero Full (R$ 167 mil), que também é dele. Também aparece na novela um Mercedes-Benz Classe E (geração anterior), cujo proprietário é Onofre (Serafim Gonzáles), proprietário da clínica e pai do personagem Cláudio (Erik Marmo).

 

Além do 206 de Rafaela, outro dos poucos representantes nacionais em Mulheres Apaixonadas é o picape Nissan Frontier usado por Sérgio (Marcello Antony) e, de vez em quando, pela doida de sua mulher, Heloísa (Giulia Gam), que quase bate o carro ao costurar, em plena Vieira Souto, todos os outros carros, só para assustar Vidinha (Júlia Almeida), que é apaixonada por Sérgio.

 

Ouvi dizer que a equipe que trabalha com Manoel Carlos fica enlouquecida. Não que ele atrase a entrega dos capítulos da novela, mas enche de cenas externas, de logística um tanto complicada. Mas é um prato cheio para quem gosta de carros.

 

Aliás, para quem gosta de gente. Campeã de merchandising (chamado por marqueteiros tecnicamente de “propaganda na novela”), é comum encontrar empregadas usando sabão em pó Omo, tirando dinheiro no caixa eletrônico do Itaú, conectando a internet pelo UOL ou passando Doriana (ou será Delícia Cremosa?) no pão pela manhã...

 

Representante da indústria automobilística, no caso, parece que só o Stilo de Luciana. Mas em uma novela anterior, Maneco (como é conhecido o autor) colocou um Palio batendo de frente em um caminhão. O carro explodiu, e a Fiat esclareceu que aquilo seria “impossível”, pois o combustível era automaticamente cortado em caso de batida. Mas novela é novela, gente. Nem tudo precisa ter relação direta com a vida real.

Aliás, o único que parece fazer bom uso de seu carro, nessa novela, é o taxista Caetano (Paulo Coronato) – a bordo de seu possante Ford Versailles amarelão.
 



Peço desculpas aos leitores nesta semana. Por motivo de viagem, excepcionalmente deixo de apresentar entrevistas nesta edição. Mas deixe estar. Já estão sendo preparadas duas ótimas conversas a ser publicadas na próxima semana. Desfalca Autogiro ainda, nesta semana, a seção Shopping, que está sendo reformulada e volta também na edição da próxima terça.

Dança dos nomes 1 - Este trimestre promete ser rico em lançamentos. Haverá novos modelos e/ou versões de carros da Chevrolet (picape Corsa), da Ford (Focus 1,6) e o lançamento mais esperado do ano, o Volkswagen oriundo do projeto Tupi. Seu nome já está definido e será revelado nos próximos dias.

Dança dos nomes 2 - O novo VW provocará no mercado discussão semelhante à que surgiu quando chegou o Celta: será que o nome vai "pegar"? Pela forma agressiva como a empresa já está agindo, parece que será inevitável. O que este colunista sabe é que haverá grande confusão de nomes e muito espaço para trocadilhos.

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Data de publicação: 19/8/03