|
Não, não era um
problema do idioma. Éramos três brasileiros
tentando explicar em um francês quase nada sofisticado à professora na
aula do Eurocentres, em Paris, que o Brasil tinha carro movido a
álcool. Exatamente, ela não acreditava de forma alguma. Do mesmo jeito
que não entrava na cabeça dela o fato de ser proibido o automóvel de
passeio a diesel no país de Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo e Romário.
Aliás, o balconista de uma quitanda, naquele mês e pouco que passei na
cidade-luz, no ano passado, chegou a perguntar inconformado se só
havia pessoas com nomes que começavam com "R" no Brasil. Não que eu já
não esteja acostumado com a desinformação a respeito do país no
exterior. Mas ninguém observou até agora que, depois de Alexandre
Pires tocar Garota de Ipanema para George W. Bush, na Casa
Branca, o presidente americano provavelmente dirimiu a velha dúvida:
sim, existem negros no Brasil.
Mas
o assunto da coluna é automóvel. E comecei falando sobre os modelos a
álcool. Sim, não existe outro país
no mundo que use esse produto da cana-de-açúcar para abastecer carros
(embora nos EUA exista o metanol, antes obtido do carvão e agora do
gás natural, além do álcool feito de milho). E não é de hoje: vem desde quando aquele
Fiat 147 fabricado em 2 de julho de 1979 deixou a linha de montagem.
Ou seja, os franceses não sabem, mas, com idas e vindas, o álcool já
serve como combustível no Brasil há quase um quarto de século.
A reboque dessa nova tecnologia tiveram de ser desenvolvidos outros
apetrechos que solucionassem problemas como o da alta corrosão do
álcool ou mesmo a irritante partida a frio. Lembro bem que meu pai
tinha uma fórmula genial nas manhãs frias: pedia que seu filho (este
colunista que vos escreve) ligasse o velho Passat e o mantivesse com o
afogador puxado por uns dez minutos...
No fim dos anos 70, o álcool custava menos da metade do preço da
gasolina (como em parte do ano atualmente), e o velho Fiat 147 fazia 8,8 km/l com seu motorzinho
1,3-litro. Não é de estranhar que o culpado por eu estar no mundo
ainda nutra um certo ceticismo em relação aos motores flexíveis em
combustível. Haverá problemas? Gerações seguintes serão capazes de
superar os que já estão no mercado? A lógica empírica manda responder
sim à segunda pergunta e talvez à primeira. Só o tempo vai dizer.
Assim como deve solucionar o outro nó que indignava a professora de
francês: afinal, o diesel vai virar combustível para carros de passeio
no Brasil? Se isso ocorrer, quando será? Essa peculiaridade do mercado
brasileiro dura um pouco mais – 27 anos –, quando o Brasil era muito
mais dependente do petróleo do que agora.
Os maiores empecilhos ao diesel não são exatamente técnicos, mas o
fato de que o país consome o óleo em proporção desigual à
gasolina. Assim, carros de passeio a diesel desequilibrariam ainda
mais uma balança que já pende para esse lado.
Continua |

Pra caber no bolso -
Está chegando às concessionárias nos próximos dias a versão de
câmbio automático da Renault Scénic com motor 1,6 16V (até agora
só havia na versão 2,0). Deve ficar na faixa dos R$ 45 mil, ou
seja, bem mais competitiva que a atual, que não sai por menos de
R$ 50 mil.
Mulheres motorizadas - Mas a questão que ficou, ainda
causando discussões até dentro da redação de publicações
especializadas, é: por que o carro destruído em um despenhadeiro
na novela das oito, em que morreram Marcos e o estudante Fred,
era um Honda Civic velho (meados dos anos 90), que na trama foi
alugado, e não o modelo do vilão, um Mercedes-Benz Classe M? |
|