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Entrevista

"Houve um vôo em que o Senna picotou toda a camisa do Galvão Bueno com uma tesoura"

Ary Salles

Diretor de marketing da Mesa 4, empresa que atende o Jeep Clube
do Brasil



Autogiro - Como foi sua reação ao saber que iria acompanhar o corpo de Senna de Paris para São Paulo?

Ary Salles - Eu era comissário da Varig e soube que o caixão iria naquele vôo umas três horas antes. Saímos de Paris. Foi tudo muito chocante para nós, porque o corpo veio na executiva e não havia quase ninguém o acompanhando. A única pessoa que acompanhou o caixão era o Ubirajara Guimarães, o Bira, que era sócio de Senna. Na primeira estavam outros amigos, como o Galvão Bueno e o irmão dele, Leonardo. Havia mais umas duas pessoas cujo nome eu não me lembro agora.

AG - E como foi o vôo? Diferente em relação aos habituais?

Salles - O clima estava bem triste. Os passageiros estavam sabendo que o corpo estava no avião, pois era um vôo comercial, normal. Foi um vôo muito constrangedor. Muita gente que estava sabendo queria chegar à executiva, mas era obviamente proibido. Foi tudo muito atípico e tenso, em razão de ele, que era uma pessoa muito querida, estar ali.

AG - Quando ele era vivo, você chegou a conhecê-lo?

Salles - Demais. O Senna viajou muitas outras vezes comigo. Ele era uma pessoa muito brincalhona. Se me permite, gostaria de contar uma passagem engraçada.

O Galvão Bueno tinha mania de, depois que o avião decolava, colocar um moletom e pendurar a roupa dele, que iria vestir de novo só quando chegasse ao destino. Em um vôo para Londres, o Senna pegou uma tesoura e cortou toda a camisa do Galvão. Era muito normal o Senna ficar

conversando com a gente, ele dormia muito pouco no avião. E picotou toda a camisa do Galvão nas costas. Antes de chegar a Londres, o Galvão foi se trocar, e a camisa estava toda rasgada. Todo mundo esperando uma reação, mas ele ficou na dele. Só olhou para o Senna com uma cara de "que sacanagem comigo".

AG - Como você entrou nessa vida de comissário?

Salles - Em 1976, fui acompanhar um amigo. Eu havia completado 18 anos e fui fazendo exames com esse amigo. No final eu passei e ele, não. Como a aviação é uma cachaça, acabei saindo só em 1994. Mas não teve nada a ver a morte do Senna com a minha saída da aviação.

AG - E hoje você faz o quê?

Salles - Sou diretor de marketing da Mesa 4, que faz eventos do jipe Clube
do Brasil.

AG - Esse ramo de off-road cresceu muito, não? Não só o verdadeiro como o de automóveis que imitam o fora-de-estrada.

Salles - Sim, o verdadeiro cresce 40% ao ano. Neste ano, a Goodyear teve crescimento de 11% só de pneus para off-road.

AG - Não tem muita gente que compra carro de aventura sem saber usar a tração integral e acaba se arriscando?

Salles - Essa é uma preocupação muito grande nossa. Você não tem onde testar. Lembro que no ano passado éramos patrocinados pela Suzuki e fizemos meia dúzia de passeios monomarca. A maioria das pessoas nunca havia usado o 4x4 e ficou fascinada. No asfalto, o 4x4 gasta muito mais gasolina, pois fica mais preso. Na lama, vai ter uma segurança muito grande.

AG - Qual é o próximo evento em vista?

Salles - Temos dia 29 o Raid da Meia-Noite, com duas categorias, máster e sênior. É o último do ano e o mais radical. Quem quiser informações basta ligar para (11) 5082-1291 ou 5082-1446.

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