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O mercado começa a
emergir – a ponto de presidente de fábrica com larga tradição de
Brasil anunciar o "fim da crise". Mas, assim como os governos
militares que comandaram o Brasil de 1964 a 1985 deixaram seqüelas que
vão do comportamento humano ao (mau) funcionamento do Estado, não há
como negar: mercado e câmbio em alta já nos fizeram entrar na "geração
perdida".
Antes da abertura do mercado e do advento da internet era até fácil
dizer que tínhamos o que havia de mais moderno. Faltavam parâmetros.
Hoje não. Quem erra o endereço de um site de fabricante, esquecendo o
"br" no final, corre o risco de descobrir que, fora do Brasil, já há
novas gerações de Volkswagen Golf, Opel (aqui Chevrolet) Astra e
Vectra, Audi A3, Renault Scénic, entre outros modelos.
Há uma explicação que mostra bem o cobertor curto sob o qual estamos
deitados. Se o dólar está baixo, o país deixa de ser tão competitivo
em relação às exportações. Sem exportações, não se atinge um volume
mínimo de produção que justifique um investimento na modernização da
linha. Ou seja, se vamos ou não andar em um carro mais moderno daqui a
pouco mais de um ano depende daquele chinezinho cuja foto vimos ontem
no jornal...
Se o dólar sobe, há toda a pressão inflacionária que todo mundo
conhece – no fim, os preços dos veículos sobem, as fábricas vendem
menos, e a produção cai. Sem falar das outras conseqüências funestas –
férias coletivas, programas de demissão voluntária e até
involuntária...
Ao que tudo indica, porém, a evolução das exportações é motivo para
queima de fogos. No último mês, a Anfavea (associação dos fabricantes)
apurou um aumento de 51,3% se comparado ao mesmo mês do ano passado.
Se comparados os acumulados dos dois anos (janeiro a outubro), o
crescimento foi de 40,7%.
Claro que o marketing dos fabricantes sempre vai espalhar aos
quatro ventos quando lançar por aqui o que há de mais moderno. Há bons
exemplos, como Polo, Stilo, Meriva, C3, Fit, Corolla e Fiesta. Mas de
novo o Brasil é um país de extremos. Quando uma marca resolve importar
determinado modelo, não há dúvidas: será o topo do topo de linha.
Para o país não vem sedã de luxo sem banco de couro ou câmbio
automático. É menos luxo. É pouco. Cria-se o tal abismo. Não sei se
alguém reparou, mas a venda de modelos de 1,0 litro vem aumentando –
desde abril a participação não cai para menos de 60% dos emplacamentos
de novos, sendo que, em setembro, bateu nos 67,7%, recorde do ano.
Comprar carro "mil", sem freios ABS e bolsa inflável ou sem o "kit
comodidade", que é composto por ar-condicionado, vidros e travas
elétricos, não barateia os componentes por produção em escala, não faz
girar o mercado... Em última análise, não compensa à indústria
modernizar seus produtos. Claro que o planejamento é feito a longo
prazo, e as empresas que gastam milhões com pesquisas de estratégia já
sabem muito do que vai acontecer.
Mas a preocupação é mais pontual: o mercado, as vendas, os preços
quando o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) voltar ao
"normal", depois de 30 de novembro. Por enquanto, esta coluna pôde
apurar que as concessionárias estão trabalhando com margens boas.
Pechinchar rende ótimos descontos. Vale perder a vergonha.
Ainda falando em mercado, cabe aqui uma analogia com a peculiar
temporada da Fórmula 1, neste ano competitiva como há muito não se
via.
A um mês e poucos dias do fechamento do ano, a liderança está
indefinida. A Fiat faz o papel de Michael Schumacher – tentará manter
o título dos últimos anos. A GM lembra Juan Pablo Montoya, ou seja,
aposta tudo, com arrojo, na reta final. Já a Volkswagen pode não ter a
frieza de um Kimi Haikkönen; mas, sob o comando de um inglês, Paul
Fleming (na F-1 o time inglês, a McLaren, é comandado por Ron Dennis),
tem tudo para surpreender e conquistar a primeira posição.
Emocionante, não? Faça sua aposta!
Na entrevista da semana, conversamos sobre
combustíveis com Isabele Rocha de Araujo, gerente de suporte de
tecnologia da Texaco. Autogiro revela também os detalhes do
Peugeot 206 Techno na seção Zoom.
Continua
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Quem compra - Números apresentados na convenção do novo
Palio: 89,6% dos automóveis novos são vendidos para 12,7% da
população brasileira, que tem renda familiar mensal superior a
R$ 2.000.
Quem compra, numas - Os outros 10,4% são vendidos para
16,9% das pessoas, cujas famílias ganham de R$ 1.000 a R$ 2.000
por mês.
Quem querem que compre - O público alvo da empresa são os
70,4% em cujas casas entram menos de R$ 1.000 por mês. Os dados
são do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística).
Pequena vocação - De todos os veículos produzidos no
Brasil, 86% são compactos. O país detém 10% da produção mundial
de carros desse porte.
Antes de pagar - A partir de abril os motoristas vão
ganhar o direito à defesa prévia antes do pagamento de uma
multa. Será de 15 dias a partir do recebimento e deverá ser
feita diretamente ao órgão que aplicou.
Ainda bem... - Anúncio de página dupla publicado em
jornal no fim de semana anuncia os modelos Mille e Palio Fire,
da Fiat, com motor 1,0-litro como item de série. Ufa! |
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Visual irado - A
última moda são os toca-CDs cujo visual imita caixas
acústicas, "desprendendo-se" do painel. Assim é o Sony
CDX-M857MP. Só o preço é salgado, R$ R$ 1.480.
Off-topic - Sugestão de compra: o livro A
Ditadura Derrotada,
terceiro volume da série As Ilusões Armadas, sobre os governos
militares, do jornalista Elio Gaspari. Tem 544 páginas e já saiu
pela Companhia das Letras. Custa R$ 49,50.
Nem tão off - Na série de Gaspari é possível
aprender no mínimo que: 1) o início do
ciclo militar teve como palco o Automóvel Clube do Rio; 2) o
advento dos computadores tornou possível escrever esses
livros; 3) um jornalista que leva com afinco a razão de ser da
profissão é capaz de mudar a historiografia contemporânea. |
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