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O ato -- provavelmente irônico --
ocorreu na última parte (a de perguntas e respostas) da convenção de
lançamento do Doblò Adventure,
na última segunda-feira, em Belo Horizonte, MG. Um dos jornalistas
presentes, ao se referir às outras versões que não a aventureira do
furgão da Fiat, soltou uma frase que perguntava algo na linha "como
ficam as versões, digamos, civis do Doblò?".
Na hora veio à minha cabeça a imagem dos dois outros modelos Adventure
da Fiat, a perua Palio Weekend e o picape Strada, munidos de
quebra-mato na dianteira. No caso do Doblò, o item "evoluiu" para um
pára-choque estilizado, que só faz lembrar o acessório feito para
abrir caminho na floresta.
Quebra-mato na frente e engate atrás. "Preciso instalar um engate no
meu carro", ouvi dia desses uma mocinha falar. Os dois extremos do
veículo ficam protegidos dos intrusos (ou dos incautos). Não deixa de
ser um "chega pra lá". Lembrou até a época em que minha irmã tirou
carteira de motorista brincando que iria instalar um borrachão em
volta de todo o carro, à época um Fusca 78. Seria uma forma de se
prevenir em relação às batidas que uma novata no tráfego poderia
provocar.
Hoje os tempos são outros. Os motoristas ficam camuflados pelas
películas escuras. Cinco anos atrás já era possível entrevistar
mulheres que adotavam os picapes (há dez anos, eram os jipinhos, do
tipo Daihatsu Terios e Suzuki Vitara) para ter sensação de segurança.
Será, porém, essa segurança real? Talvez.
Duas vezes bateram em minha traseira em ruas relativamente calmas de
São Paulo, tarde da noite. Não creio que fosse a "gangue da batida".
Da primeira vez, um Mille esmagou os próprios faróis na traseira de um
Toyota Hilux que eu dirigia. Da segunda, a vítima foi a grade
dianteira (e o radiador por tabela) de um Gol "bolinha". Estava eu
parado no semáforo em um Ford Ranger. Os picapes, de pára-choques
altos e avantajados, não sofreram nem um arranhão sequer. Está certo
que na hora não saí para conferir. Esperei chegar a um lugar claro,
teoricamente mais seguro.
Depois dos picapes e dos jipinhos, vieram as minivans, e a posição
elevada de dirigir (como nos tanques) ganhou de vez as ruas. Dizem que
foi com as mulheres. Bobagem. Modelos com apelo "aventureiro" são
exibidos em propagandas com jovens viajando para as montanhas,
enfrentando trilhas em estradas de terra, rios e outras desventuras.
Mas a grande aventura é parar no sinal sem ser assaltado após uma
rápida exibição de malabarismo.
O EcoSport, da Ford, que chegou com preço a partir de R$ 31 mil, veio
facilitar o acesso ao carro de posição elevada. Mas não basta ser
alto. Como todo veículo militar, tem de ser pesado e transmitir
agressividade. É uma tendência de design. Tem de ter "cara de mau".
Quem não se lembra daquele desenho do Pateta, em que ele é um pacato
cidadão, mas, ao volante de seu automóvel se transforma, vira fera,
fica agressivo?
Aí veio o tuning, ou preparação, que de certa forma trata de
personalizar as coisas -- cada um pode ter sua própria "cara feia".
Quem não tem bolso para elevar a suspensão trata de rebaixar o
automóvel todo e encher de adesivos provocativos. Cortam-se as molas,
trocam-se as rodas por outras de perfil mais... esportivo? Morri de
rir certa vez, quando, na avenida Brigadeiro Faria Lima, uma Brasília
foi parada em uma blitz por ostentar no pára-brisa o pouco amistoso
adesivo com a inscrição: "carro de fuga".
Em maio último, por oferta de uma blindadora, tive a oportunidade de
andar em um Humvee, jipe que vez por outra aparece na TV por ser usado
em Bagdá pelo Exército americano (a denominação exata é HMMWV, para
high mobility multipurpose wheeled vehicle, mas o nome Humvee se
tornou popular como forma pronunciável da sigla).
Apesar de "subir paredes", o veículo é extremamente simples por
dentro. O dia estava quente em Barueri, os vidros, todos fechados, e o
calor era escaldante. Não havia um equipamento que, nas grandes
cidades, deixou de ser item de conforto para virar de segurança: o
ar-condicionado. Sim, ar-condicionado não equipa veículo militar.
