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Por fim, lembro de um Landau 75 – mas que foi do meu pai com dez anos
de uso. Um verdadeiro "barco" que fazia três quilômetros com um litro
de gasolina. Na praia (ainda litoral sul), ele matava todo mundo de
inveja ao ligar o barulhento ar-condicionado daquela geringonça. Eu me
refestelava naqueles bancos enormes, deitado no "fresquinho".
Mas legal mesmo foi uma viagem para o Rio. O bicho enguiçou na estrada
à noite. Um veículo do socorro parou (sim, já existia isso), após
algum tempo, atrás do carro. Na frente, com o capô aberto, meu pai
ainda tentava decifrar o que teria acontecido ao motor. "O senhor
precisa de ajuda?", pergunta o prestativo funcionário. A que meu pai
responde: "Não, está tudo bem". Depois viríamos saber que ele só havia
dispensado a ajuda por achar que se tratava tão-somente de um
motorista solidário.
Devo dar um crédito: pensei em escrever sobre esse tema depois de ler
a coluna do amigo e colega colunista Bob Sharp, sua argumentação sobre
o brasileiro ser ou não apaixonado por automóvel. Fiquei com a
impressão de que brasileiro é de certa forma apaixonado, mas sua
desinformação muitas vezes supera a paixão.
Por falar nisso, não é que outro dia um frentista de um posto quis me
convencer de que a melhor forma de limpar uma mancha provocada por
água com cimento na lateral do meu carro seria usando limão!?!?!? "É
ácido, serve para tirar a sujeira", argumentou. O que a fabricante diz
sobre isso eu não sei. De qualquer forma, não achei o limão, mas
chupamos uma laranja juntos, tentando tirar as manchas daquela
porta...
Fato é que o automóvel funciona como uma linha do tempo. Há 11 anos,
meu sonho era comprar um Uno, a última palavra em estilo. Ainda assim
fiquei feliz da vida quando, antes de levar meu Uno CS para casa, o
dinheiro que havia juntado era suficiente para adquirir um Fiat 147
caindo aos pedaços – era, afinal, uma condução. Algumas histórias que
já ouvi dão conta de que o patrimônio de uma vida foi aplicado em um
veículo que hoje é peça de museu.
Pelo sim, pelo não, carros rendem boas histórias (às vezes trágicas na
hora em que elas ocorrem) a vida toda. Nunca vou esquecer o Carnaval
do ano 2000, em Lisboa, quando dirigi pela primeira vez uma Zafira. À
noite parei a minivan em frente ao tradicional bar A Brasileira, no
centro velho da cidade. Enquanto tomava calmamente meu café, vi
algumas pessoas passando com sacolas da Fnac. Segui aquele "rastro" ao
contrário e comecei a comprar CDs. A loja fechou às 23h.
Quando voltei vi que, por estar barrando a passagem de três (TRÊS)
bondes, a Zafira estava sendo guinchada. Um monte de gente querendo
chegar mais cedo em casa – e não podia porque eu achava que aquelas
linhas de bonde não estavam mais em uso e havia estacionado no
caminho. Consegui trocar dinheiro e, na hora, paguei pela infração e
pelo reboque (à época, uns US$ 50). Olho para trás, hoje dando risada
do infortúnio daquela noite. Mas para sempre vou guardar a tal multa,
que diz: "A viatura estava a obstruir a passagem dos elétricos". Ora,
pois.
A entrevista desta semana é com um especialista em automóveis antigos.
Na verdade, um apaixonado pela arte de restaurar modelos que, de
carros velhos, viram verdadeiras relíquias: Fernando Paveloski. Continua
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Saldos de balanço -
Um dado curioso para o leitor conhecer: julho fechou com um
estoque de 161.399 veículos (99.526 nas concessionárias e 61.873
nas fábricas),
totalizando 44 dias de produção. Em agosto a situação foi um
pouco (bem pouco) melhor: havia 147.014 carros em estoque
(95.301 nas revendas e 51.713 nos pátios dos fabricantes). Era
um dia a menos, 43.
Licenciamento menor - Os dados da nota anterior foram
fornecidos pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de
Veículos Automotores), que apurou ainda uma queda de 9,9% no
licenciamento de veículos de janeiro a agosto em comparação ao
mesmo período do ano passado (862 mil contra 957,1 mil).
Haja série - A BMW mostrou a nova Série 5 para a imprensa
brasilera na última semana. Mas a marca de Munique, Alemanha,
não deve parar por aí. Uma revolução está em curso, baseada no
estilo inspirado da Série
7. Esta passa por um processo de simplificação do complicado
sistema iDrive, que usa um joystick nos comandos. |
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