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Entrevista

"Os números deste início de ano ainda não nos tranqüilizam"

Rogelio Golfarb

Novo presidente da Anfavea, Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores


Autogiro – Passada a solenidade de posse da Anfavea, agora é arregaçar as mangas. Gostaria de saber se você está mais pessimista ou mais otimista agora. Se há processos de negociação em andamento...

Rogelio Golfarb – Olha, eu tenho um otimismo com relação à indústria, acho que a gente tem de ser otimista. Os fundamentos para o crescimento estão aí. Entretanto, os números deste começo de ano não são números que nos tranqüilizem, essa é que é a verdade.

No último mês já temos uma redução de 23% em relação ao mês anterior. No primeiro trimestre, ajustando o número de dias, temos um crescimento muito pequeno na indústria, de 2,8. Pelas minhas contas, até o momento estamos igual ao ano passado, que foi um ano dramático para a indústria. Temos de promover o crescimento com senso de urgência.

AG – E como fazer isso? Aliás, o que muda na Anfavea sob sua gestão?

Golfarb – A primeira coisa que é bom esclarecer é que não temos nenhuma negociação encaminhada. Em curtíssimo prazo, não há expectativa de mudança. Nossa visão é de fazer uma proposta ou desenhar planos que sejam duráveis, que não sejam apenas emergenciais.

Não que sejamos contra planos emergenciais quando existem emergências. Mas entendemos que os investimentos da indústria automobilística precisam de um horizonte mais longo. E, para isso, você precisa de planos que lhe dêem crescimento sustentável a longo do tempo. É nessa direção que vamos trabalhar. E vamos estar avaliando todas as alternativas possíveis.

AG – E como você está avaliando a política econômica do governo Lula?

Golfarb – Precisamos olhar de onde saímos. No ano passado, no primeiro trimestre, tínhamos os parâmetros da economia em uma situação bastante difícil. Taxas de juros altíssimas, uma possibilidade de descontrole da inflação e risco em alta. Hoje estamos com esses parâmetros bem mais estabilizados.

A taxa de juros está em declínio, lento mas em declínio, inflação sob controle... Agora achamos que é momento de começar a trabalhar o crescimento. De forma responsável, não um crescimento explosivo. Um crescimento que não tenha risco de retrocesso.

AG – O vice-presidente da General Motors do Brasil, José Carlos Pinheiro Neto, disse que a Anfavea não representa a GM com relação a motores flexíveis. Criticou ainda mais, dizendo que a Anfavea seria como a Rússia, por querer “tudo igual”. Qual seria a sua resposta?

Golfarb – Acho que nós temos de trabalhar dentro da Anfavea para fazer planos de crescimento. Nossas empresas associadas são muito competitivas. Isso é um sinal positivo. Essa vontade de crescer é positiva.

AG – Eu sei que, embora você seja diretor da Ford, o assunto aqui é Anfavea. Mas, para o leitor conhecer melhor o novo presidente da entidade, eu posso dizer que já vi você acelerar bastante um EcoSport 2,0 na pista de Tatuí. Você gosta de pilotar?

Golfarb – Tenho paixão por duas coisas: futebol e Fórmula 1. Ou automobilismo de uma maneira geral. Como eu sou corintiano, ultimamente tenho me dedicado mais ao automobilismo [risos]. Mas eu adoro o esporte a motor desde pequeno e tenho uma paixão por velocidade. Não compito, mas gosto de velocidade, com segurança, na pista, bem equipado. É a melhor maneira, para mim, de ter adrenalina.

AG – Mas eu passei medo dentro daquele EcoSport...

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