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No final de 2003 (que
já foi tarde...), vivi uma experiência não muito agradável com uma
classe que (desculpe generalizar) ganha rios de dinheiro para juntar
um monte de clichês, desenhar um mundo de faz-de-conta e, ainda por
cima, ser coberta de glamour, encanto e mistério: a dos publicitários.
Em regra, eles levam meses para conceber uma idéia que qualquer
jornalista com mais de neurônio e meio tem alguns segundos para
literalmente colocar no papel. E ainda se acham geniais. O mundo,
porém, precisa deles. Como a sociedade precisa dos ídolos, dos
exemplos.
Aliás, você que mora em edifício e nunca entendeu por que o prédio tem
aquele nome inusitado (anglicismo ou galicismo, seja lá o que for),
que só 1% dos moradores conseguem entender o porquê ou pronunciar
direito, acredite: quem inventou a designação do seu edifício foi
provavelmente um publicitário.
Sim, sei porque já trabalhei como redator de agência e costumava girar
um globo para procurar, em algum lugar do mundo, nomes bonitinhos para
lançamentos imobiliários. Lembro até hoje que ia batizar um edifício
como The Finest (o mais refinado), mas o cliente rejeitou o nome,
dizendo que lembrava propaganda de uísque (Ballantine´s).
No mundo do carro, a necessidade de batizar automóveis de geração
superada, que só não saíram de linha porque são mais baratos e ainda
vendem bem, chega a ser hilária. Normalmente posicionados em uma faixa
de preço convidativa, perdem os equipamentos que os encareceriam e
ganham sobrenomes pomposos.
Então, o Gol virou Special (especial), o Mille, Smart (esperto), o
Palio, Young (jovem), o Corsa, Classic (clássico), o Fiesta, Street
(referente a rua, urbano), e assim por diante. A meu ver, há um
razoável paralelo entre essas denominações e, em contraponto, serviços
privados que foram criados para quem pode pagar mais.
Continua |

Sintonia -
Concorrentes no mercado, quem diria, o mote do novo Palio no
Brasil ("Impossível ficar indiferente") é quase igual ao do
Volkswagen New Beetle Cabriolet na França ("Difícil ficar
indiferente"). Ora, esses publicitários...
O ano do... - Se for possível tachar os últimos anos como
o de determinadas configurações de automóveis, não é difícil
afirmar que 2001 foi o ano das minivans; 2002, o dos compactos
premium; e 2003, o dos modelos de aventura (não necessariamente
4x4).
...fora-de-estrada - Pois 2004 deverá ser o ano do 4x4.
Haverá pelo menos meia dúzia nos seis primeiros meses. Desde
modelos mais em conta, como o EcoSport 4x4 em março, passando
pelo utilitário esporte da VW, o Touareg; os novos da BMW, X3 e
X5; um coreano, o inúmeras-vezes-adiado Kia Sorento; e um picape
nacional, o Troller Pantanal. |
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