|
Não é que a indústria
automobilística saiu do fundo do poço? Pois é, está no meio do poço.
Sem saber se continua subindo ou se cai de novo. A Anfavea (associação
dos fabricantes) estima que em 2004 a produção aumente 8,9%, e o
licenciamento, 7,8%. A produção já foi de 1,04 milhão, quase 15% a
mais que no mesmo período do ano passado.
Eis que, embalado pelos números, resolvo folhear (tardiamente, diria)
o anuário que a associação produz todos os anos. O deste está
particularmente interessante. Um dia conto por quê. É assunto para um
ano inteiro de coluna. Na de hoje, quero falar um pouco das
referências internacionais que a publicação traz.
A certa altura, o documento expõe dados sobre a frota de automóveis de
vários países do mundo de 1992 a 2001. Nos EUA, ela passou nesse
período do 190,36 milhões para 223,45 milhões (17% a mais). No Japão,
subiu de 61,66 milhões para 73,40 milhões (19%), e na França, de 29,05
milhões para 34,60 milhões (19%). Já no Brasil passou de 13,34 milhões
para 20,09 milhões, ou seja, um aumento de 50%!
Enquanto nos EUA o número de habitantes por veículo em 2001 era de
1,2, no Japão essa relação era de 1,7 habitante por automóvel, mesmo
número da França. No Brasil há 8,6 pessoas por carro. No México, essa
relação cai para 6,1, e na Argentina, para 5,2. Eis por que todas as
fábricas querem ao menos fincar uma bandeira em território brasileiro:
marcar presença em um mercado com potencial para crescer, ainda que
não se saiba quando.
Sem falar que é em países como Brasil e México que as diferenças entre
2001 e nove anos antes são mais gritantes: aqui essa relação pulou de
11,1 pessoas por veículo para 8,6. No México, baixou de 8,5 para 6,1.
No Primeiro Mundo, essa cifra ficou praticamente estável – de 1,3 para
1,2 nos EUA e 2 para 1,7 na França, por exemplo. Sabe quantos veículos
foram licenciados nesses países em 2002? Nos EUA, 17,14 milhões; no
Japão, 5,79 milhões; na França, 2,61 milhões; no Brasil, 1,48 milhão.
Pouco? O que dizer da vizinha Argentina, cujas vendas internas ficaram
em 82 mil?
Na frieza dos números, o Brasil só depende do crescimento que o
governo tanto alardeia, e há tanto tempo, para fazer bonito. As
fábricas devem saber o que estão fazendo. Afinal, se fosse pelo
potencial sem cruzar com dados de poder aquisitivo, o que dizer da
Colômbia, onde há 40,7 habitantes por veículo? Até que ponto essa
conta fecha?
Quando será que o mercado interno vai voltar aos patamares de dois
milhões? Isso ocorrendo, haverá políticas de transporte capazes de dar
conta da concentração da frota? E da reciclagem dos que saem do
mercado? Ora, a frieza dos números...
O entrevistado da semana é o tricampeão de Fórmula 1 Nelson Piquet.
Continua
|

Investimento e cortesia
1 – Ainda há tempo de conferir os estandes das marcas em
Campos do Jordão, SP. As que mais investiram foram
DaimlerChrysler, Audi e Volkswagen, que têm os maiores estandes
e muito serviço agregado.
Investimento e cortesia 2 – O grande elemento
diferencial, no entanto, é o estande da Toyota, em que as
recepcionistas estão afiadíssimas em resolver dúvidas técnicas.
Além de lindas, elas têm na ponta da língua a explicação para
itens como ABS, EBD e ASR.
Ausências – Ainda sobre Campos: algumas fábricas são
ausências sentidas na temporada de inverno. Caso da Citroën e da
Renault. Segundo esta coluna apurou, um estande na cidade
demanda investimentos entre R$ 400 mil e R$ 1 milhão.
Presença – Fora os novos modelos expostos na serra, um em
especial chamava a atenção na volta para São Paulo: nada menos
do que um Smart, aquele carrinho de apenas 2,5 metros de
comprimento.
Pós-venda – A Renault está ampliando os prazos de
garantia para as peças originais adquiridas em qualquer uma das
160 autorizadas da marca. A validade é de seis meses (balcão) a
um ano (nas oficinas).
No mundo da Lua 1 – Saiu a vencedora do sorteio final da
promoção Procura-se um Astronauta, da Volkswagen. A
ganhadora é Angela Takesawa, de 24 anos, que comprou um Gol City
de R$ 20 mil.
No mundo da Lua 2 – Angela ganhou o direito de, até 2006,
fazer um vôo espacial pela empresa Space Adventures, nos EUA, a
100 quilômetros da superfície da terra. |
|