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Comentava outro dia com
uma amiga que esperava ser mal interpretado quando, semanas atrás,
afirmei que era provável que o dono de um automóvel de luxo fosse mais
bem educado no trânsito do que o proprietário de uma "lata velha" (leia
coluna). Como o BCWS já afirmou até em editorial, tenho um
gosto especial pela polêmica, por temas picantes ou, digamos, venais.
Nesse caso, veio a decepção: ninguém me espinafrou, pois talvez eu
tenha transmitido bem o que quis dizer.
Já fui questionado sobre como nascem os temas que abordo aqui. Ora,
como em qualquer veículo, a partir de idéias de pauta. Podem surgir em
uma viagem, em um bate-papo, em conversas com fontes, em entrevistas
formais, em análises de dados ou até (e isso tem sido comum nas
últimas semanas) na análise do comportamento das pessoas no trânsito.
Nos EUA e na Europa, o pedestre, ainda que sem tanta razão (ao
atravessar a rua fora da faixa, por exemplo), é sempre o senhor da
situação. O motorista pára e aguarda que a pessoa complete sua
travessia. Sabe que as conseqüências de machucar alguém não serão
pequenas. Além do quê, fazê-lo seria, acima de tudo, uma covardia.
Foi ao atravessar uma rua no bairro da Pompéia, em São Paulo, que
nasceu a idéia para este texto, meio um novo capítulo dessa relação
formação/comportamento no trânsito. Numa dessas manhãs em que saio
para tomar café (ou seja, não acordei ainda...), vou atravessar a rua
quando a motorista de um Fiat Mille me dá a preferência antes de
dobrar a esquina.
Pois o que chama a atenção não é o fato de parar o carro e acenar,
dando passagem ao semiletárgico pedestre. É o sorriso aberto, alegre,
com que fez isso. Como o carro não tinha película escura (!), pude
notar, no banco de trás, um menino de seus dois ou três anos,
acomodado em uma cadeirinha apropriada. Será seu filho? Sobrinho?
Neto? Não importa.
Corto a cena para dias antes, no bairro de Pinheiros, onde vi, em um
Gol devidamente “protegido” (com filme e engate na traseira), uma
criança de menos de dez anos sendo transportada sem cinto de segurança
no banco dianteiro, no colo de um adulto. Não seria preciso ocorrer um
acidente. Bastaria uma desaceleração brusca (uma freada de emergência)
para que a criança do Mille sentisse um tranco que nem a machucaria;
algo da mesma intensidade no tal Gol poderia se transformar em uma
tragédia – traumatismo craniano, escoriações ou algo do gênero. Deus
quis? Estava escrito? Era o destino? Talvez esteja na hora de
valorizar a vida em vez de acreditar em bobagens assim.
Só que já martelei muito nessa tecla da educação. Voltando à
sorridente mulher do Mille, outro sentimento que ela transmitiu, além
da completa consciência de o que significa educação de trânsito, foi
uma imensa alegria de estar ao volante daquele carro. Pois é, algo que
muita gente sabe o que significa (e eu em particular): prazer de
dirigir. Acredito piamente que as duas coisas têm relação direta.
Claro que para muitos conduzir um automóvel é uma tortura. Devo dizer
que prefiro andar de táxi e de metrô nos dias em que o trânsito está
carregado (em particular, às sextas-feiras), quando o anda-e-pára só
me deixa usar primeira e segunda marchas. Cansa só de pensar. Mas em
uma bela auto-estrada ou mesmo na cidade, em um domingo ensolarado, é
mais fácil entender a que me refiro. Liberdade, sentir o motor, as
marchas, caprichar nas curvas sem, no entanto, colocar em risco a vida
de ninguém.
Veículos modernos estão cheios de recursos. Mas o prazer de dirigir
não é apenas manejar um carro confortável. Como definiu o ex-piloto
Gerhard Berger ao dirigir o Lotus de Ayrton Senna em Imola, neste ano,
ao relembrar os dez anos da morte do piloto brasileiro, conduzir um
bólido sem tantas traquitanas eletrônicas tem seu valor – e dá um
imenso prazer. Que o digam os donos de automóveis com mais de 30 anos,
os antigomobilistas. Dirigir essas máquinas é como voltar no tempo.
Fascinante.
Mas prazer de dirigir é algo indecifrável. É ficar fascinado com o
rugido de um Ferrari, com o assobio do Alfa Romeo ou até lembrar a
infância ao ouvir o ronco barulhento de um Fusca. Isso, no entanto, é
só o começo. O outro extremo é a condução. No meio disso tudo, o
toque, o fascínio com soluções que, afinal, saíram da engenhosidade
humana. E elas estão em todos os tipos de carro, de todos os tempos.
No fundo, traduzem muito de felicidade (como o sorriso daquela
mulher), de superação. Enfim, da alegria de viver.
Na entrevista da semana, Francisco Longo, importador oficial da
Ferrari e da Maserati no Brasil. Continua
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Espetáculo do
crescimento – A Land Rover está rindo sozinha. A marca
registrou crescimento de 75% no primeiro semestre em relação ao
mesmo período do ano passado. Foram comercializados 792
utilitários da marca britânica nos seis primeiros meses deste
ano: 421 Defender, 111 Discovery, 220 Freelander e 40 Range
Rover.
Até tu, bikes – Em Uberaba, MG, são tantos os acidentes
envolvendo ciclistas que a fiscalização “resolveu” seguir o
código de trânsito. Está parando os ciclistas que andem na
contramão ou não estejam com a bicicleta em dia. A medida busca
sanar um problema já enfocado em
Editorial do BCWS em 2002.
Odeio segunda-feira – Esta é para quem gosta de notar os
carros dos filmes. Jon Arbucle, dono do gato Garfield (do filme
homônimo), tem um Volvo S60. Já a veterinária Liz anda com um
picape Nissan Frontier.
Ligeiramente novos – A Renault promove até 2 de agosto a
6ª. Ação Seminovos, com taxas de juros de 1,7% a 1,99% ao mês
para toda a linha de modelos a partir de 98/99.
Parece que foi ontem – Não é que o velho projeto Tupi, ou
melhor, o Volkswagen Fox, já está completando 50 mil unidades
produzidas? Versão fora-de-estrada do modelo, similar ao
conceito CrossFox, será
novidade da marca no Salão de São Paulo. |
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Nostalgia – Está
chegando às bancas a revista especial Flashback, para
quem gosta de lembrar o passado. Além de uma nota deste
colunista sobre o Chevette Jeans, vem junto um CD com 30
jingles. Entre eles, dois da Chevrolet, o do picape
Silverado e o saudoso Meu coração/Bate mais alto dentro de um
Chevrolet. Revista, encarte e CD saem por R$ 14,95.
Sem trânsito – A Caloi Easy Rider é uma bicicleta sob
medida para andar na cidade e escapar dos congestionamentos. Com
quadro e guidão de alumínio e raios de aço inox, custa R$ 1.200.
Tel. 0800-7018022. |
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