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Também tem de existir a preservação da fonte, garantida pelo artigo
5º. da Constituição. Lembro como se fosse hoje a tarde em que
descobri, em março de 2001, algumas unidades do Renault Clio com motor
1,0 16V (até então o carro só era vendido com motor oito-válvulas).
Por acaso, como muitos furos o são, andei no carro antes de todo
mundo. Profissionalmente, o gerente de imprensa da marca me ligou e
perguntou: "Como você conseguiu o carro?". Evoquei o sigilo da fonte.
Assunto esgotado. Continuamos nosso ótimo relacionamento até hoje.
Mas o caso do embargo é exemplar. Não raro um ou outro meio fica com
fama de furar embargos e entra para a lista negra de determinada
empresa. Muitos dos jornalistas que se dedicam a cobrir essa área
específica, sobretudo os que lidam diretamente com produtos, são
olhados na diagonal por colegas de profissão. A sinecura do ofício de
fazer test-drive... Comparo o ofício ao do provador da fábrica
de chocolates. Depois de um tempo, torna-se um trabalho como outro
qualquer – tão trabalhoso quanto gratificante, a exemplo de tantos.
Erra quem dissocia o furo da questão econômica ou quem restringe essa
discussão à relação empresa-imprensa. Se determinados segmentos têm de
conviver com certos rótulos, como o de serem alinhados com os
interesses da indústria que cobrem, quem disse que o mesmo risco de
promiscuidade não existe quando o assunto em questão é política,
telecomunicações, administração municipal, esporte ou cultura, que
envolvem cifras tão ou mais vultosas do que as da indústria
automobilística?
Qual é a importância de essa ou aquela revista publicar antes o nome
ou mesmo o teste do carro? Ou por que no BCWS a gente batalha
tanto para trazer informações em primeira mão? Pelo mesmo motivo que,
quando a General Motors lançou o atual Vectra, em 1996, tratou de
fazer uma venda simbólica do "primeiro carro com airbag" do
Brasil. Seu rival era o Tipo, da Fiat, que chegava às autorizadas com
o opcional. Ou seja, querem mostrar que gastam um saco de dinheiro
pensando na segurança de seu consumidor. Por isso é que a Globo criou,
para seu plantão, aquela música que provoca taquicardia em muitas
pessoas: para mostrar que estando sintonizado nela o tempo todo o
espectador não perde nada de importante que acontece.
Para se diferenciar nesse mundo tão competitivo, é preciso ter espaço
para criar, não se preocupar com clientelismo, não ter medo de ousar
obter o furo, que muitas vezes cai no colo em razão de números de
circulação. Nessa hora é preciso mostrar profissionalismo. E não
simplesmente, para terminar de citar Manuel Bandeira, em Pasárgada,
ser amigo do rei.
Na última semana, Autogiro bateu o recorde de mensagens sobre
apenas um assunto nos seis anos de BCWS. O tema era a novela
Mulheres Apaixonadas. Cheguei à conclusão de que os leitores da
coluna são uns noveleiros de marca maior.
Escreveram para lembrar que Diogo (Rodrigo Santoro) dirige um Land
Rover Range Rover, que Silvia (Natália do Vale) tem um Honda Civic,
que Heloísa (Giulia Gam) capotou um Corsa e que Estela (Lavínia Vlasak)
já está no segundo Audi – era um A3, que foi destruído, e agora é um
A4 Cabriolet. Mas a maioria alertava para o fato de a alcoólatra
professora Santana ser dona de um Corsa hatch, "compatível com a
profissão de professor", como lembraram alguns.
Espantou-me também as explicações para algumas polêmicas levantadas no
meu texto. "Ah, a Raquel [Helena Ranaldi] tem um RAV4 porque sua
família de São Paulo tem dinheiro", escreveu um leitor. Só tenho a
agradecer pelas observações e, se o conselho ajuda, caros leitores,
saiam um pouco da frente da TV. Vão ao cinema! Lisbela e o
Prisioneiro é um ótimo filme nacional. Só aparecem um Corcel I,
uma Brasília e uma Veraneio. Mas vocês, leitores, vão dar boas
risadas.
Antes que critiquem, esta coluna esclarece que está batalhando para
entrevistar todos os que tenham algo a falar sobre automóveis. Isso
inclui todos dos presidentes de empresas e entidades até os vendedores
de semáforo. Por mera coincidência (a primeira edição trouxe uma
conversa com o vice-presidente da General Motors,
José Carlos Pinheiro Neto), uma das
entrevistas desta semana é com Walter Wieland,
presidente da GM do Brasil. A entrevista, originariamente, foi para
uma reportagem para a Folha de S.Paulo, publicada no último fim
de semana. Mas sobrou muito material – e de altíssima qualidade --,
que você já pode conferir agora. Continua
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Não às migalhas -
Uma dica de compra para quem tem filhos ou gosta de fazer uma
boquinha dentro do carro é o aspirador de pó portátil Z54B
Electrolux, leve, com raio de ação de três metros. Preço
médio, R$ 110.
À altura - Outra pensando nos pimpolhos: o Kid Seguro é
um acessório para crianças de três a dez anos, para elevar sua
altura no banco traseiro, permitindo que o cinto fique na
posição correta. Custa cerca de R$ 90.
Para viajar - Prática e compacta, a câmera fotográfica,
filmadora e webcam Aiptek PenCam VGA Plus é uma ótima
pedida para quem pretende registrar boas imagens dos lugares
por onde passa. Preço médio, R$ 270.
Pilha fraca - Medo de ficar sem bateria? Outro dia este
colunista teve de mendigar por um cabo que custa só R$ 25.
Tudo caso o carro "apague".
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