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Entrevista

"Abasteça em postos pelos quais você passa todos os dias"

Isabele Rocha de Araujo

Gerente de suporte de tecnologia da Texaco


Autogiro
– Isabele, qual é o seu cargo na Texaco?

Isabele Rocha de Araujo – Eu sou gerente de suporte de tecnologia. Lido principalmente com combustíveis e suporte, em relação a toda a América Latina.

AG – E qual é a sua formação?

Isabele – Sou química industrial. Trabalho há 14 anos com isso.

AG – No Brasil, qual é o grande problema quando se fala em combustíveis?

Isabele – O maior de todos é a adulteração, a adição de solventes de borracha, além de um percentual de álcool acima do estabelecido e que comprometem o funcionamento do motor.

AG – O consumidor brasileiro usa a gasolina premium?

Isabele – Normalmente não. Ele é mais motivado pelo preço. Então, como a gasolina de maior octanagem é mais cara, ele não usa tanto. É preciso estar atento, porque, muitas vezes, o produto mais barato pode estar adulterado. Mas não necessariamente. Preços muito abaixo da média na região devem causar suspeita. É preciso pensar na procedência daquele combustível. A gasolina adulterada provoca, entre outras coisas, instabilidade do veículo em marcha-lenta, um consumo maior, ocasiona batida de pino...

AG - Você usa gasolina premium?

Isabele – Não. Eu uso gasolina aditivada, não premium, porque a premium tem melhor octanagem, mas, em termos de benefício, se

você não tem um carro com alta taxa de compressão, você não percebe. Altas taxas estão em veículos importados, o que não é o meu caso. Sou dona de um Renault Clio.

AG – O que a Texaco faz para controlar a qualidade?

Isabele – Desde 1996 começamos a adicionar marcadores nos combustíveis. São substâncias que entram em quantidade baixa na gasolina. Como não há como medir no posto a octanagem, algumas distribuidoras resolveram aplicar os marcadores.

AG - Isso existe no exterior?

Isabele – Olha, o índice de adulteração fora do Brasil, em países da Europa ou nos EUA, não é assim tão alto quanto aqui. Nos EUA também há adição de marcador para garantir. O problema todo aqui é a falta de fiscalização. São quase 30 mil postos no Brasil. Só quem fiscaliza é a ANP [Agência Nacional do Petróleo], mas é muito posto e fiscalizar fica difícil. Até porque entram milhões de outros aspectos jurídicos...

AG - Como você vê os automóveis com motores flexíveis em combustível?

Isabele – É uma coisa muito nova, foram lançados neste ano. É uma opção para o consumidor usar o combustível que achar mais barato. Acho que ainda é uma coisa muito nova para opinar. Mas é uma opção, um projeto interessante. Não sabemos se haverá ou não problemas mecânicos.

AG – Então, no fim das coisas, onde abastecer?

Isabele – O ideal é verificar, no caminho que você faz normalmente para ir trabalhar, o aspecto dos postos. É interessante abastecer em postos que você veja sempre. Como a gasolina premium vende menos, não vale a pena ser adulterada, e a aditivada já é uma certa proteção contra a adulteração. E não se esqueça de dar preferência aos postos que tenham programas de qualidade implantados.

Zoom
O carro escolhido para "zoomzar" nesta semana foi o Peugeot 206 Techno, uma prova de que consumidor de automóvel pequeno não precisa se conformar com um veículo "pé-de-boi".

Essa versão traz equipamentos de carro grande: sensor de chuva (com o qual a varredura é feita de acordo com a intensidade da chuva), acendedor automático de faróis e sensor de estacionamento (este último embutido e não com aqueles "botões" na traseira).

Os detalhes ficam por conta da praticidade dos comandos elétricos dos retrovisores externos e dos vidros no console central e do botão do painel que controla a altura do facho dos faróis, ao lado do que desativa a bolsa inflável

do passageiro (útil quando se leva uma criança devidamente acomodada na cadeira ao lado do motorista).

Fotos: Luís Perez

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