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Concluo então que meu
gasto mensal com a compra do automóvel deve ser de, no máximo, um
quarto do que ganho. Se minha renda é de R$ 1.000, nada mau gastar R$
250 para ter o privilégio de andar com minhas próprias rodas. Quando a
pessoa tem família, porém, tudo muda. “Carro é uma família”, costumam
comparar os motoristas de táxi, para depois enumerar os problemas e
despesas que seu automóvel deu nas semanas anteriores.
Se pensarmos que automóvel é um bem que se adquire por impulso,
comprar um veículo que “vai além” de seu padrão de vida é normal.
Pensar nessas questões, confesso, é um pouco woodyalleano de minha
parte. Até porque é possível tirar da loja um automóvel caro e, caso
não agüente pagar, trocá-lo por um menor – e ter um sonho em certa
medida realizado. Como alguns gostam de dizer, mais vale um gosto que
o dinheiro no bolso... |
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Entrevista
"Não entendo
por que brasileiro adora
estampinhas no carro"
Ocimar Versolato
Estilista que virou nome de uma
versão do Citroën C3
Autogiro - Como foi a proposta de criar
uma versão de um automóvel com o seu nome?
Ocimar Versolato - É uma experiência que já aconteceu no
exterior, em relação a marcas ligadas à moda. [Os responsáveis pelo
projeto na Citroën] pensaram em alguém por aqui, que tivesse uma
força, e me procuraram com a proposta.
AG - E quanto tempo vocês levaram entre o
convite e o carro ficar pronto?
Versolato - Ah, estávamos havia um ano em cima disso.
Até que não é muito tempo. Você tem total liberdade para mexer no
interior, na padronização. Enfim, em tudo que não fosse influir na
aerodinâmica. Nesse caso teria de consultar engenheiros e demoraria
muito mais. Por fora não dá para mexer em nada.
AG - Qual foi a principal mudança que
você fez na versão Ocimar Versolato do C3?
Versolato - Tirei todas as estampinhas. São horríveis.
Não consigo entender de onde vem esse senso de estética do brasileiro,
que adora estampinhas no tecido do carro. Resolvi deixar tudo em
preto.
AG - Não o incomoda que alguém aponte
para um automóvel na rua e fale: "Olha lá o Ocimar Versolato"?
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Versolato - Não. Tenho de me
acostumar que isso aconteça, de eu estar na rua e ver passar um Ocimar
Versolato.
AG - O mundo da moda é cheio de altos e
baixos, assim como o dos automóveis. Você não tinha receio de não ser
a bola da vez quando o carro fosse lançado?
Versolato - Olha, eu não penso muito nisso. Meu caminho
é sempre ir por onde os outros não estão. Tenho sempre de achar um
caminho novo. Como nunca havia feito um projeto desses, de um carro, a
primeira coisa que eu disse quando foi feita a proposta foi: "Por que
não?". Não estou preocupado com o que os outros vão dizer.
AG - E o modelo vem com uma bolsa... Como
é essa bolsa?
Versolato - É uma bolsa de viagem, toda preta, de
náilon, com base de couro. E quem compra o carro também ganha um
chaveiro de acrílico [de sua grife, OV].
AG - Quanto você ganhou para associar seu
nome a um automóvel?
Versolato - Isso eu não falo nem sob tortura! |