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O que é ser cafona? No caso dos homens, talvez seja usar aquele monte
de pulseiras e medalhão com camisa aberta. No das mulheres, blusa de
oncinha combinando com capinha de celular e sapato. Mas será que a
velha mania da placa personalizada também é uma cafonice?
Tudo começou com um ex-diretor do Detran (Departamento Estadual de
Trânsito), há uns dez anos, quando aquelas placas amarelas foram
substituídas pelas atuais, cinzas, de três letras. Era Ciro Vidal,
cujo nome completo incluía o Soares. A combinação de letras da placa
de seu carro era CVS. À época, este colunista escrevia sobre
vestibular e foi entrevistar uma estudante. A placa de seu automóvel
começava com BIA, de Beatriz.
A placa da Harley-Davidson que foi de Jô Soares tinha a combinação FAT
(fat, em inglês, é gordo), em alusão à silhueta do humorista e
ao modelo da moto, Fat Boy.
Nos comerciais, é batata: Scénic vira SCE, os modelos da Ford
(lançados sob uma campanha que procurava exprimir espanto de ver
carros tão bons) tinham o famoso UAU na placa. Até o recém-estreado
filme de Jorge Fernando, Sexo, Amor e Traição, passa o recado:
o Polo do personagem de Marcello Anthony, que interpreta um gay na
história, tem a placa SAT 0024 — o SAT se refere ao nome do filme, e
24, para quem não joga no bicho, é o número do veado.
Pois é. Muitos dos novos-ricos, sejam cantores de música popular ou
jogadores de futebol, costumam comprar, antes de uma casa, um carrão
importado. E é possível reconhecer muito carro de gente famosa —
novo-rico ou não — pela placa.
O humorista Tom Cavalcante tem mania de pedir a combinação FUI... O
Porsche que Washington Olivetto já vendeu começava com WBR, alusivo à
agência W/Brasil. Eram 3h30 de uma madrugada quando passei em frente a
um famoso restaurante do centro de São Paulo. Reconheci pelas placas o
carro do cantor Zezé Di Camargo, que colocava (isso já faz seis anos)
as iniciais dos nomes dos filhos em seus veículos. Estacionei e fui
entrar no restaurante. “Já fechou”, disse um porteiro (sim, fechara
havia meia hora). “O Zezé está aí?”, perguntei. “Sim”, respondeu, me
deixando entrar. Digamos que reconhecer seu automóvel pela placa tenha
matado minha fome àquela noite.
 Placas indicam muitas vezes a idade do carro, já que as letras tendem
a avançar no alfabeto à medida em que combinações antigas se esgotam.
Mas há de se observar os limites de cada região ou Estado. No Paraná,
as placas dos carros começavam com “A”, hoje estão na letra “B”. Minas
começou com "G", está na “H”; Bahia, na “J”. E assim por diante. São
Paulo ficou com uma ampla gama que começou no "B" e vai até certa
combinação iniciada por "G".
Por questões de segurança, as celebridades estão deixando de lado essa
idéia de personalizar a placa. A mania migrou para os donos da maioria
dos modelos lançados no ano passado — EcoSport virou ECO, por exemplo.
A moda contaminou até automóveis de frotas de fabricantes. Fox virou
FOX e Fit virou FIT. Há tempos alguns donos de Audi colocaram AUD, se
possível seguido de um "1" para parecer "I".
E quem não se lembra que o chique dez anos atrás era ter um BMW com a
placa BMW? Até hoje os carros da frota da marca usam combinações com "MW",
como FMW. Ou os dois carros do casal ostentarem as combinações ELE e
ELA?
Até o poder público incorporou a mania. Adivinhe qual é a combinação
do Departamento de Operações do Sistema Viário de São Paulo? Sim, DSV!
Pena que não se possa ter uma combinação de letras pertencente a outro
estado, como certamente descobriram donos de Gol GTI em seus tempos
áureos. As letras GTI estavam restritas a Minas Gerais.
Isso tudo pode soar um tanto cafona, mas é rentável: cobra-se de R$ 50
a R$ 180 (quando não mais) para personalizar as placas. Mas e daí? Até
segunda ordem, essa mania não faz mal a ninguém.
O entrevistado da semana também entra no mérito de o que é cafona ou
não. Autogiro conversou com o renomado projetista Anisio
Campos, responsável pela criação de projetos originais, sobretudo nas
décadas de 60 a 80. Anisio desenhou, entre outros, o
Puma GT com mecânica DKW, o Puma
GT4R, o
minicarro Dacon 828 e o esportivo PAG-Dacon, inspirado no Porsche 928. Continua
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Novo projetista -
Murat Günak substitui Hartmut Warkuss no cargo de chefe mundial
de desenho do Grupo Volkswagen. Graduado pela Academia de Artes
de Kassel, na Alemanha, Günak, de 36 anos, fez mestrado na Royal
College of Arts, em Londres, Inglaterra. Trabalhou na Peugeot em
1994 e ingressou no grupo DaimlerChrysler em 1998, onde foi
responsável pelo desenho das linhas Maybach e SLR.
Tô aí, sim - Depois de suportar muitas piadinhas, a
Chevrolet (cujo mote é "Conte comigo") manteve a música "Tô nem
aí" em sua propaganda. Mas substituiu a expressão que dá título
à canção por solos de guitarra, mantendo apenas o trecho
segundo o qual "meu lugar é aqui".
Sobe o giro... - Será nesta quinta, dia 22, o primeiro
treino classificatório (das 14h às 14h40) para a 32ª. Mil Milhas
de Interlagos, que acontece domingo, dia 25, como parte das
festividades dos 450 anos de São Paulo.
Perua, não - Especula-se que um lançamento da Peugeot, na
primeira quinzena de fevereiro, cheio de mistério, poderia ser
da perua 206 SW. Esta coluna adianta: quem pensa assim está
frio. |
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Quer pagar quanto? -
Agora a Siemens VDO está lançando o toca-fitas CR 231, que
substitui o CR 441x. Seu maior atrativo é o preço, R$ 350, 30%
mais barato que o anterior. Adota a tecnologia RDS (Radio Data
System), que permite que alguns dados de rádios FM, como
notícias e nome da estação, sejam mostrados.
Curso - A AEA (Associação Brasileira de Engenharia
Automotiva) está realizando cursos de qualificação de
mão-de-obra para a indústria automobilística. As aulas não são
restritas, e os preços ainda serão definidos. Informações: (11)
5575-9043. |
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