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Por razões
profissionais, mergulhei nos últimos meses no maravilhoso mundo da
segmentação em termos de publicações automotivas. Basta uma visitinha
a uma banca de jornais ou uma boa navegação pela internet para
descobrir que o mercado editorial (tachado simplesmente como "difícil"
por aqueles para quem ele está mais fácil, os jornalistas em início de
carreira) está abrindo novas e fascinantes portas.
Uma delas, porém, chamou-me a atenção após ler mais atentamente
revistas especializadas em tuning e preparação de veículos. E
começo então a cuspir no prato em que como (afinal, trabalho nesse
negócio), assim como o fez Daniella Cicarelli, ao criticar as
propagandas de cerveja, questionando sobre o porquê de não haver nelas
homens de sunga na mesma proporção em que aparecem mulheres de
biquíni. Ora, mas ela mesma não exibiu seu corpo escultural numa
dessas peças publicitárias?
Peguemos as revistas de tuning. Mulheres em profusão na capa,
nas páginas internas, com direito a legendas do tipo: "A mulherada,
que a gente adora, não podia faltar". Outro dia morri de rir de uma
carta de um leitor que reclamava de que, em determinada reportagem, a
mulher teve mais destaque do que o automóvel. Ao que os redatores
trataram de contra-argumentar, na resposta, com algo como: "Aqui a
gente gosta de mulher". Resultado: o leitor mandou outra carta,
narrando o quanto tem sido infernizado pelos amigos e vizinhos segundo
os quais ele "não curte mulher".
Menos munidos de pesquisas do que os publicitários, muitos daqueles
que decidem os rumos do mercado editorial o fazem mais pela percepção
de carências do que para agradar ao público. Afinal, jornalismo e
publicidade são produtos de naturezas completamente diferentes (embora
esteja cada vez mais difícil acreditar nisso). Nunca pensei que o
jornalismo tenha sempre de afagar o leitor. Pelo contrário. Provocar
ódio e indignação é, na maioria das vezes, extremamente saudável no
papel social do jornalismo.
De uns tempos para cá, virou lugar-comum lembrar que a influência
feminina na compra de um automóvel é de 80%, sendo que elas
representam 50% do total de compradores de um veículo – os dados são
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e da FGV
(Fundação Getúlio Vargas). Vários detalhes do automóvel foram
repensados para agradar ao público feminino – a começar pela alteração
do extintor de incêndio que ficava à frente do banco do motorista no
Volkswagen Golf, onde insistia em desfiar a meia-calça de algumas
consumidoras.
Na hora de escolher a próxima garota da capa, lembra-se que 99% dos
leitores de revistas que versam sobre modificações em automóveis são
homens. Eis por que temos de escolher a mais "gostosa" das garotas.
Garota da capa, mulher-objeto, objeto de desejo, como muito carro,
sobretudo os personalizados, por ser o ápice do inatingível. Afinal, o
dinheiro não compra criatividade. O resultado é um festival de bundas
e peitos para falar de nitro, turbo, doideira, zoeira, entre outras
coisas "socadas" e "invocadas".
Daí não entendem por que certas feministas de plantão começam a
radicalizar e, do outro lado, relacionar a derrubada das torres gêmeas
do World Trade Center, em Nova York, à queda de um símbolo fálico.
Toda ação tem uma reação.
Há alguns fatos sintomáticos: em salões do automóvel extremamente
sérios, como o de Paris e o de Frankfurt, a presença feminina se
limita a mulheres bem vestidas que se afastam do automóvel quando o
visitante vai tirar uma foto. O contrário ocorreu na última semana, em
São Paulo, no Salão das Duas Rodas, onde as modelos "enfeitavam" os
modelos em proporção bem maior que no próprio Salão do Automóvel
paulistano.
Bem, voltando à questão das publicações, minha proposta é: já que o
público está recebendo de braços abertos revistas que fogem ao velho
padrão – isto é, está abrindo espaço para publicações mais baratas,
outras específicas sobre tuning, outras que só falam de
automóveis antigos –, por que não criar uma revista que publique fotos
de homens sarados (tipo os garçons de festas paulistanas descoladas),
de sunguinha, mostrando o bíceps anabolizado ou o abdome tipo
"tanquinho", devidamente apoiado naquele Ford Landau cor-de-rosa das
Penélopes? Ou em um Celtão irado? Ou no Classe A, que já ganhou o
rótulo de "carro de mulher" (assim como todo rótulo, impreciso)?
O mercado já melhorou bastante deixando de classificar como
"femininas" revistas que versam sobre corte e costura, cozinha
(inclusive receitas), jardinagem, novela ou títulos igualmente
preconceituosos, como "mulheres de sucesso" (só faltando chamar "de
sucesso, apesar de mulheres"). A pergunta que fica é: quando elas vão
ganhar, sem sectarismo, sua própria revista de automóveis?
A exemplo da última semana, a entrevista desta continua falando sobre
Fórmula 1. Como em 2004 faz dez anos que morreu Ayrton Senna, em
Imola, resolvemos conversar com alguém que estava no vôo que trouxe o
corpo do piloto da Europa para o Brasil, o ex-comissário da Varig Ary
Salles. Continua
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Transporte - O Salão
Internacional do Transporte, ou Fenatran, acontece até
sexta-feira, das 13h às 21h, no Pavilhão de Exposições do
Anhembi, em São Paulo. Está recheado de novidades até para
pessoas físicas. Vale uma visita.
Velinhas - O Complexo Industrial Ford Nordeste está
completando dois anos. A fábrica, localizada em Camaçari (BA),
produziu 125.522 unidades de outubro de 2002 a setembro deste
ano, contra 34.980 veículos nos primeiros 12 meses.
A bela e a fera - O evento de lançamento do novo Fiat
Palio, no início de novembro, contará com a apresentação de A
Bela e a Fera. A piada que rola é que os protagonistas dessa
peça serão o Stilo e o Doblò. |
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Motoboys -
Mais do que uma recomendação de compra, segue uma dica cultural:
o filme Motoboys - Vida Loca, de Caíto Ortiz, atração da
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme será
exibido nesta terça (21) às 22h30, na Sala UOL de Cinema, no dia
25 às 21h no CEU Jambeiro, no dia 27 às 22h30 no Cinesesc, e no
dia 28 às 17h15 no Sesc Vila Mariana.
Ainda eles - O filme acompanha o cotidiano de cinco
motoboys, mostrando também o ponto de vista dos motoristas.
Calcula-se que, em São Paulo, haja 250 mil desses motociclistas,
sendo que três deles morrem por dia. Informações: (11)
3749-2555. |
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