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Cansei de ver discussões do locutor da rádio com o jornalista Flavio Gomes, especializado em automobilismo, em que o primeiro tentava convencer o interlocutor de que tudo de ruim só acontecia com Barrichello. Até o dia em que o carro de Schumacher pegou fogo. Era o dia da caça.

Não sejamos maniqueístas. Alimentar a fama de azarado do brasileiro da Ferrari é dar asas às gracinhas, ao preconceito, às rodinhas de gozação que até podem fazer rir. Mas também destroem reputações, anos e anos de trabalho sério, duro e competitivo. Dizem.

Barrichello suporta a pressão de correr na mesma equipe de um dos maiores pilotos de todos os tempos. Agüenta as piadinhas, na maioria das vezes sem a mínima graça, de um país inteiro. Mora na Europa desde os 16 anos, onde construiu uma carreira vitoriosa no automobilismo ― falta-lhe um título na F-1, é certo. E se, agora, suporta "assédios morais" (assim seria o termo no jargão de recursos humanos) na renovação do contrato de todos (menos do dele) e na imputação de culpa por um acidente em que virou passageiro do próprio carro em Hungaroring, mantendo-se competitivo, é porque no mínimo ele tem inteligência emocional acima da média (para continuar nos termos de RH).

Alguns ainda buscam racionalizar. "A nota da Ferrari não tem nada a ver. O Senna sempre dizia que, para ele, zebra é pista", me disse na última semana o editor de uma conceituada revista brasileira de competições. O que se discute, porém, não é o fato. É a versão. Dizem.

Por fim, só queria dizer que o brasileiro médio foi mal acostumado. Com as vitórias de Émerson, depois de Piquet, depois de Senna. O Brasil é ufanista sem nem sempre poder ser. Sem olhar as condições de trabalho (a cultura do improviso dá até motivos para se orgulhar dos bons resultados apesar da falta de condições). Como no Pan, em que o Brasil se equiparou a um país como o Canadá no quadro de medalhas... Motivo de orgulho. Dizem.

Arrisco-me a afirmar que, por ter começado na F-1 no distante ano de 1993, por ter se acidentado à véspera do fatídico 1º. de maio de 1994, à época da perda do ídolo e colega, por ter sobrevivido à era pós-Senna e por se manter zen em meio a tanto diz-que-diz, Rubens Barrichello já pode ser considerado um vencedor. Mesmo sem título na F-1.

Que venham as explicações lógicas, seja para a não-renovação (seria precoce discutir agora um contrato que só acaba no final de 2004), seja para os boatos que surgem na imprensa (na italiana se inventa muito, e isso sai como verdade no Brasil, afirma o piloto). Se há razão para ser persecutório, não sei. Fato é que Barrichello vem reagindo muito bem às piadinhas de mau gosto de sua equipe, a Ferrari, respondendo com desempenhos como o de Silverstone, na Inglaterra. Sou Barrichello desde criancinha. Dizem.

 



Em razão (ainda) da imensa repercussão da coluna de duas semanas atrás, Mulheres motorizadas, o entrevistado desta semana é o ator que dá vida a Caetano, o taxista conquistador da novela, Paulo Coronato. Continua

E no bolso? - Parece que só agora o poder público "descobriu" que as motos poluem 25 vezes mais do que os automóveis. Começa a pressão para que os fabricantes instalem dispositivos para controlar a emissão. Restam as perguntas: quanto isso vai custar a mais para os compradores? E o que vai acontecer com as motos já em circulação?

Repare! - Quando alguém muda de faixa sem dar seta, vem para cima do seu carro do nada ou simplesmente não arranca mais de cinco segundos após o sinal aberto é porque, provavelmente, está muito ocupado falando ao celular.

Virou táxi - Agora a minivan Meriva, da Chevrolet, virou táxi especial. Contribuiu para isso sua versatilidade, beneficiada pelo sistema de bancos FlexSpace, com o qual é possível mover os assentos traseiros individualmente ou dobrá-los totalmente, formando uma superfície plana. Resta esperar pelo motor a combustível flexível.

"Velhinhos" e parados - Acontece de sexta a domingo (5 a 7), em Cabo Frio (RJ), o 14º. Encontro de Automóveis Antigos do Estado do Rio de Janeiro. Organizado pelo Veteran Car Club do Brasil, o evento promete reunir preciosidades. Só que deverá ser uma exposição estática.

"Velhinhos" assoprando velinhas - Nesta semana o Chevrolet Clube do Brasil comemora sua maioridade. Idealizado a partir de uma conversa informal em um aniversário na Mooca (tradicional bairro da zona leste paulistana), a agremiação reúne algumas relíquias, como um Oldsmobile 1950 e um Cadillac Eldorado Continental do mesmo ano, além de um Opel GT 1969.

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