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Não só nesta coluna,
mas em todo o BCWS, costumamos chamar a atenção para a falta de
cidadania no trânsito. Com a clara sensação de que a vida por aqui
vale bem pouco, não nos cansamos de criticar os que avançam sobre a
faixa de pedestres, atravessam o sinal vermelho ou simplesmente
acreditam que sinalizar é algo dispensável. Sim, minha mais recente
cruzada é contra os motoristas que, do nada, param à minha frente. Ah,
e também contra os boyzinhos que acendem o farol de neblina sem
acender o do veículo.
Sabe o que se aprende em uma auto-escola, desde que eu me conheço por
motorista? A passar no exame do Detran (Departamento Estadual de
Trânsito). Isso mesmo. Não é para aprender a dirigir. O raciocínio
tortuoso vale para alguns cursos pré-vestibulares (ensinam a passar na
prova, não a raciocinar com a própria cabeça). Com o código de
trânsito (eu ia dizer “novo”, mas ela já tem seis anos!), o aprendiz é
obrigado a fazer pelo menos 15 aulas. Vi pouco tempo atrás alguns
alunos “espertos” chegando ao final da aula, só para assinar – e
constar. Sim, o trânsito está cheio de gente esperta.
Lembro cenas corriqueiras da infância. Nos anos 70, não havia a
fartura de modelos e versões que existe hoje. Não faltava ufanismo bem
no tempo do “milagre econômico”. Meu pai teve vários Opalas. Mas
esportivo mesmo era aquele Passat. Ou o Dodge Polara, comprado
zero-quilômetro em 1975. O automóvel conta a história não só da nossa
vida, mas do país.
Muitos de nós, aposto, já tiveram uma sensação de onipotência ao
conduzir, ainda que no colo do pai (que fazia o favor de “alcançar os
pedais”), o automóvel. Houve até uma propaganda em que o piloto Rubens
Barrichello aparecia no colo do pai, Rubão, manuseando o volante. O
filme foi criticado por dar mau exemplo. Mas a agência de propaganda
resolveu manter, pois dizia muito sobre a relação pai-filho (naquele
tempo não existia o Conar).
Quando chegou minha vez de fazer a prova da auto-escola, o examinador
disparou: “Você já sabe dirigir?” Como se fosse o normal transgredir
regras. Como é normal em muitos estabelecimentos, quando a gente pede
uma nota fiscal, ser questionado: “Faz no valor ou quer uma nota de
mais?”
E depois alguns acham inverossímeis personagens como Renato Mendes e
Laura, da novela Celebridade, que armam situações do arco da
velha para se dar bem... No trânsito brasileiro tudo anda meio assim,
na base do vale-tudo. Até carro na contramão em plena marginal do
Tietê eu já flagrei... E depois a gente, criticando os países
atrasados, quer se sentir no Primeiro Mundo. Urge, no trânsito
brasileiro, um banho de imersão em ética e cidadania. Voltemos todos
para a auto-escola, mas uma auto-escola de verdade.
A inspiração para a coluna desta semana vem da peça Como Eu Aprendi
a Dirigir um Carro (da americana Paula Vogel, com direção de
Felipe Hirsch), que estreou no último fim de semana em São Paulo. Nela
o automóvel aparece como uma espécie de ator coadjuvante. Detalhe: não
há nenhum carro no cenário.
A história se passa no interior do Estado de Maryland (EUA). Os
personagens: tio Peck (Paulo Betti), um veterano da Segunda Guerra
Mundial, e Li'l Bit (corruptela de Little Bit, ou “coisinha”,
interpretada por Andréa Beltrão). A ação: as aulas de direção que se
mostram, lenta e sutilmente, um engenhoso jogo de sedução.
Continua |

Coração brasileiro -
E não é que o presidente da BMW do Brasil, André Müller Carioba,
afirmou a esta coluna que estuda a possibilidade de importar o
Mini europeu? O problema é que, apesar de o motor ser
brasileiro, o índice de componentes nacionais ainda está longe
dos desejáveis 60% (calcula-se que hoje esteja em apenas 20%).
Ou seja, sua vinda a um preço competitivo ainda é um sonho
distante.
Ainda a F-1 - Colunista de O Globo, Renato
Mauricio Prado teve na última segunda-feira uma bela tirada: "O
que pode ser uma novidade que torne o mundial de Fórmula 1
emocionante neste ano é apostar que Michael Schumacher vença
todas as provas". Realmente, eu não havia pensado nisso.
Ainda o "cada uma" - A assessoria da Land Rover no Brasil
procurou capitalizar o fato de o jogador Ronaldo ter adquirido
um Range Rover. E saiu com a impagável frase: "Nem loura nem
morena, alta ou baixa. Quem vai acompanhar o craque a partir
deste sábado é o novo Range Rover 2004". Só faltou dizer que o
carro pelo menos não engravida.
Só falta o coelhinho - Inspeção Técnica Veicular e
Renainf (Registro Nacional de Infrações de Trânsito) são alguns
dos temas a serem tratados na caminhada Valorize a Vida, na
manhã desta quarta-feira, em Brasília. Com temas assim, só falta
o coelho da Páscoa aparecer (leia
coluna a respeito).
Depois do PCC... - O programa Domingo Legal, de
Gugu Liberato, está colocando no ar já há algumas semanas um
novo "esporte" de fortões: quantas vezes eles conseguem rolar a
carcaça de uma Kombi. Altamente educativo. |
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