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Esta foi a última
semana do quase um mês que passei na Europa, me dividindo entre França
e Suíça – neste último país, fui cobrir o
Salão de Genebra. Juro que tentei o
tempo todo entender a determinação do Contran (Conselho Nacional de
Trânsito) de no início do ano proibir, além de DVD e outros apetrechos
que tiram a atenção do motorista, o GPS (sigla em inglês para sistema
de posicionamento global).
Ficou clara a incômoda sensação de que foram pessoas que não sabem do
que se trata. Fez-me lembrar o Brasil da época da ditadura, quando, na
dúvida, o negócio era proibir.
Saio pelas ruas de Paris e vejo outdoors anunciando sistemas de
navegação para veículos usados por algo como 450 euros (pouco menos de
R$ 1.800, o que não é barato para nós, mas é bem razoável para eles).
Abro uma revista e vejo um anúncio de uma série especial do Peugeot
307. Não, não é a série Palhaço Arrelia, Fun ou São Nunca. A série se
chama Navtech e propõe mais segurança a bordo, com tela de navegação
em cores, telefone que deixa as mãos livres (com sistema viva-voz e
SMS) e outras bossas.
Os mais de 1.200 quilômetros que percorri, ida e volta de Genebra,
dormindo em Dijon (capital dos duques da Borgonha, terra da mostarda e
do licor de cassis), foram “guiados” pelo GPS instalado no Renault
Laguna V6. A engenhoca fornece o caminho mais curto para o endereço
que eu escolher, encontra aeroportos, hotéis, pontos de referência e
ainda informa se há tráfego intenso ou congestionado pelo caminho.
Em várias ocasiões, o dispositivo me impediu de fazer barbeiragens.
Mesmo pouco familiarizado com a sinalização na Europa, eu sempre
acionava a luz indicadora de direção com a antecedência necessária,
mantinha o automóvel na faixa de rolamento mais apropriada antes de
uma conversão e até era informado por meio de mapas sobre atrações
turísticas nas imediações da estrada (sim, em um determinado trecho, a
rodovia acompanha o imperdível canal da Borgonha, de onde vêm alguns
dos melhores vinhos da França).
Mas nem tudo são flores. Penei nos primeiros cinco minutos, tempo que
a gente leva para se adaptar à novidade (basicamente, aprender a
programá-la). Passado esse prazo, dificilmente o GPS me faria causar
algum acidente. Em Genebra, também houve problemas. Ao que parecia, o
dispositivo do Laguna estava programado para todas as ruas e pontos da
França, mas, na Suíça, não havia a rua do hotel em que fiquei nem a do
aeroporto (e não eram pontos tão periféricos, muito pelo contrário).
Do programa constavam as maiores cidades da Europa, inclusive outros
países que não os citados.
Mas o equipamento permite, com louvor e distinção, planejar a viagem.
Saí de Dijon, e o visor marcava o tempo exato que demoraria para estar
no bairro parisiense de Montparnasse, onde me hospedei. Tratei de
testar, colocando meu relógio de pulso para despertar no horário
indicado. Mesmo com trânsito na entrada da cidade, o alarme soou no
exato instante em que eu, à chegada ao endereço assinalado, encontrei
meio por milagre vaga na rua em frente ao prédio em que estava. Uau!
“Quem foi o idiota que proibiu essa maravilha no Brasil?”, pensei.
Continua |

Idea e desenho -
Este colunista teve a oportunidade de fazer um rápido
test-drive em dois modelos que serão fabricados no Brasil: a
minivan Fiat Idea (cujo maior ponto positivo é a alavanca de
câmbio no painel, liberando espaço entre os bancos) e a perua
Peugeot 206 SW (em que o desenho traseiro é, a meu ver,
campeão).
Um trabalho... - A velha discussão também existe aqui, na
França: afinal, os radares são "rentáveis"? Pois é, no Brasil,
já entrevistamos um dos responsáveis pela CET (Companhia de
Engenharia de Tráfego),
Mauricio Regio, para quem não existe a indústria da multa.
...para o Sebrae - Seu argumento é baseado em números
segundo os quais há muito mais infrações do que multados de
fato. Os dados levam este colunista a concluir que realmente não
existe uma indústria da multa. O que há, portanto, é uma micro
ou pequena empresa.
Questão cultural - Anúncio da Renault aqui na Europa:
"Como ter um comercial Renault? Primeiro passo: não compre.
Utilize-o por 199 euros por mês". Ou seja, deixa claro que o
automóvel não é um bem de consumo e sim um serviço pelo qual se
paga mensalmente. Será que pegava no Brasil, onde as pessoas
adoram dizer "olha o MEU carro"?
Tom e Jerry - Mas o melhor anúncio nesta temporada é do
Peugeot 607. Está na TV e em revistas. Mostra o sedã como um
gato à espreita, por ruas desertas. Sob viadutos, um carrinho
branco (o rato) treme (aliás, o rato lembra o
Fiat Trepiùno). Na versão
impressa o carrinho branco aparece em um daqueles buracos de
rato na parede. O texto do anúncio é apenas: "Felino". |
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