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Dizem que Rubens Barrichello
"atropelou" a zebra na Hungria duas vezes. Em nota oficial, a Ferrari
escreveu que o piloto "atingiu, com um ângulo de impacto incomum, as
zebras da chicane entre as curvas seis e sete. O impacto sobrecarregou
o braço principal do triângulo superior da suspensão (...). Com a
forte freada no fim da reta, a peça quebrou". Pois é. Dizem.
Fui acometido de um avassalador complexo de culpa. Talvez anos de
análise não sejam suficientes para dirimi-lo. Toda vez que piloto,
digo, dirijo pelas ruas de São Paulo, costumo ir ferindo de morte a
suspensão do carro. Talvez o leitor não saiba, mas, sempre que um
automóvel é importado, precisa ser "tropicalizado". Em outras
palavras, reforçado.
Contra o excesso de álcool (altamente corrosivo) na gasolina, o motor
ganha novos revestimentos ― sem falar no perigo da gasolina
"batizada". Não é à toa que o país institucionalizou o rabo-de-galo
com os motores flexíveis. Mas isso já é outra história. Para rodar no
Brasil, os modelos têm de ser mais altos e resistentes (caso
contrário, em pouco tempo haveria milhares de barulhinhos de peças se
soltando). Dizem.
Vem a dúvida cruel. Se sou o culpado por castigar a pobre suspensão do
meu possante nas "zebras" paulistanas, na conta de quem devo depositar
o ressarcimento pelo prejuízo? Na do fabricante, pois estou destruindo
um equipamento que ela levou anos para conceber? Ou na da prefeitura?
Afinal, sou eu o culpado por passar sobre os valões!
Saio a pé para uma caminhada pela zona oeste paulistana. Em plena
avenida Rebouças, pertinho de onde plantavam-se os repórteres que há
18 anos acompanharam a agonia de Tancredo Neves, próximo à passarela
ao lado do Instituto do Coração, há um buraco que, guardadas as
proporções, lembra o de Cajamar. Sinto que cometo alguma injustiça.
Afinal, toda vez que citamos alguns (no caso, buracos), corremos o
risco de esquecer outros tantos. Dizem.
Mas voltemos ao caso Barrichello. Na última quinta-feira, quando a
Ferrari soltou a desastrada nota culpando o piloto pela quebra da
suspensão de seu Fórmula 1, um amigo jornalista desabafou: "Por que
Luca di Montezemolo não vem a público e rasga de uma vez o contrato do
Barrichello?".
Elementar, meu caro. Estaria a fábrica de Maranello querendo forçar
uma situação, um rompimento por parte do piloto? Tudo teria começado
há alguns meses, quando Michael Schumacher e vários outros membros da
equipe renovaram o contrato até 2006, "esquecendo" o piloto
brasileiro? Tal prática não é nova em empresas. Dizem.
O amigo leitor já teve a oportunidade de conhecer "estáveis" em alguma
organização? Ah, sim? Profissionais (?) que gozam de estabilidade, com
raríssimas exceções (conheço sinceramente algumas; mas as exceções só
fazem confirmar a regra), são pessoas desgostosas com o que fazem.
Parece que se arrastam. Que cumprem horário burocraticamente em função
do relógio que teima em andar devagar. É deles a culpa? Dizem, mas não
é.
Acontece com gente boa, com contrato vigorando, quando troca
diretoria, gerência, há reestruturação ou essas bossas. O chefe a quem
não interessa mais, por determinado motivo, ter aquele funcionário em
seus quadros vai minando sua auto-estima. Faz piadinhas, tenta culpar
o profissional de coisas que dão
errado, alimenta preconceitos ― enfim, se não pode miná-lo
profissionalmente, trata de tentar fazê-lo do lado pessoal. Tudo para
desestruturá-lo e fazê-lo pedir as contas (demiti-lo significa pagar
pesadas verbas). Trata então de colocá-lo em uma função do tipo
"enxuga-gelo". Dizem. Continua |

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Reação - Ao mesmo
tempo em que a Volkswagen anuncia a chegada do Fox, a Fiat
(atual líder, que a fábrica de origem alemã quer desbancar) diz
que fará investimento de US$ 400 milhões no Pólo de
Desenvolvimento Giovanni Agnelli (nome do patriarca da família
controladora da empresa, morto em fevereiro último). Nele,
Alberto Ghiglieno, superintendente no Brasil, afirma ser
possível deter toda a tecnologia do projeto de um automóvel, do
desenho aos protótipos. |
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