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Entrevista
"Essa onda retrô
chegou até meio atrasada"
Anisio Campos,
projetista de automóveis
Autogiro – Qual é a sua opinião a
respeito dos carros modernos de hoje em dia?
Anisio Campos – Para chegarmos ao desenho de hoje, há uma
história longa para contar. O desenho de hoje é o da revolução da
velocidade. Quem criou mais rápido, botou no papel mais rápido e
produziu mais rápido está na frente. Não dá para pensar duas vezes. Se
a Fiat ou outra marca qualquer estiver criando um carro, passando para
o papel e colocando no mercado mais rápido, vai ser líder de mercado
para o resto da vida.
AG – Existe algum desenho que torne sua
execução difícil?
Campos – Primeiro, não existe mais desenho difícil de realizar.
Tudo é realizável. Mas depende do grupo que vai resolver... O designer
é um artista. Eu sou um artista. Estou criando. Então a minha idéia
veio em um sonho, coloquei no papel e passei para a empresa. Como ela
vai digerir essa idéia que eu fiz, mesmo que virtual, é um problema da
empresa. Ela é que vai decidir o futuro dessa criação.
AG – Para quem não o conhece, quais você
diria que são suas principais obras?
Campos – Eu comecei a desenhar há muito tempo, realizei
projetos na década de 60, alguns como o Puma DKW, fiz o GT4R, que foi
uma audácia da Editora Abril, que mandou fazer três carros especiais
para ela jogar no mercado, favorecendo o leitor de Quatro Rodas.
Era uma coisa fantástica para a época.
Fiz alguma coisa para a Dacon, fiz o primeiro bugue brasileiro, fiz na
década de 80 o miniveículo 828, chamado de Minidacon, reconhecido como
carro urbano, fiz alguma coisa para a SR, do Eduardo Souza Ramos...
Depois houve muitos carros de competição,
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porque o que eu mais tinha vontade de realizar
eram resultados em competições. Criei a primeira equipe particular
profissional, a Hollywood, fiz um protótipo nacional com o motor do
Maverick, em que mostrei que engenharia é uma coisa muito matemática.
Ganhamos todos os campeonatos e superamos todos os recordes que
estavam assinalados com a marca Porsche. Não é uma história, é uma
realidade. Isso tudo culminando com outras coisas que venho fazendo
com o automóvel como tema. Não só o de competição, mas o de mercado.
AG – Na sua opinião falta criatividade,
com toda essa onda retrô nos automóveis?
Campos – Eu a acho até meio atrasada. Sou um homem que, em 6 de
março, faz 70 anos. A minha formação de designer, não de escola,
porque não havia escola na época, tinha desenhos fifty [50], ou
seja, pós-guerra.
AG – Qual é o automóvel de desenho mais
bonito atualmente?
Campos – É o meu [risos]. É o óbvio. Ele existe... Tem um carro
que eu gosto muito, que é o buguezinho Kadron. Outro é o 828, que a
gente chama de Minidacon. Sensibiliza toda a criatura. Pode ser um
homem de negócios, um banqueiro, um operário. Todo mundo adora esse
carrinho.
AG – E qual é o mais feio?
Campos – Agora você me pegou [gargalhada]... |