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Parecem numerosos, embora em cidades como São Paulo representem menos de 1% da frota total. Só não há mais porque as prefeituras limitam seu número, o que permite supor tratar-se de um negócio muito bom -- se não fosse, não haveria necessidade de impor limites, não? É o táxi, cujo nome originou-se na França a partir de
taximétre, por sua vez formado por taxe (imposto) e
métre (medidor). Hoje é simplesmente táxi, praticamente em qualquer língua e país.
Aqui há quem ainda os chame de "carro de praça", por ser onde ficavam estacionados à espera de passageiros: as praças das cidades, em especial aquelas defronte das estações de trem. Vai tempo nisso.
Quase todo motorista é passageiro de táxi, uns mais, outros menos. Há quem seja indiferente a andar de táxi, outros não. Faço o possível para não pegar um deles. Não que motoristas de táxi sejam pessoas detestáveis (pelo contrário), mas a maior parte deles dirige de modo
diferente, e isso incomoda quem gosta de ver um carro ser bem dirigido. Por exemplo, usam a primeira por um par de metros apenas e logo engatam a segunda. Em compensação, como demoram a passar a quinta marcha! Já notaram isso? Outra coisa: como geralmente se sentam mal ao volante, seguram-no de maneira estranha, passam as marchas de maneira estranha
-- por que será?
Histórias sobre maneira de dirigir e hábitos estranhos dos motoristas de táxi são numerosas. Uma é do tipo 'acredite se quiser'. Um amigo que morava nos altos do Jardim Botânico, bairro no Rio de Janeiro, estava sem carro num certo dia e pegou um táxi para voltar para casa. Isso foi há mais de 40 anos e o veículo era um dos últimos táxis americanos na cidade, Chevrolet 1948 de seis cilindros. Quando começou a subir a íngreme ladeira, o motor emitiu som anormal e o carro não conseguiu ir muito longe na subida, vindo a parar. "Não dá para ir mais, a máquina está com problema", disse o motorista ao meu amigo que, vendo a chuva cair, imaginou o que seria caminhar ladeira acima por cerca de meio quilômetro debaixo d'água.
Num rápido raciocínio, ele disse ao motorista que tinha saído sem dinheiro e que esperava chegar em casa para pagar a corrida. "Ah, é?", exclamou o profissional. Saiu do carro, abriu o capô -- meu amigo foi junto, era maníaco por automóvel
-- e achou rapidamente o "defeito": colocou os cabos de vela de volta nos cilindros 1 e 6. Economizar gasolina era a idéia...
Táxi sempre foi assunto polêmico no Brasil. Para começar, tinham reserva de cor: preta. Só táxi tinha direito de usar cor preta, aliás obrigatória.
E mais: vermelho era exclusivo para o Corpo de Bombeiros, e branco, de ambulância. A especificação só acabou com o Código Nacional de Trânsito de 1966 (anterior ao atual), embora tivesse sido relaxada antes.
Depois foi a vez de "acertar" a predominância do Fusca na paisagem brasileira. Na metade dos anos 60, de cada dois carros produzidos, um era o Volkswagen sedã. Presto, criou-se a figura do táxi mirim, permitindo-se pela primeira vez táxi de duas portas
-- leia-se Fusca -- desde que o banco dianteiro do acompanhante fosse removido. Pela ausência do banco, era obrigatório cinto de segurança para que o passageiro não se estatelasse contra o painel numa freada mais forte.
Um dia, um turista americano estava num desses táxis mirins e foi com tudo contra o painel, com cinto e tudo: o cinto não estava ancorado, suas duas pontas apenas enfiadas entre o assento e o encosto, o bastante para passar na
vistoria... Não demorou muito para o banco dianteiro direito voltasse, oficializando-se a aberração do táxi de duas portas -- primeiro Fusca, depois liberou geral.
No final dos anos 80 o estilista italiano Giorgio Giugiaro esteve no Brasil e ficou impressionado com a quantidade de táxis de duas portas. Sempre perguntava por que aos brasileiros que o recepcionavam, os quais logicamente não tinham resposta.
Mais ou menos no final do anos 70, a prefeitura do Rio decidiu que todos os táxis seriam amarelos, medida que mereceu aplausos. O amarelo é a cor mais visível de todas e táxis devem ser avistados pelos demais motoristas dada sua maior propensão a manobras bruscas no trânsito. Até para o taxista é vantagem, já que fica mais fácil localizá-los em meio à massa de veículos nas grandes cidades. Além da cor, uma faixa quadriculada em azul escuro por todo o perímetro da carroceria foi especificada. Só que o quadriculado durou pouco, dando lugar a uma pavorosa faixa contínua que permanece até hoje. Dá menos trabalho, venceram os taxistas...
Em Porto Alegre a cor oficial é um forte alaranjado, também muito
visível, sobretudo no clima frio do Sul do País. Já na capital
paulista a opção foi pelo branco, logo uma das cores mais práticas
-- por aquecer pouco o veículo sob sol, já que sua reflexão de luz
é elevada -- para se ter num automóvel. Resultado: hoje quase não
se compram carros particulares brancos em São Paulo.
Na questão da tarifa, a coisa complica. No mês de dezembro é mais caro andar de táxi, pois
é adotada a bandeira 2 de período noturno em qualquer horário. A idéia é conceder uma espécie de décimo
terceiro salário ao taxista. Se a moda pega com dentistas e outros profissionais liberais... Outro fator relacionado a tarifa é o tipo de combustível não ser levado em conta na composição do custo de operação. Para um
veículo a gás natural, cujo custo do quilômetro é 70% menor que o do carro a gasolina, é cobrada a mesma tarifa para os consumidores. Não tinha de ser diferenciada?
Há uma coisa, porém, que vou deixar este mundo sem entender. Motorista de táxi, salvo raras exceções, fica uma fera quando a corrida é curta. É justamente nas pequenas corridas que seu lucro cresce, em razão da bandeirada inicial.
Se eu fosse taxista, iria me especializar em corridas curtas. Quanto mais "Ei, táxi!", melhor.
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