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Hoje eu também acordei
invocado. Que foi? Não tenho esse direito? Ele é reservado à esfera
presidencial? Pois é. No último fim de semana, publiquei em uma
revista de grande circulação o resultado de uma apuração que já durava
quase dois meses. O assunto: recall de automóveis. Queria
registrar um pouco do maniqueísmo que esse tema desperta dos dois
lados – o da indústria e o do consumidor.
Em primeiro lugar, há quem defenda que recall, ou convocação,
está longe de ser uma questão de defesa do consumidor. Seria mais um
problema de saúde pública. Afinal, um automóvel com problemas de
fábrica nos freios pode atropelar alguém que não tem nada a ver com a
história. Até aí, tudo bem. Mas então será preciso tratar vários
outros assuntos (aí incluída a inspeção veicular) também como tal.
Afinal, carro velho também mata.
Fiz, refiz, fiz de novo e re-refiz as contas para ver se a conclusão a
que havia chegado não era exagerada. E não era: a cada cinco
automóveis comprados no Brasil, um tem de voltar à oficina para fazer
um reparo qualquer em função de defeito de fabricação em uma série. Se
nos bastidores da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de
Veículos Automotores) os presidentes das fábricas não têm opiniões tão
convergentes, na hora de opinar sobre recall todos em uníssono
dizem ser “normal” chamar de volta um veículo com defeito.
O ex-presidente da General Motors do Brasil Walter Wieland chegou a
exemplificar com o caso de medicamentos usados por sua mulher, que
tiveram de ser substituídos. Sinal de respeito do laboratório. Na
última semana, o presidente da Citroën, Sergio Habib, disse ser uma
prática “normal”. Mas não era assim em tempos de economia fechada e
produtos muito provavelmente bem mais precários que os de hoje.
Quantos recalls foram feitos nos anos 60, 70 e 80? A palavra
começou a fazer parte do vocabulário da indústria automobilística com
mais freqüência no início dos anos 90, coincidindo com a entrada em
vigor do Código de Defesa do Consumidor. Antes disso, no final dos
anos 60, o Ford Corcel já havia sido convocado (saiba
mais).
A grande discussão em torno de recall aconteceu em 2000, quando
se descobriu um problema na fixação do cinto de segurança dos Corsas
fabricados desde 1994. Foi o recorde até hoje não batido de 1,3 milhão
de modelos que tiveram de ser chamados de volta. Na mesma época, um
teste de impacto (crash-test) levou a família Palio com motor
1,0-litro ao estaleiro. De uma vez só, foram 320 mil carros. A Fiat
nega que tenha sido recall. Foi uma convocação, afirma.
Pergunto: qual é a diferença?
Aliás, é engraçado verificar nos anúncios de recall dois
fenômenos mais recentes. Uma, a indústria nunca se ter preocupado em
citar fornecedores (a não ser agora, no caso dos motores
flexíveis, em que houve parceria e
divisão de responsabilidades bem mais estreitas) até dois anos atrás,
quando começaram a nomear os responsáveis pelas peças defeituosas nos
comunicados. Outra peculiaridade é o imenso eufemismo, do tipo, “há a
possibilidade, ainda que remota, de acontecer tal coisa”.
Parece uma empresa que fui visitar dia desses. Não havia sido
reservada vaga para meu carro no estacionamento coberto. Disponíveis,
somente alguns lugares no pátio descoberto. O segurança, que não
encontrou registro de reserva para mim no computador, saiu com esta:
“Olha, o sr. vai ter de parar na parte externa”. Já ia me dirigindo
para as vagas do pátio quando o funcionário alertou: “Não, aqui, no
caso, parte externa é lá”, afirmou, apontando para a rua.
Em relação ao recall, não é preciso deixar o dono do automóvel
desesperado, mas vejo muito de desestímulo nesse tipo de assertiva
(“Ah, dificilmente algo de ruim vai acontecer.”). Só falta dizer ao
proprietário, meio que como um argumento da mãe ao filho adolescente:
“O problema não é você, são os outros”. Não é à toa que, da última vez
em que acessei dados sobre esse famoso recall do Corsa, em
torno da metade dos donos não havia visitado a oficina.
Se alguém quiser avanços nas relações de consumo (ou na saúde pública,
como querem alguns), na qualidade dos produtos, na forma como a
questão do recall deve ser tratada, é preciso deixar de lado os
subterfúgios semânticos, os argumentos sentimentalóides e por fim
determinar: recall é, afinal, algo normal ou caso de polícia?
A entrevista da semana é com o presidente da Citroën do Brasil, Sergio
Habib, que fala sobre o C3 automático, a desistência do C2 e até sobre
recall. Continua
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Volta por cima - Nos
quatro primeiros meses do ano, a Ford registrou crescimento de
11,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Com a venda de
53.198 veículos no mercado interno, o crescimento foi de quase o
dobro em relação à indústria em geral (6,4%). Com isso, a marca
elevou a sua participação no mercado para 11,3%. Para quem, anos
atrás, via seu quarto lugar ameaçado pela Renault, não está nada
mal.
Ué! - E não é que o porta-malas da recém-lançada perua
Fielder é menor que o de seu congênere, o Corolla? Segundo dados
divulgados pela própria Toyota, o sedã tem 437 litros, contra
411 de sua station wagon. Só me lembro de caso semelhante
com a Alfa Romeo 156 SportWagon.
Futuro flex - Os carros da PSA, Peugeot-Citroën, deverão
ser equipados com motor flexível a partir do primeiro semestre
do próximo ano. Agora foi a vez de a Citroën anunciar seu
propulsor que funciona a álcool e/ou gasolina para o C3 1,6 até
abril de 2005.
Nem tudo o que reluz... - Teve jornalista visitando a
fábrica da General Motors em São Caetano do Sul, SP, se
deparando com câmbio automático em Meriva da engenharia e
publicando: "Meriva terá câmbio automático". Terá não. Já tem -
para exportação (ao México, por exemplo). Se haverá para o
mercado interno, a fábrica ainda não decidiu.
Tudo bem, eu espero - Este colunista foi, há cinco
semanas, à concessionária Sabrico da avenida Sumaré (zona oeste
de São Paulo) e solicitou um teste com o utilitário esporte
Touareg, que está lá para isso mesmo. Gentis, vendedor e gerente
ofereceram água, café e anotaram o contato do pretenso cliente.
Não ligaram de volta até hoje. |
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Dá-lhe toca-CDs - A
Pioneer do Brasil apresentou sua mais nova linha nacional de
toca-CDs. Os modelos DEH-P4680MP, DEH-P5680MP e DEH-P7680MP
destacam-se pela alta tecnologia, que inclui a capacidade de
tocar arquivos compactos nos formatos WMA (Windows Media Audio)
e MP3, além do visual arrojado. Outra novidade é a tecnologia
OEL, no CD Player DEH-P7680MP. Os preços começam em R$ 750.
Verdadeiro piloto - O volante Shutt R1, em vermelho e
preto, pode ser encontrado por R$ 315. Ideal para quem quer dar
um toque esportivo a seu carro. |
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