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Entrevista

"No Brasil, os bandidos estão usando armas cada vez mais poderosas"

Ronald W. Phillips

Especialista em inspeção de blindagem e membro da AMBA (Asociación Mexicana de Blindadores de Automotores)


Autogiro - O que é inspeção não-invasiva de blindagem e no que ela consiste?

Ronald W. Phillips - A Inspeção Não-Destrutiva (NDT) é um processo pelo qual um material pode ser testado sem criar os danos ao próprio material. Vem basicamente da indústria da aviação. Os tipos diferentes de testes incluem a dureza, a força de tensão, a integridade e a cobertura materiais. Em carros blindados usados, é especialmente importante fazer NDT, porque muitos sistemas da blindagem não são confiáveis em termos da cobertura ou da resistência aos impactos balísticos. Alguns dos instrumentos usados em NDT incluem boroscópios de fibra ótica, verificadores ultrassônicos da espessura, verificadores da dureza de Rockwell C, espectrômetros, e outros.

AG - Um país como o Brasil tem quantas gerações de blindados?

Phillips - Partindo-se do pressuposto de que no Brasil veículos começaram a ser blindados no início da década de 90 e vêm sendo trocados em média a cada três anos, é possível dizer que existem cinco gerações de blindados.

AG - Até que ponto é seguro comprar um blindado usado?

Phillips - Um carro blindado usado pode ser seguro se for inspecionado. Isto assegurará o cliente de que a blindagem bem está bem instalada e oferece o nível da proteção que o vendedor alega. Também é interessante verificar a fatura original e todos os certificados dos laboratórios internacionais tais como H.P. White Laboratories, Inc. nos Estados Unidos.

Um ponto que necessita ser mencionado é que o vidro blindado não tem nenhuma data de expiração. Também o vidro que é rachado ou delaminado não é necessariamente defeituoso no sentido balístico. Depende do tipo de rachadura ou de delaminação.

AG
- O sr. já ouviu falar sobre a grande preocupação brasileira com a segurança a bordo dos veículos?

Phillips - Eu tenho ouvido muitos comentários a respeito da falta da segurança no Brasil e da resultante falta de segurança que muitos brasileiros têm ao dirigir seus carros. Este fenômeno existe em todas as cidades grandes de América Latina. Obviamente, isto abastece a indústria de carros blindados no Brasil, que é uma das mais ativas no mundo.

AG - Quais são as peculiaridades de cada país onde o sr. trabalhou, em termos de segurança e de necessidade de blindagem?

Phillips - Em termos de carros blindados, os países principais onde eu trabalhei incluem Colômbia, Peru, Equador, Chile, Venezuela, Panamá, e México. Eu passei algum tempo em outras áreas, incluindo Kuwait, Arábia Saudita, Malásia e as Filipinas. Na África fiz algum trabalho na Nigéria e na África do Sul. O país com o nível mais elevado de perigo e a necessidade maior para veículos blindados continua sendo a Colômbia.

O que está acontecendo na Colômbia está acontecendo também no México e em outros países, e eu suspeito que está acontecendo no Brasil. Ou seja, a ameaça está crescendo. Em vez da ameaça principal ser de pistolas e revólveres usados em assaltos, mais e mais a ameaça está se tornando de seqüestro. Agora o nível da blindagem está chegando até rifles de assalto tais como AR-15 e AK47. A Colômbia fabrica provavelmente tantos carros blindados contra rifles de assalto como contra pistolas e revólveres. No México os rifles de assalto representam aproximadamente 30% dos veículos blindados e os outros 70% as pistolas e os revólveres. No Brasil, 99% da proteção vendida é contra armas de mão. Mas essa situação pode mudar.

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