Também pra quê? Nossa guerra aqui é civil, mesmo.
Acho que vou ouvir falar da coluna Mulheres
Motorizadas até o final da novela (que termina dia 10, com
reprise dia 11). Mas na última semana foi demais: chegou às minhas
mãos o exemplar de um jornal do interior de São Paulo que reproduziu
na íntegra meu artigo, publicado originariamente no BCWS.
Liguei para o jornal e ouvi do editor de Veículos a desculpa mais
esfarrapada dos últimos tempos para alguém que pisa sem o mínimo
escrúpulo na propriedade intelectual alheia: "Ah, esse texto chegou
pelo Outlook".
Não bastasse a falta de respeito para comigo, o autor do texto (nem eu
nem o site foi citado), é digno de pena saber que existe um jornal de
uma grande cidade paulista que publica sem checar a procedência ou dar
a satisfação aos autores um texto que "chega pelo Outlook".
Pobres leitores de Marília. O caso já está sendo analisado por
advogados.
Uma das entrevistas desta semana é com o cantor e compositor
Zezé Di
Camargo, que está lançando seu CD anual nesta semana. Conversamos
rapidamente (daí a entrevista ser muito curta) durante uma sessão de
fotos que Zezé fez, generosamente, para a revista Carro Express,
editada por mim, que acaba de chegar às bancas de São Paulo e Rio
(leia notas na seção Shopping).
A outra conversa é com o diretor comercial da Fiat,
Lélio Ramos, que
falou sobre a ameaça de a Volkswagen retomar a liderança do mercado
brasileiro com o Fox. O executivo conversa ainda sobre a continuidade do
Mille em produção.
Não posso resistir ao trocadilho. A dupla entrevistada da semana é
Zezé Di Camargo & Lélio Ramos... Continua
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Absurdo 1 - O
repórter da TV Globo no Pará fazia uma passagem para o Jornal
Nacional, sexta-feira passada, quando um motoqueiro passou
atrás dele. Detalhe: sem capacete. Para milhões de espectadores.
Absurdo 2 - O amigo leitor acha condenável que alguém
leia ao volante, no meio de um congestionamento? Pois na última
semana, o motorista de um Mille, em plena via expressa da
Marginal Pinheiros, em São Paulo, não desgrudava os olhos de seu
jornal. Detalhe: a 90 km/h.
Antes tarde... - Na última semana, começou em São Paulo
uma campanha que ressalta a importância de usar cinto de
segurança no banco traseiro. Segundo o folheto distribuído nos
semáforos, em uma colisão a 40 km/h, o peso de uma pessoa de 50
quilos vira duas toneladas.
...do que nunca - Deixar de usar o cinto, mesmo no banco
de trás, é considerado
infração grave. Além da multa, conta cinco pontos na carteira de
motorista. Se estivesse usando o cinto no acidente que sofreu há
quatro anos, possivelmente o dramaturgo Dias Gomes ainda estaria
vivo.
Anticorpos - Na festa da Ferrari, que apresentou o F360
Challenge Stradale, na última sexta-feira, o presidente da Via
Europa (importadora oficial da marca), Francisco Longo, anunciou
duas vezes ao microfone que o carro não estaria "fisicamente" no
local por "problemas logísticos".
Vacinados - Quando as cortinas foram abertas, o piloto
Felipe Massa tratou de
acelerar o Ferrari. Salvo engano, é a terceira vez que Longo faz
esse "suspense" (a primeira foi em outubro de 2002, no Salão de
São Paulo). Ninguém acredita mais. |
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Nova revista 1 -
Está chegando às bancas de São Paulo e Rio a revista Carro
Express, com a proposta de ser uma publicação de
melhor relação custo-benefício. Traz testes, comparativos,
serviços, tabelas de preços e custa apenas R$ 2,90.
Nova revista 2 - Na capa da nova publicação há pelo menos
três reportagens especiais: o lançamento do picape Chevrolet
Montana, a nova Série 4 da BMW e a
história do Fusca, para ler e guardar. Quem não encontrar
Carro Express pode ligar para (11) 5641-3454, ramal
229, e falar com Sidney ou Débora. |
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