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Uma reportagem que eu sempre quis
fazer, mas nunca foi além das quatro paredes de uma sala de reuniões
de pauta, consiste em sair pelas ruas, por bares, shoppings,
semáforos, entre outros locais, fazendo uma pergunta muito simples:
"Qual foi o automóvel que marcou sua infância? E por quê?".
Essa reportagem nunca saiu do papel – muito embora eu ache que isso
não tardará a acontecer –, mas nem por isso deixei de fazer
"laboratório" (tudo bem, muita gente me acha um maluco por causa
disso). Sábado passado, com algumas amigas da minha geração (entre 25
e 35 anos) que encontrei em um restaurante, trouxe a pergunta à baila.
Entre os modelos citados, estão Maverick, Puma, Opala, Passat, Fiat
147, Brasília, Corcel. Uma delas teve um Del Rey. Era seu sonho de
consumo realizado.
As respostas vinham recheadas de boas histórias. Mas algo era comum e
sintomático: muitos dos carros se repetiam, em um claro sinal de que o
mercado era fechado (imagine hoje!). Portanto, sem tantas variações de
produtos. Incrível, porém, como os depoimentos chegam cheios de
sentimento e detalhes, mesmo tendo sido vividos há mais de duas
décadas e quando as pessoas eram muito pequenas.
A coluna desta semana é, então, um convite. Aproveitando a maravilhosa
audiência que Autogiro vem tendo, peço aos leitores que
escrevam as histórias que eles lembram ter vivido a bordo dos
possantes bólidos de seus pais, tios, avós... E que aventuras foram
essas. É só escolher a opção e-mail ao final desta página e enviar
sua história. Darei alguns exemplos "de casa":
Meu pai teve dois automóveis vermelhos: era uma
VW Variant (que tinha
aquela entrada de ar que mais parece um tanque de lavar roupa na lateral
traseira). Há fotos e
fotos minhas empinando pipa em Peruíbe, litoral de São Paulo, com
aquele carro ao fundo. À época (meados dos anos 70) não havia lojas de
conveniência e tantos restaurantes na estrada. Ou seja, éramos
farofeiros assumidos em plena época áurea da Praia Grande (que hoje, reurbanizada, vai muito bem, por sinal), Boqueirão, Cidade Ocian e
afins.
Eis que minha irmã, na última semana, lembrou que nosso pai teve
ainda um TL (um cupê da mesma família da Variant),
também vermelho. Chique no último, um verdadeiro esportivo. Tenho
ainda outras fotos, bebê de colo, sentado no teto de um Opala (um
deles tinha uma faixa preta...).
Eis que, em 1977, meus pais compraram um Dodge Polara. Lembro até hoje
o símbolo da Chrysler no chaveiro. Eu achava aquele logotipo o maior
barato, sem imaginar que poucos anos mais tarde a Chrysler deixaria o
país para voltar com o Dodge Dakota (fabricado no fim dos anos 90, no
Paraná) e depois deixaria de novo a cena. Aquele "Doginho" foi
comprado zero-quilômetro. Minha mãe ia me buscar na escola com ele. Há
uma subida bem íngreme em Pirituba (bairro da zona norte de São Paulo)
que ela se vangloriava de conseguir transpor em quarta marcha.
Continua |

Entre nós 1 - O
Focus 1,6-litro, que também terá versão sedã, já está entre nós.
O carro se parece muito com a versão européia, com grade tipo
"colméia", borrachões no pára-choque e painel com mostradores em
tons de grafite.
Entre nós 2 - O que surpreende na linha 2004 do Focus,
porém, é a agilidade que o motor de 98 cv proporciona (é o mesmo
que já equipa o Fiesta e o EcoSport 1,6). Incrédula, uma pessoa
perguntou a um funcionário, nos corredores da Ford: "Será que
esse carro anda bem com motor 1.6?". Resposta: "As pessoas não
achavam que o EcoSport 1,0-litro não andava? E anda!" |
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