|
Cinco anos atrás,
estava eu nestes mesmos corredores do Palexpo, em Genebra (Suíça),
onde acontece o salão do automóvel. De repente, cansado da burocrática
cobertura das coletivas de lançamento, resolvi descer ao
estacionamento – e produzir o que em jornalismo chamamos de “sub”, um
dos textos que devem servir de apoio ao principal, sobre os carrões no
subsolo do centro de exposições que “mereceriam” estar também sob os
holofotes.
Publicado o texto no jornal onde eu trabalhava, um leitor tratou de
escrever. Meio sem entender a ironia contida naquele argumento do que
seria "merecer" estar exposto (era um olhar brasileiro sobre o mercado
europeu), tachou-me de “caipira” no sentido mais pejorativo possível
do termo. Algo na linha: "Ora, é claro que na Europa você vai se
cansar de ver nas ruas modelos como Ferrari, Porsche, Jaguar e
Lamborghini, desfilando o tempo todo e até parados no estacionamento".
Mais ou menos. A despeito de a cultura automobilística brasileira se
aproximar mais do modelo europeu e de o euro estar caríssimo (próximo
a R$ 4), esses superesportivos que citei são “carrões” ainda que aqui
na Europa.
E o consumidor tem muito mais possibilidades de escolha, além de
estarem à sua disposição os mais recentes lançamentos. Vamos a alguns
exemplos. Já se vêem muitos novos Audi A3 pelas ruas da França.
Enquanto isso, a Audi do Brasil faz as contas sobre se vale a pena ou
não permanecer a produção do modelo antigo em São José dos Pinhais, PR. E quem quiser pode comprar aqui um modelo menor, o A2, com
carroceria toda em alumínio, que esteve exposto no Salão de São Paulo
em 2000.
E quem prefere Citroën? Pode escolher do pequeníssimo C2 à van C8, a
ler lançada no Brasil, para poucos, em meados de março. Na França seu
preço de entrada é 27 mil euros. Sem falar dos Smarts, dos Minis, de
toda a nova linha da Renault (Mégane, Scénic, Espace...). Da Ford
C-Max, minivan derivada do Focus (mas com nova plataforma), pela qual
já cruzei inúmeras vezes. Ou do Peugeot 307 CC, o cupê-conversível
médio da marca francesa, que chega ao Brasil no segundo semestre.
Roda por aqui já há dois anos um novo Opel Vectra, que antes soava um
modelo incomensurável, mas agora dá a sensação de não ser aquilo tudo.
O mesmo se pode sentir pela quinta geração do Golf, que é linda pelas
fotos, mas ao vivo mais parece a quarta geração requentada.
A 206 SW, perua derivada do compacto da Peugeot que será vendida no
Brasil a partir de novembro, é tema de um belo anúncio pelas ruas de
Paris: no varal de um laboratório, uma das fotos recém-reveladas em
papel, secando, mostra a dianteira do modelo; a seu lado, a outra
completa o carro, retratando a ousada traseira. O texto diz: “Mais do
que um 206 em um 206” (lembra a propaganda de um cursinho do Brasil,
aliás). Aqui modelos como a nova Scénic, a Xsara Picasso e várias
séries de Mercedes-Benz são táxi. Dá vontade de dizer: “Moço, no meu
país o sonho de muita gente é comprar um carrão desses”.
Continua |

Maratona - Há algum
tempo um jornalista do setor automobilístico brasileiro criticou
as seguidas entrevistas coletivas do Salão de São Paulo, que
acontece neste ano em outubro. Pois veja a agenda desta terça,
dia 2, no Salão de Genebra: 36 conferências de imprensa, das 8h
às 16h45, uma a cada 15 minutos, sem pausa. A primeira é a da
Citroën, e a última, do projetista Giorgetto Giugiaro.
Novo 207 1 - Informações recém-publicadas na imprensa
especializada da Europa dão conta de que o sucessor do Peugeot
206 (que deve ser mostrado no final de 2005, com início das
vendas em 2006) deverá ter, nas portas traseiras, o mesmo
sistema de maçaneta oculta que equipa a versão perua SW, a ser
lançada no Brasil em novembro.
Novo 207 2 - O novo Peugeot deverá ser menos compacto do
que o atual, atingindo 4,03 metros de comprimento. Sua frente
terá grade ampla, inspirada no 407.
Espetada - O subtítulo de uma revista especializada que
avaliou o novo Ferrari 612
Scaglietti diz que versões de quatro lugares de esportivos
da marca italiana "são tão raras quanto as vitórias de Rubens
Barrichello". |
|