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Não é à toa que um dos
ídolos deste colunista é Woody Allen. Poucos retratam as digressões do
pensamento de uma forma tão assumidamente neurótica como o cineasta
norte-americano. Algumas questões – muitas delas existenciais – que
para as pessoas “normais” são aritméticas provocam em pessoas assim um
estado de sofrimento muitas vezes incompatível com o tamanho do
problema.
Uma que consumiu parte da minha adolescência (justamente a idade em
que se está, enfim, habilitado a tirar carteira de motorista e comprar
o primeiro automóvel) foi a seguinte: até que ponto o carro que
escolhi combina com meu padrão de vida, com o quanto eu ganho, com o
dinheiro que entra todo mês na minha conta?
Claro que a preocupação a princípio é legítima: não engrossar as
estatísticas de inadimplência no comércio. Em um país cuja taxa de
juros é uma das maiores do mundo, sempre achei um acinte lojas de
departamento irem à TV alardear que cobram “apenas” 6% de juros ao mês
e ainda acrescentar: “E nada mais”. Já reparou que a poupança dá menos
de 1%?
Nessas casas de produtos populares, vender a prazo tornou-se um grande
negócio. Não se ganha com o comércio, mas com o financiamento. Só
divulgam o preço à vista porque a lei manda. Do Plano Real para cá (ou
seja, já há dez anos), as classes C e D passaram a ter acesso a bens
de consumo que antes só apareciam em seus sonhos, como TV de grande
porte, microondas e até DVD. Sabe como? Fazendo a conta: se a
prestação cabe no mirrado salário mensal, então vou levar!
Com automóveis não é a mesma coisa. Pesquisa apurada por este
colunista no último ano indica que 70% dos automóveis são adquiridos
por algum tipo de financiamento. Ou seja, se comprou um veículo tendo
de recorrer ao banco, respire aliviado. Você faz parte da maioria. É,
portanto, “normal”. Mas atenção: 95% dos compradores de automóveis
zero-quilômetro estão nas classes A e B.
Outro dia, o diretor de um instituto de pesquisas me contou que está
sendo necessário rever os critérios de avaliação socioeconômica, antes
definidos por itens como quantidade de rádios, lavadoras e secadoras
de roupas etc. em casa. Fato é que, quando se compra um carro, não
basta verificar se a prestação cabe no bolso. É preciso contabilizar
licenciamento, seguro, IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos
Automotores), combustível, estacionamento e a indefectível manutenção.
Esses gastos, aliás, surpreendem. Foram inclusive tema de uma
coluna algum tempo atrás.
Cansado de ver gente com salários gordos comprando carros 1,0-litro
simplesmente porque são econômicos e funcionais e pés-rapados com
modelos que custam acima de R$ 50 mil, fui questionar um diretor da
Audi. À época (coisa de um ano atrás), o consórcio de um A3 custava R$
1.500 por mês. Segundo ele, para adquiri-lo era preciso ter uma renda
de R$ 6.000 e ser solteiro. Vale dizer que a legião de solitários
representa 30% dos que compram automóveis novos – 40% são casados, e
24%, separados. Quase um terço (32%) tem entre 35 e 44 anos, 25%,
entre 25 e 34 anos e 19%, entre 45 e 54 anos. A maioria (68%) trabalha
em período integral. Continua |

Marasmo - Os próximos meses prevêem poucos lançamentos.
Em um mercado complicado, as fábricas estão guardando munição
para o Salão de São Paulo, que acontece em outubro.
Aventura 1 - Neste ano a Adventure Sports Fair acontece
entre 7 e 11 de agosto, no pavilhão da Bienal. A feira foi
antecipada em razão das comemorações dos 450 anos de São Paulo,
no mesmo local.
Aventura 2 - Em vez de começar em uma quarta-feira, a
Sports Fair terá início em um sábado. Assim os organizadores
esperam um público mais profissional para os outros dias da
semana. Outro objetivo é tornar mais sofisticado o teste dos
produtos.
Relíquias - O
tradicional encontro de carros antigos que acontece toda
terça-feira no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, comemora
neste dia 22 sua centésima edição. O evento reúne cerca de 400
raridades toda semana e é realizado desde abril de 2002. |
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Multimídia - A
Stetsom acaba de lançar o amplificador CD5500T. Com cinco canais
de saída e seis entradas, é recomendado para uso em conjunto com
sistemas multimídia. Preço sob consulta.
Nós na fita - A 3M está
lançando a fita Autocrepe, desenvolvida para processos de
mascaramento nas oficinas de funilaria e pintura. Terá quatro opções de medida: 15mm x 50m, 18mm x 50m,
24mm x 50m, 48mm x 50m. Chega ao mercado sob a marca Scotch. |
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