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Entrevista

"Não existe indústria da multa. A gente tinha de reforçar mais a fiscalização"

Mauricio Régio
Assessor de segurança de trânsito da CET, Companhia de Engenharia de Trânsito de São Paulo


Autogiro – O que passa pela cabeça dos infratores contumazes, esses motoristas que insistem em cometer sempre determinadas infrações?

Mauricio Regio - A gente os apelida também de voadores. Felizmente é um pequeno grupo, mas que provoca estragos bons. A gente procura monitorar o percentual de quem é, até para tirar o falso mito da indústria da multa. Não existe a indústria da multa. A gente tinha de reforçar mais a fiscalização.

Esse famoso contumaz é o cidadão que acaba exagerando um pouco mais. Você sabe que a gente fotografa e multa o veículo. A gente não tem o perfil do infrator contumaz. O único perfil que nós temos é por meio de acidentes fatais. Daí dá para saber que quem mais se envolve em acidentes é um pessoal mais jovem, até pela ousadia.

AG - Mas as pessoas pegas em infrações sempre usam a distração como desculpa...

Regio - Ah, sim, não resta dúvida de que o trânsito de São Paulo é um mix de coisas que você não deve fazer. Mas a gente investiga o que compromete a vida do cidadão, como o sinal vermelho, o excesso de velocidade. A gente enfatiza as infrações de movimento.

AG – Você sabe que sua declaração de que não existe indústria da multa

vai criar polêmica, pois todo mundo em São Paulo tem certeza de que ela existe.

Regio – Mas se você der uma olhadinha, os próprios dados demonstram isso. Temos 5,4 milhões de veículos. Para você ter uma noção, temos um total de 29 milhões de viagens diárias. O automóvel é responsável por 8 milhões de viagens por dia, só na cidade de São Paulo.

Se você for relativizar os dados, verá que não existe a tão propalada indústria da multa. Fizemos uma pesquisa e vimos que 1,05% da frota é responsável por 19,59% das multas de trânsito. Quando você relativiza, representa cerca de 60 mil veículos. Deve ser uma frota média de Guarujá ou Praia Grande. Mas, só em São Paulo, é pouco.

AG – Muita gente diz que levou uma multa em determinado local sem nunca ter passado por ele. São os dublês?

Regio – Sim. Nossa preocupação da transparência da fiscalização eletrônica serve para tirar a subjetividade do guarda, do ser humano. Os aparelhos são periodicamente aferidos pelo Inmetro justamente para não restar dúvidas. De uns tempos pra cá, passamos a colocar a foto do veículo dele para que não fique em dúvida. Se for um clone, terá de tomar todas as providências necessárias para anular a multa.

AG – Quantas multas são aplicadas por dia pela fiscalização eletrônica?

Regio – Incluindo o radar, a lombada eletrônica, o "caetano" e o controle dos que entram na faixa do ônibus, temos 100 mil multas por mês. São 3.330 multas por dia, em média.

Zoom
Avaliamos para esta seção o Ford EcoSport XLT 2,0 16V, uma das maiores sacadas de um fabricante nacional até hoje. Em um mercado ansioso por utilitários esporte, que deixam o motorista mais alto (sensação muito apreciada pelas mulheres) e propenso a superar obstáculos mais difíceis, o modelo é ideal para o dia-a-dia.

Traz motores 1,0 Supercharger de 95 cv, 1,6 de 98 cv e 2,0 de 143 cv. Pode vir equipado com rack no teto (foto). Ao contrário dos concorrentes importados, a tampa traseira abre para o lado esquerdo, o correto em um trânsito com mão à direita como o nosso. Por dentro, há um útil porta-objetos e todos têm luz de cortesia. O estepe, disposto do lado de fora da porta, além de ser prático, proporciona um toque fora-de-estrada a mais. Fica a pergunta: por que ninguém havia pensado nisso antes?

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