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Entrevista

"Blindagem está muito longe de ser uma coisa popular"

Gerson Branco
Presidente da Gepco Indústria e Comércio, fabricante de vidros para blindadoras


Autogiro – A tendência agora é de as blindagens ficarem cada vez mais populares?

Gerson Branco – Não. A palavra popular é perigosa. Eu não chamaria de popular, não. Chamaria de blindagem de carros de pequeno porte ou de médio porte, vamos falar assim. A blindagem está muito longe de ser popular, porque ela ainda é muito cara e vai continuar sendo muito cara.

O que aconteceu é que ela deixou de ser coisa de reis, rainhas e grandes magnatas. Ela está indo para a classe média alta. É gente que ainda ganha muito bem. Para você ter um carro blindado, tem de ganhar mais de R$ 10 mil por mês. Caso contrário, não dá.

AG – A tendência é blindarem então carros pequenos, como eu já vi, um picape como a Fiat Strada?

Branco – É uma opção das famílias que têm filhos em idade de faculdade. É uma alternativa econômica. Você põe um picape na mão do seu filho. Primeiro, porque custa mais barato do que um automóvel. Segundo, que ela tem capacidade de carga, o que é bom para a blindagem. Terceiro, que você só blinda a metade de um carro, porque caçamba você não blinda. É só a cabine. Então sai muito mais barato, porque tem menos vidro, menos manta, menos tudo.

AG – A espessura do vidro da blindagem caiu, nos últimos anos, de 40 milímetros para 21 mm ou até 17 mm. E ainda assim ele ficou mais resistente?

Branco – Não, não. O nível de segurança é o mesmo. Porque o teste balístico que serve para um ou para outro é o mesmo. É preciso passar no mesmo teste.

AG – Você já fez algum teste dentro do carro para demonstrar para algum cliente?

Branco – Dentro do carro? Mas que vantagem eu levo nisso?

AG – Iria mostrar que confia no produto.

Branco – Eu não sou louco, eu sou um empresário. Você está maluco, né, doutor (risos)?

AG – Não. É que tem muita gente que eu gostaria de colocar lá para experimentar...

Branco – Não, pára com isso... No teste balístico, você tem normas rígidas de segurança. É feito para medir a capacidade do produto e não a coragem das pessoas. E nem é para ficar colocando nenhum tipo de impressão subjetiva. É bom porque passa no teste.

AG
– Voltando à parte séria: aquele registro de blindados como se fosse armamento, que é uma

obrigatoriedade há um ano, está mesmo acontecendo?

Branco – Está sim. Veja o que acontece: quando vendo vidro, sou obrigado a informar o Exército para quem estou vendendo. O Exército recebe todo mês um relatório meu dizendo para quem vendi o vidro. De posse dessas informações, tem condições de ir aos lugares para os quais eu vendi e verificar se essas autorizações foram requeridas. Acredito que eles estejam fazendo isso. Eu estou cumprindo a minha parte.

AG – Essa coisa de blindagem parcial é uma falácia, na sua opinião? As pessoas não fazem blindagem parcial?

Branco – Eu nunca ouvi falar nisso. Nunca ouvi dizer de alguém que faça blindagem parcial. De vez em quando, pelo site na internet, alguém pergunta quanto ficaria blindar só os vidros. A gente explica que é bobagem, porque, se você considerar o custo dos vidros e o custo de instalar os vidros, isso significa quase 70% do preço de uma blindagem. Então é uma bobagem, você está jogando dinheiro fora. Mais 30% você faz tudo. Não existe 70% de segurança. Existe 100% de segurança. É o mesmo que você usar capacete com buraco na nuca. Você só vai se proteger na frente... É bobagem.

AG – Por que muitas blindadoras aqui no Brasil se apresentam como a blindadora oficial da Mercedes e da BMW na Alemanha?

Branco – Isso não existe. Gostaria que você ligasse para Mercedes e BMW e verificasse quem são as blindadoras. Até onde eu sei, as blindadoras oficiais deles são eles mesmos, na fábrica. A BMW até abriu uma fábrica agora no México onde eles mesmos fazem as blindagens deles. Esses carros que vêm para o Brasil são todos do México.

AG – É possível falar sobre valor mínimo para blindar um carro?

Branco – Não...

AG – Mas com R$ 30 mil você blinda um picape leve?

Branco (calculando) – Olha, acredito que entre R$ 30 mil e R$ 40 mil você blinde um picapezinho sim. Mas quem pode te falar isso são os próprios blindadores.

AG – A tendência no futuro não é todo mundo ter seu carro blindado no Brasil?

Branco – Não, acho que é um futuro muito distante. Espero que não aconteça.

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