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Outro dia fui quase apedrejado por alguns leitores quando procurei
estabelecer uma ligação entre a mentalidade disseminada com a ditadura
militar, que governou o Brasil de 1964 a 1985, com alguns hábitos e
condutas no trânsito.
Pois veja que volto a escrever sobre uma dessas pérolas nascidas do
que se convencionou chamar de tecnocracia. Em linhas gerais, é uma
decisão estabelecida a partir de um critério meramente técnico – mas
que na realidade é pouco aplicável, por falta de estudo aprofundado.
Falo aqui da obrigatoriedade dos extintores de incêndio nos
automóveis.
Essa história lembra muito a tentativa frustrada de imposição do kit
de primeiros socorros (inútil para a maioria, mas que alimentou um
belo lobby há cerca de cinco anos), ou das horripilantes
plaquetas sobre a licença regular do veículo (coisa dos anos 1970) ou,
mais recentemente, daquele selinho que não sai de jeito nenhum
aplicado como adesivo na parte interna do pára-brisa, em 1997.
Agora o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) determina que os
extintores instalados desde o final de junho precisam ter durabilidade
mínima e validade do teste hidrostático pelo prazo de cinco anos.
Mais: a partir de janeiro de 2005, o dispositivo precisa ter
capacidade extintora mínima A (materiais sólidos), B (líquidos
inflamáveis) e C (fogo de origem elétrica). Até essa data, só serão
exigidas as capacidades B e C (os carros com extintor antigo ainda não
precisam trocá-lo se estiver dentro da validade e com carga correta).
“Serve para combater o fogo em todos os materiais do carro”, disse a
este colunista Alexandre Novaes, coordenador da Comissão de Segurança
Veicular da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva). Na
teoria é muito bonito. Mas não basta. É preciso ensinar o motorista a
usá-lo. A não ser que ele calcule que seu automóvel vá pegar foto na
frente do Corpo de Bombeiros!
Segundo os bombeiros paulistas, houve 2.642 incêndios em veículos em
2002. Mas existe algum estudo de quantos desses automóveis tinham
menos de cinco ou dez anos de uso? Tudo bem, automóvel mais novo pega
fogo. Mas por que será que nos principais países desenvolvidos o extintor
não é item obrigatório? |

Biodiesel 1 - Para
contribuir com os estudos sobre o uso do biodiesel no país, o
grupo PSA Peugeot Citroën promove, em conjunto com o Ladetel,
Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas da USP de
Ribeirão Preto, SP, um simpósio sobre o tema. Será dia 1º. de
setembro.
Biodiesel 2 - Do evento participará Gérard Belot, doutor
em química e especialista em pesquisa de motores e combustíveis
da PSA na França e Miguel Dabdoub, doutor em química e
coordenador do Projeto Biodiesel da USP. Serão apresentados
resultados de testes com dois veículos do grupo.
Conquista da América - A Volkswagen comemorou na última
semana a exportação de 200 mil Golfs produzidos em São José dos
Pinhais, PR. O 200.000º Golf foi uma unidade vermelha, com motor
1,8-litro turbo, embarcado para os EUA. Suas exportações
começaram no segundo semestre de 1999, inicialmente para o
México.
Mulheres - A Volkswagen contratou quatro mulheres para
trabalhar como motoristas de teste. Segundo a empresa, a
iniciativa veio do fato de elas serem "mais disciplinadas e
terem maior sensibilidade" do que os homens. Sua tarefa é rodar
quase 700 quilômetros por dia. Só não podem dizer onde (pois
costumam dirigir carros que ainda não foram lançados).
Barbárie - O que esperar de uma cidade onde mendigos são
mortos a pauladas de madrugada? Pois noite dessas este colunista
estava parado em um semáforo da avenida Angélica (região central
de São Paulo) quando um apressadinho resolveu não só furar o
sinal vermelho como fazê-lo pela calçada! |
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Alguns países onde o extintor é obrigatório: Argentina, Bulgária,
Costa Rica, El Salvador, Chile e Guatemala |
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Onde é item opcional: Alemanha, Bélgica, Canadá, Japão, Espanha,
França, Noruega, Itália, Suécia, entre outros |
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Ora, por que logo que se abriram as importações (início dos anos 1990)
uma das "pegadinhas" prediletas de alguns policiais rodoviários, cuja
função afinal é orientar, não multar (!), era parar proprietários dos
recém-desembarcados modelos da BMW com o intuito de multá-los pela
falta de extintor? Simplesmente porque, na Europa e nos EUA, o
equipamento não é obrigatório por ser ínfima a possibilidade de um
veículo pegar fogo. E muitos desses carros chegavam por importadores
independentes, que não instalavam o extintor.
Ainda que o automóvel em que estamos pegue fogo, quem de nós está
treinado para combatê-lo? O amigo leitor teve na auto-escola alguma
aula que lembrasse um curso preparatório de brigada de incêndio? Se no
dia-a-dia os motoristas dão mostras toscas de ignorância das leis da
física (a começar pela da inércia), quem terá sangue frio para
combater o fogo em seu próprio veículo?
Outra coisa: se a probabilidade de incêndio em um carro relativamente
novo é pequena, embora exista (mais por imprudência do motorista, como
aliás ocorre na maioria dos acidentes, do que por problemas no carro),
nos mais velhos é certamente maior. Mas quem acredita que automóveis
que estão há anos sem pagar IPVA (Imposto sobre a Propriedade de
Veículos Automotores), multas e, portanto, sem fazer licenciamento vão
se preocupar com o extintor? Continua |