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No final da década de
80, a Volkswagen lançava uma versão topo de linha de seu longevo sedã
Santana (até hoje um best-seller entre os taxistas). Era a
Executivo, devidamente paramentada com aerofólio, rodas pintadas de
dourado e bancos de couro. Um carrão para a época. Seu preço? Algo
como US$ 50 mil (R$ 140 mil, mais ou menos o preço do BMW
zero-quilômetro mais barato à venda hoje).
Pois é. Empresários ligados à importação não param de lembrar esse
modelo para evocar o atraso com que a indústria nacional foi pega logo
no início do governo Collor, quando da abertura das importações.
Catorze anos depois, sinto-me na obrigação de proferir um clichê, não
por isso menos verdadeiro: é, os tempos mudaram.
Ao passo em que a China estuda formas de pôr um freio em seu
crescimento absolutamente espantoso, o que o Brasil mais queria era
desenvolver seu mercado interno. Crescer. Ser uma China. Só que,
nesses tempos de internet, as informações circulam muito mais
rapidamente. A despeito das “gerações perdidas” de automóveis que
teremos pela frente em razão de um mercado raquítico, desta vez os
brasileiros pelo menos sabem o que estão perdendo.
O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de
Veículos Automotores), Ricardo Carvalho, que, aliás, deixa de comandar
a entidade a partir da próxima segunda-feira para ser sucedido por
Rogelio Golfarb, apresentou na última semana dados que confirmam o
tamanho da encrenca. Do total de capacidade produtiva instalada, 41%
abastecem o mercado interno e 16% são destinados à importação. Resta
uma capacidade ociosa de 43%!
Ninguém agüenta mais ouvir manifestações de pessoas segundo as quais a
indústria automobilística deve investir no Brasil por ser ele “o país
do futuro” ou por ser “muito importante para nós” etc. etc. etc. As
empresas que aqui se instalaram nos últimos seis anos não o fizeram
por caridade, para dar empregos ou porque os brasileiros são “legais
pra caramba”.
Aliás, sempre que ouço alguém dizer que criou “tantos mil” empregos,
logo me vem à mente o fundo do poço em que se enfiaram as empresas de
comunicação nos últimos anos. Acho que poucos segmentos criaram tantos
empregos. Demitiram um monte de gente que ganhava “X” para contratar
três ganhando “X dividido por três” – ah, em alguns casos, sobrou até
um troquinho para os free-lancers.
Mas pergunto a quem esperava caridade (ou até a pessoas que
investiram, por exemplo, em estabelecimentos nas imediações de Campo
Largo, no Paraná, onde a DaimlerChrysler fechou com a mesma
desenvoltura com que abriu a fábrica do picape Dodge Dakota) se
toparia pagar 40% só de impostos para produzir automóveis aqui. Ou se
iriam a um país onde não houvesse tantos custos e burocracias.
Não, não acredito que haverá um retrocesso a ponto de dizermos “amém”
a modelos do naipe do Santana Executivo. Continuaremos a ser, em
termos de indústria, uma espécie de “parque dos dinossauros” (estão aí
Mille, Gol e Parati, Fiesta Street, Corsa Classic, Santana e Kombi que
não me deixam mentir). Mas o consumidor ficou mais crítico. Sabe o
sabor das novidades com qualidade.
Só precisamos nos debruçar sobre o problema, sem sermos piegas e
sentimentalóides a ponto de fazermos, em uma lógica capitalista,
perguntas ridículas, como: “Afinal, a vida humana tem preço?” Na
dúvida, consulte o departamento de compras.
Fico devendo esta semana a entrevista, que estará de volta na próxima
Autogiro.
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Perua nova - A
station wagon derivada do Toyota Corolla já tem data certa
para chegar ao mercado: início de maio. É o começo de uma nova
safra de peruas, que vai incluir no final do ano a Peugeot 206
SW.
Desenho campeão - O novo Maserati Quattroporte recebeu o
maior prêmio de design do mundo, o The Red Dot, Best of the
Best, selo da qualidade concedido todos os anos pelo Design
Center of North Rhine/Westphalia, em competição internacional
por qualidade de desenho excepcional.
Mulheghada... - Vai até sábado, no Morumbi Shopping, em
São Paulo, a exposição Montblanc e Suas Mulheres, cujo
objetivo é aproximar o público feminino do universo de produtos
de luxo. Na mostra serão expostos dois modelos da Mercedes-Benz,
o CLK e o C 230 Kompressor. Os visitantes assistirão também a um
desfile de jóias e concorrerão a prêmios.
Cabeça a cabeça - Entre comerciais leves mais emplacados
no primeiro trimestre, o líder é o Ford EcoSport, com 8.302
unidades. Mas emocionante mesmo está a disputa pelo segundo
lugar: o picape Chevrolet Montana tem 5.541, contra 5.438 do
Fiat Strada.
Exportação 1 - A Volkswagen começou a exportar a Parati
Crossover. Vinte e duas unidades foram embarcadas no último mês
para Peru e Chile. Até o final do ano, devem ser exportados 100
exemplares.
Exportação 2 - A Renault do Brasil é outra fabricante
brasileira que acaba de fechar importações de veículos para a
Colômbia, que integra os países do Pacto Andino. São 50 minivans
Scénic Privilège 1,6, média que deverá ser mantida até o final
do ano. |
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Dez anos - Não
poderia haver DVD mais propício do que Uma Estrela Chamada
Ayrton Senna (Editora Abril, R$ 34,95), que mostra não só os
pegas mais emocionantes do piloto brasileiro, como também muito
de sua vida fora das pistas.
Para os pneus - O limpa-pneus Autoshine protege, renova e
dá brilho aos pneus, tapetes e demais artefatos de borracha. Em
gel, custa R$ 7,12 (embalagem com 500 g). |
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