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Toda vez que o
assunto são números de fabricantes, é impossível não lembrar o
executivo de uma delas. Virou piada no setor que ele (cujo nome não
vou citar, a boa educação não permite) costuma especificar tanto
determinadas características quanto possa, a fim de mostrar que seus
produtos são os melhores, que sua empresa é uma das líderes do
mercado. Constroem-se então frases que chegam perto disso: “Somos líderes entre os
automóveis médios-não-tão-médios-assim, com maçaneta cromada, painel
com conta-giros, na cor verde”.
Fato é que, embora a matemática seja uma ciência exata, o ser humano
está longe de ser objetivo. Quem pode manipula os números a seu
favor. Daí nascem teorias das mais discutíveis: tamanho de modelos,
se são ou não concorrentes, se o que vale é o entreeixos ou não etc.
Vou comentar da forma mais isenta possível o balanço
de 2003 divulgado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes
de Veículos Automotores).
Para começar, vamos ao esperado ranking das marcas. A surpresa – que
não foi tão surpreendente assim, pois se mostrava uma tendência –
foi a troca de posições entre a General Motors (que assumiu a
segunda posição) e a Volkswagen. Somados automóveis de passeio e
comerciais leves, a Fiat permaneceu líder de mercado, com 340.604
unidades licenciadas. A GM emplacou 333.420 automóveis, e a
Volkswagen, 282.774. Depois vem a Ford (150.976), que reagiu bem e
tirou a Renault (58.021) dos calcanhares.
A produção de veículos foi ligeiramente maior em 2003 – foram
fabricados 1,83 milhão de automóveis, 2% a mais do que em 2002, que
havia fechado com 1,79 milhão. Três vivas às exportações, que
saltaram 37,7% – de US$ 4 bilhões para US$ 5,5 bilhões. Os jornais
não se cansaram de exibir fotos de automóveis brasileiros sendo
embarcados em navios. Que continue assim em 2004, mas que os
importados possam fazer o caminho inverso, vindo enriquecer a oferta
e acirrar a concorrência.
O licenciamento total, adotado há coisa de um ano para aferir
resultados (antes eram levadas em conta as vendas no atacado, ou
seja, das fábricas para as concessionárias), caiu um pouco, 3,4%,
passando de 1,48 para 1,43 milhão de unidades. Mas aí houve golpe
baixo. Nos bastidores, uma acusou a outra de estar licenciando
carros ainda não vendidos, nos pátios das concessionárias, para engrossar as estatísticas.
Lembra até as acusações, já citadas aqui, de produtores que estariam
escondendo o boi no pasto para o encarecer durante um velho plano
econômico. Continua |

Bomba, bomba, bomba 1 -
Os motoristas alemães se sentem mais felizes ao volante de
carros japoneses. A conclusão é de uma pesquisa da Adac
(Associação de Condutores Alemã) e do CAR (Centro de Pesquisa
Automóvel). A Toyota ficou em primeiro lugar.
Bomba, bomba, bomba 2 - Entre as alemãs, só a Porsche
(oitava) ficou entre as dez primeiras. VW ficou em 31º. lugar, e
Mercedes, em 32º. A pesquisa ouviu 38 mil proprietários sobre o
grau de satisfação com seu carro e com o serviço prestado pela
fabricante.
Que aumento? - Pelo visto, concessionárias estavam
trabalhando com boa margem até o final do ano passado. Alguns
modelos de marcas que anunciaram aumento de até 5% neste início
de janeiro simplesmente não tiveram o valor reajustado, mesmo
"depois do aumento". Estranho, muito estranho... |
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