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Entrevista
"Nossos carros
são tão exclusivos que os clientes acabam não sofrendo problemas de
segurança"
Francisco Longo
Presidente da Via Europa, importadora
oficial da Ferrari e da Maserati no Brasil
Autogiro – Há quanto tempo você é
representante oficial da Ferrari no Brasil?
Francisco Longo – Começamos as atividades da Ferrari no final
de 1996 e a comercialização no início de 1997. Depois de um ano,
quando a Ferrari adquiriu 100% da Maserati, fomos convidados também a
atuar no mercado da Maserati no Brasil. Foi no segundo semestre de
1998.
AG – Qual era a sua atividade até então?
Gostaria de saber, além disso, como se deu esse encontro com as marcas
Ferrari e Maserati.
Longo – Minha atividade sempre foi no ramo de automóveis.
Quando foram abertas as importações [em 1990], comecei a me concentrar
só na venda de automóveis de alto luxo. Em 1996, a Ferrari buscava um
novo parceiro, um importador novo no Brasil, onde outro parceiro
estava encerrando as atividades. Nós fomos pré-selecionados para uma
reunião em Maranello [sede da Ferrari, na Itália]. Chegamos lá,
fizemos algumas reuniões e, passados alguns meses, nomearam a gente
para o Brasil.
AG – Afinal, o Enzo vem ou não vem? Já
faz dois anos que ele foi apresentado no Salão de São Paulo e
comentava-se de que pelo menos um seria comercializado aqui...
Longo – É, mas a Enzo infelizmente não vem para o Brasil. Os
carros foram todos produzidos e comercializados. Algumas unidades da
versão européia ainda vão ser produzidas até setembro deste ano, mas
será quando a produção vai ser encerrada.
AG – Como é trabalhar com uma marca que
exige tanto sigilo, que lida tanto com a questão da segurança?
Longo – Veja bem, a credibilidade que você passa para o
cliente. Cada pessoa é um cliente exclusivo, nós o preservamos ao
máximo. Em termos de segurança, nossos carros não sofreram esse
impacto, pois são tão exclusivos e chamam tanto a atenção que, ao
mesmo tempo, o cliente acaba não tendo esse problema de segurança.
AG – Ou seja, é tão exclusivo que já fica
complicado para a segurança de alguém que tentar roubá-lo...
Longo – Sim. O carro chama muito a atenção, são carros
limitados, exclusivíssimos. Então o fator segurança não abalou a
comercialização.
AG – Quanto custa o Ferrari mais barato
aqui no Brasil?
Longo – Custa US$ 350 mil.
AG – Ou seja, R$ 1 milhão. Vamos falar da
Maserati.
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Como é que a Maserati se
relaciona com a Ferrari na sua proposta comercial?
Longo – É uma família só, mas
dividem as gestões. O relacionamento é muito bom, porque uma marca
puxa a outra.
AG – Em 1999 eu visitei a fábrica da
Maserati e lembro que havia um esforço grande de ressaltar sua
história de glórias, de ter sido campeã de Fórmula 1 com Juan Manuel
Fangio em 1957. No centro de Bolonha, há uma estátua de Netuno, com o
tridente, que inspira o logotipo da marca... Ou seja, há uma grande
tradição que as pessoas nem sempre conhecem.
Longo – Pois é. A Maserati no Brasil é conhecida pelas pessoas
que têm a idade um pouco mais avançada. Na década de 50, foi uma
grande concorrente da Ferrari em pista. Não era da minha época nem da
sua. Depois foi se ofuscando com o tempo, devido a problemas
financeiros. Quando a Ferrari assumiu 100% a Maserati, voltou a fazer
investimentos e a usar a tecnologia que a Ferrari aprendeu com a
Fórmula 1, passando para os carros de rua e para os Maseratis.
AG – Quem quiser participar de Maserati
Trofeo neste ano ainda pode ou já está com todos os times fechados?
Longo – A gente pretende chegar a 25 carros no grid. Hoje
estamos com 16 carros efetivados para o campeonato do ano inteiro.
Então temos algumas adesões em aberto, mas vamos limitar em 25 carros.
Hoje a pessoa tem de investir, para cinco etapas, uma cifra em torno
de US$ 110 mil. Já foi feita uma etapa em Curitiba. O campeonato fecha
junto com a F-1, ou seja, é preliminar da F-1.
AG – Desde que o Barrichello foi para a
F-1, vocês sentiram alguma diferença na forma como o brasileiro encara
a marca?
Longo – A Ferrari é um mito. Sempre esteve em competições. Em
anos que a Ferrari não ia bem, não ofuscava as vendas porque quem é
apaixonado pela marca acaba comprando os produtos. Evidente que nos
últimos anos a Ferrari deu um salto em tecnologia, qualidade e
estrutura. Isso ajuda muito. Como imagem, ajuda ter um piloto
brasileiro. Mas as vendas continuam no mesmo patamar.
AG – A Via Europa é uma espécie de
atração turística na avenida Europa, não é? As pessoas vêm de todas as
partes da cidade para olhar as máquinas pela vitrine...
Longo – É um ponto de referência. A gente tem em média
60 visitações ao dia, do qual 70% são pessoas que vêm apreciar nossos
carros e outros 30% são pretendentes à compra.
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