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Assis não dirige táxi
há muito tempo – só uns oito anos de seus quase 70. É mineiro, mas
mora em São Paulo. “Vivo aqui só desde 1954”, ironiza. Foi ele quem
pegou a mim e mais dois jornalistas domingo, no aeroporto de
Congonhas, depois de uma viagem que tinha tudo para ser curta, mas, em
razão de uma série de contratempos (que incluiu perder o vôo vindo de
Curitiba), não foi.
Um jornalista ficaria em Interlagos. O outro, no Morumbi. A corrida
terminaria comigo, na zona oeste. Os dois bairros da zona sul não são
tão distantes. E Assis até que começou animado. Acelerava, fazia as
curvas com certa desenvoltura, apesar de reunir todos os defeitos de
certos taxistas descritos certa vez neste site pelo colega Bob Sharp (leia
coluna).
De repente, como que interessado em nossa conversa (carros, pra
variar), começou a andar a coisa de 20 km/h! Lembrei na hora de que
andar devagar demais (menos da metade da velocidade máxima permitida)
também é considerado infração. Tudo bem, era domingo.
Depois que o segundo jornalista desembarcou (por que desembarcar, se
era do carro, não?), resolvi aproveitar o ritmo de jabuti do nosso
amigo para puxar conversa. E quem não tem histórias interessantes de
taxistas para contar? Dizem que esses motoristas são espécies de
“psicólogos urbanos”, que um de seus ofícios é ouvir, ouvir e ouvir.
Só que na hora achei que poderia render Autogiro. Resolvi então
inverter os papéis. E perguntar.
Começo de cara disparando, assim que o segundo jornalista desceu: “O
seu carro está com algum problema?” Resposta: “Não, por quê?” Explico,
o mais educado que consigo ser sete horas depois de ter saído do ponto
de partida em uma viagem que não deveria ter durado mais do que uma
hora e meia: “É que às vezes dá a impressão de que o senhor anda
devagar demais, mesmo quando não há outro carro à frente ou quando a
sinalização permite velocidade maior. Até pensei que era algum
problema com o gás [o carro dele era movido a GNV, gás natural
veicular]”. “Problema nenhum”, retruca. “A gente anda rápido quando
dá. Tudo o que eu peço no acelerador ele responde bem.”
O taxista Assis tenta explicar que não perde nada em potência com o
gás. Tento corrigir (cacoete de "especialista"), digo que o desempenho
cai entre 10% e 15%. Inútil. “Diferença nenhuma”, insiste. Mais tarde
ele diria o porquê do trauma: “Já tive de pagar multa de mais de R$
500 por excesso de velocidade. Você nunca foi multado por excesso de
velocidade?” Respondo que não e mudo de assunto.
Afinal, será que é boa a vida de taxista? Hoje em uma cooperativa, já
teria ele trabalhado por conta própria? “Sim. Eu levava e buscava na
escola, todos os dias, a filha de uma cliente.” Depois de um certo
tempo, deixou o serviço. “Larguei mesmo. Só eu sei o que fazia para
cumprir o horário.” Diz que era comum ser levado para bem longe por
uma corrida e ter de voltar “como um louco” para buscar a criança no
horário certo. Continua |

Cada uma 1 - A
imaginação dos marqueteiros para vender carro não tem limites.
Uma das estratégias da Volkswagen, que lança o Fox de cinco
portas esta semana, é afirmar: como no mercado predominam os
quatro-portas, pode-se dizer que o modelo está sendo lançado de
verdade agora. Antes não valeu?
Cada uma 2 - A Fiat está aos poucos tirando o quebra-mato
de seus modelos Adventure: primeiro foi o Doblò, agora a Palio
Weekend e, em breve, o Strada. Anuncia aos quatro ventos o que é
obrigação: zelar pela segurança de motoristas e pedestres. Antes
não zelava?
Cada uma 3 - Falando em Fiat, a General Motors entrou na
onda da fabricante de Betim e lançou a Zafira, em pleno março,
já como modelo 2005. Mas nada tão campeão quanto os slogans: "A
conquista do espaço, a liberdade de escolha". |
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