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Pois a análise da situação toda é muito mais complexa. O Salão de
Genebra que visito na maratona de hoje (leia nota na seção Roda e
Avisa), cinco anos depois que o regime cambial do Brasil acabava
de mudar do sistema de bandas (coisa de R$ 1,20 para US$ 1) para o
flutuante (ou seja, à época bateu os R$ 2,20), traz nesse aspecto um
gostinho de déjà vu: marcas começando a ir embora (pois o
negócio da importação não é competitivo), o ambiente propício para a
exportação, mas outras tantas gerações perdidas (o que inclui itens de
segurança e conforto) à vista. O pior é que o euro está ainda mais
caro que o dólar.
Mas a análise não se
deve restringir ao campo econômico. Afinal, o mercado francês amarga
uma queda de 6,3% nas vendas em 2003, em relação ao anterior, quando
atingiu a marca mágica (para nós, brasileiros) de 2.006.246 veículos
emplacados. O atraso brasileiro tem a ver com anos de mercado fechado,
com uma economia (de sucessivos planos econômicos) na montanha russa
e, por que não dizer, com os Waldomiros Diniz da vida que aparecem de
tempos em tempos, mostrando que o Brasil não é assim um país tão
estável quanto quisermos fazer parecer de dez anos para cá? Pelo que
ouço de executivos estrangeiros, a mudança das regras no meio do jogo
é um dos pontos que mais incomodam as empresas.
O atraso está relacionado a fatos como o de no Brasil os motoristas
pararem sobre a faixa, impedindo a passagem das pessoas, enquanto
aqui, em Paris, mesmo quando o sinal está fechado para o pedestre,
basta que ele pise sobre a faixa para que o automóvel pare. E não é
difícil notar: os que desobedecem às leis de trânsito ou os que
provocam acidentes são em geral veículos velhos, dirigidos por pessoas
visivelmente despreparadas para estar ao volante.
Tudo isso mantém ligações com um nível de conscientização maior, que
passa por perguntas piegas de muitos leitores no Brasil: “Ora, a vida
humana tem preço?” Tem, sim. Mais direito à vida tem quem pode pagar
por equipamentos de segurança caros, que evitam ou minimizam as
conseqüências de um acidente. E temos menos direito a vida nós que
dependemos de um sistema de saúde falido, agravado pela falta de noção
de pessoas que se expõem a situações de risco, sem pensar que tal
atitude sobrecarrega todo o sistema. Tem menos direito a vida quem se
submete a uma carga tributária altíssima sem saber para onde esse
dinheiro vai.
O dilema do ovo ou da galinha vira algo de fácil solução: um país tem
automóveis tão mais modernos quanto mais desenvolvido ele for. Não
deixa de ser um indicador. O resto é exceção – cuja função é
simplesmente confirmar a regra.
Não posso deixar de citar (com certo atraso, pois não tivemos coluna
na terça-feira de Carnaval) que, no final de fevereiro, perdemos de
forma absolutamente estúpida um promissor profissional do jornalismo
automotivo, o repórter Fábio Rybka (da revista Motociclismo),
em um acidente de moto em São Paulo.
Em fins de 2003, trabalhei durante um mês inteiro bem próximo a ele,
produzindo o Carro Catálogo 2004. Daquele trabalho, a lembrança
que fica é da sua animação. Como foram quase 200 páginas de exaustivo
fechamento, a certa altura ele mandou mais uma batelada de textos
traduzidos do alemão, acrescentando a frase: “E vamo que vamo!”. Resta
fazer o que ele disse.
A entrevista desta semana é com o novo presidente da AEA (Associação
Brasileira de Engenharia Automotiva), Geraldo Rangel, que conta um
pouco mais sobre o papel da entidade para o setor.
Continua
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No Caribe - A Ford
brasileira embarcou pouco antes do Carnaval o primeiro lote de
veículos para países da América Central e Caribe. São 95
unidades do novo Fiesta.
Na América Latina - A Porsche acaba de anunciar a ampliação
de sua gama na região, com a versão V6 do Cayenne (antes só
disponível nas versões S e Turbo, com motor V8). A expectativa
da marca é superar as 1.000 unidades vendidas no período de 12
meses dentro de um ano.
Bosch, 50 - O meio século da empresa no país em 2004
inclui um investimento de R$ 160 milhões, sobretudo na ampliação
da manufatura com foco na exportação, desenvolvendo a rede de
serviços e de fornecedores. |
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Shopping |
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Como o S3 - Quem tem
um Audi A3, ou mesmo outro modelo dessa ou de outra marca, e
gostaria de ver nele as rodas do S3 importado pode instalar as
da Binno, modelo S4600, que imita o desenho Avus do esportivo
alemão. Disponível em versões de 15, 16 e 17 pol, para quatro ou
cinco parafusos, a versão de 16 pol custa em média R$ 300
(cada).
Vamos às trilhas - O livro Técnica 4x4 - Guia de
Condução Fora da Estrada, de João R. de Camargo Gaiotto,
traz 256 páginas com dicas e técnicas para quem quer se
aventurar longe do asfalto. Custa R$ 31. |
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