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Entrevista

"Ter lata para amassar
não é garantia de nada"

Antonio Cássio dos Santos

Presidente do Cesvi Brasil (Centro de Experimentação e Segurança Viária)
 

Autogiro – Como o sr. explicaria, ao leitor leigo, o que é o Cesvi?

Antonio Cássio dos Santos – Bem, o Cesvi é um centro de pesquisas na área automotiva que visa, entre suas várias funções, otimizar os custos de reparação nas áreas de pintura e funilaria e minimizar os custos de seguros por intermédio de trabalhos de pesquisa.

É um centro de capacitação e treinamento de oficinas e concessionárias. Nós fazemos diagnósticos para que as concessionárias melhorem a produtividade, por exemplo. Em função desse trabalho há o selo de qualidade Cesvi, dado apenas a oficinas que atingem determinada pontuação. Prestamos um trabalho de consultoria e classificamos, assim como ocorre com hotéis.

AG – É possível consultar as melhores oficinas em termos de reparação?

Santos - Sim, temos isso no nosso site [www.cesvibrasil.com.br]. Um terceiro braço dos trabalhos do Cesvi é o apoio às montadoras. Fazemos os crash tests, em função dos quais definimos o índice de reparabilidade e a cesta básica de peças do veículo [peças mais danificadas em um automóvel].

Com relação ao índice de reparabilidade, o grande subproduto é antecipar às seguradoras os dados e cobrar um preço justo do seguro. Antes, quando se lançava um carro no Brasil, você preconizava com os veículos da mesma categoria. Hoje influenciamos nesse custo.

AG - Quantos testes de colisão vocês realizam todos os meses?

Santos - Depende do desenvolvimento da indústria. Somos uma variável da indústria. Fazemos sempre que há um lançamento.

Neste ano, por exemplo, fizemos 24 crash tests.

AG
– Desculpe a pergunta, mas qual deu a maior "dor no coração"?

Santos – Ah, isso a gente não pode dizer, porque temos acordos de confidencialidade.

AG – Mas estou perguntando que carro o sr. teve mais dó de destruir. Não estou perguntando o desempenho, mas o seu gosto pessoal...

Santos - Na minha posição, não posso ter gosto pessoal.

AG – Aquela história de que um automóvel é mais seguro quanto mais lata tiver para amassar é verdadeira?

Santos - A palavra certa é avaliação da extensão do dano de dois carros na mesma velocidade. Daí é que surge o índice de reparabilidade. Ter lata para amassar não é necessariamente garantia de nada.

AG – A propósito, qual é a sua formação?

Santos - Sou economista com mestrado em estratégia. O Cesvi é o braço tecnológico da federação de seguros.

AG – Às vezes vejo cotação de seguro feita de acordo com o histórico anterior do veículo. Reparei que muito Fiesta novo foi cotado a partir da sinistralidade [dano] do Fiesta antigo. É como se calculássemos o seguro de um Passat novo com base naquele Passatão antigo...

Santos - É exatamente isso que vamos quebrando ao elaborar os índices de reparabilidade. Cada carro precisa ter um índice próprio. As cotações de seguros antes eram feitos por uma média. Na verdade, quando se compara um carro com outro no mesmo padrão, vai encontrar mudanças brutais. É o caso do Gol e do Fox, do Corsa antigo e do Corsa novo. São animais diferentes. O carro mais novo é mais moderno. Ainda que sobre mesma plataforma, a fábrica prezou em colocar mais equipamentos de absorção de impactos. Um absorve mais e o outro, menos. Um estraga mais do que o outro.

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