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Entrevista
"Visitei o Brasil várias vezes. O país continuará como um grande
mercado"
Claude F. Sage,
presidente do Salão de Genebra (Suíça)
Autogiro - Na sua opinião, o foco do
mercado mudou, de países como o Brasil para outros, como a China?
Claude F. Sage - Em razão de sua população e de mudanças muito
importantes nos padrões de vida, a China é atualmente o mais
importante mercado automobilístico do mundo. As facilidades de
produção também estão crescendo na China. Então é um país que em breve
deverá passar a exportar para a Europa, sobretudo em razão de os
custos de produção serem um tanto baixos. O Brasil, entretanto,
continuará como um importante mercado e também como um grande
fabricante para os países da América do Sul.
AG - Qual é a importância de eventos como
o Salão de Genebra, em "território neutro"?
Sage - Como a Suíça é localizada bem no centro da Europa, não
tem fabricantes de automóveis, é pequena, mas tem um mercado bem
acurado e competitivo, a competição entre as marcas é completamente
aberta. O Geneva International Motor Show segue regras estritas em que
todos os exibidores têm oportunidades equânimes. É uma exposição anual
no início do ano, enquanto Paris e Frankfurt são organizadas apenas a
cada dois anos, no outono. Essa é a razão pela qual Genebra atrai
tantos representantes da imprensa internacional, mais de 5.700 pessoas
de 70 países.
AG - Que carro, para o sr., é o mais
bonito? E o menos bonito, quando se fala em Europa, no Salão de
Genebra?
Sage - Como presidente da exposição, eu tenho de me manter
neutro, mas, como eu corria quando era jovem, eu gosto muitíssimo de
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carros esportivos e fiquei muito impressionado com
o Ferrari 575 M, o Porsche GT, os modelos esportivos da Maserati e com
alguns outros carros desse tipo. E não entendi exatamente o mérito do
conceito da Volvo [o YCC, Your Concept Car], criado por mulheres, pois
tenho a impressão de que esse carro não é tão diferente do que os
projetados por homens.
AG - Como o sr. vê o terrorismo mundial,
que agora ataca a Europa, e os seus efeitos no mercados
automobilísticos?
Sage - Lamento muito que ocorram atentados terroristas, que
mostram que algumas pessoas não têm a paz em mente. O terrorismo
afetou muito o mercado, no que diz respeito a empregos, à confiança
das pessoas e às conseqüências negativas no consumo em geral. Sem
falar no mercado de automóveis em particular.
AG - O sr. conhece algo sobre o Brasil e
nosso mercado? O sr. sabia que há mais de dez marcas produzindo
automóveis no país?
Sage - Sim, com certeza. Visitei o Brasil várias vezes, a
última em novembro de 2003. Sei que muitos fabricantes têm se
estabelecido eu seu país. Trabalhei para a Honda durante 30 anos e a
Honda é muito interessada no mercado brasileiro, além da Fórmula 1.
Sou muito feliz por ter tido a oportunidade de encontrar muitas vezes
Ayrton Senna. Portanto eu posso dizer que tenho um relacionamento bem
próximo com o Brasil. |