"De tanto ver crescer
as injustiças, de tanto ver aumentarem as nulidades, de tanto ver
agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se
da virtude, rir-se da honra, ter vergonha de ser honesto." (Ruy
Barbosa)
Chega por e-mail o protesto do leitor Fábio Pereira Rocha, do Rio de
Janeiro. Aquele estado vai anistiar quase 400 mil veículos com dívidas
de IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) de até
R$ 1.492,40. Não sem razão, ele escreve a esta Autogiro para
lamentar: "Eu, palhaço, paguei R$ 800 para rodar com meu simples
Palio".
Caso todos os anistiados estivessem devendo o valor máximo, seriam
quase R$ 600 milhões que o Estado deixaria de arrecadar. Por outro
lado, há uma nítida sensação de que burlar a lei, sonegar impostos e
jogar com as probabilidades, em um país em que impera a falta de
fiscalização – e quando existe boa parte dos agentes é corrupta –,
vale a pena.
Se este colunista se atrever a comparar essa situação ao desabamento
de uma casa noturna em Guarulhos (Grande São Paulo), choverão e-mails
de leitores dizendo que misturo temas, estabeleço relações absurdas...
Ora, o lugar funcionava de maneira irregular (assim como um automóvel
sem IPVA pago) e contava com as vistas grossas de fiscais (tais como
os agentes de trânsito) facilmente corruptíveis.
Às vezes pertencer a uma sociedade tão metida a esperta cansa.
Falsificação de carteiras (das de motoristas às de estudante, que
rendem meia-entrada no cinema e no teatro) é um dado cultural. Pular a
catraca do ônibus idem. Na minha adolescência, havia um conhecido de
16 ou 17 anos que costumava sair para baladas com o automóvel do pai.
Dentro do documento do carro (para mostrar ao guarda que o veículo não
era roubado), levava sempre uma providencial nota, da maior que a
moeda do período permitisse – ou seja, hoje de R$ 100. Um "presente"
ao policial que por ventura o parasse. Não sei se esse dinheiro chegou
a ser usado.
Sei que a artimanha de fazer troca-troca de placa entre os Estados
para pagar menos IPVA ainda é uma prática. Primeiro, porque a alíquota
do Paraná é de 2,5% (para frotas é ainda menor), enquanto em São Paulo
pagam-se 4%. São apenas 400 quilômetros. Há quem tope rodar mais – em
Santa Catarina, o imposto custa só 2%. No Nordeste há IPVA ainda mais
baixo, mas a distância nem sempre vale a pena.
Outro dia um desses motoristas que prestam serviço terceirizado para
empresas, ao saber que eu trabalhava como jornalista especializado em
automóveis, começou a me questionar: "Minha mulher é de Maceió. Estou
pensando em emplacar meu novo carro lá. Pelo IPVA vale a pena. Só
queria saber se as multas ainda não estão chegando". Não, senhor. Na
maior parte dos estados, não estão. Mas já martelei neste espaço
algumas vezes que o governo anterior gastou alguns milhões (sim,
propaganda no horário nobre da TV não é exatamente barata) para dizer
que as multas chegariam, quando nunca chegaram.
É preciso ter um imóvel em outro estado? Que nada. Há diversos meios
ilícitos de se "comprovar" o domicílio. Antes que me acusem de
incentivar delitos, reproduzo o que me disse um diretor da Secretaria
da Fazenda de São Paulo: "Esse tipo de prática pode ser até
classificado como crime de falsidade ideológica".
Está certo. Mas quem fiscaliza? Ninguém. E viva os espertinhos.
Por falar em impostos, li outro dia uma pesquisa segundo a qual preço
não é uma prioridade para os consumidores (aí vistos de maneira ampla,
ou seja, não só de automóveis). O bolso era a terceira ou quarta
prioridade, atrás de itens como atendimento e qualidade. Ora, não
parece ser o caso do mercado brasileiro, completamente direcionado.
Dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos
Automotores) colhidos na primeira quinzena de agosto dão conta de que
o número de automóveis 1,0-litro vendidos (que já chegou a bater nos
80% das vendas) caiu para quase a metade dos zero-quilômetro
comercializados. Estão em 51%. Não deixa de ser um bom sinal.
Em razão de estar assoberbado com novas atribuições profissionais,
deixo de apresentar a entrevista pela segunda semana consecutiva. Mas
ela volta a ser publicada sem falta a partir da próxima terça-feira.
Palavra! |

Fórmula 1 – Uma
revista especializada em turismo publicou uma reportagem sobre
pacotes para os interessados em assistir ao GP Brasil de F-1. Em
vez de falar em torcer pela vitória de Rubens Barrichello, o
texto ia na linha do deboche: "Quer ver de perto aquela cara de
'fica pra próxima' do piloto brasileiro?"
Olho mecânico 1 – A disputa mais acirrada da primeira
quinzena de agosto, segundo a Fenabrave, responde pelo nome de
comerciais leves. A Fiat vendeu 23,84% do mercado, contra 23,64%
da Ford.
Olho mecânico 2 – Há quem questione a classificação do
EcoSport (modelo responsável pelo crescimento da Ford na
estatística) como comercial leve, designação histórica de
utilitários esporte. Mas o Eco não é um carro de passeio?
Lavada – Faz tempo que ninguém fala sobre a venda dos
furgões de passageiros. Talvez porque a Fiat seja a líder
absoluta de mercado no segmento (vendeu 3.657 Doblòs em 2004),
contra apenas 409 Renaults Kangoo.
Batismo – Mal acaba de sair da linha de montagem, o
Renault Modus já passou por um teste de impacto da EuroNCAP. Foi
o primeiro "supermíni" a ganhar cinco estrelas na segurança de
passageiros, além de quatro estrelas na segurança de crianças.
Quem se lembra? – Faltam apenas sete meses para que o
Lobini, anunciado como primeiro carro esporte genuinamente
nacional, comece a ser entregue a seus compradores (que pagaram
cerca de US$ 30 mil). Como diria o famoso locutor da TV, estamos
de olho! |
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Para usar no novo Stilo
– Dos mais completos aparelhos à venda, o Nokia 6820 traz
teclado integrado, conexão rápida, infravermelho, interface
Bluetooth, sincronização e transferência de dados. Custa R$
1.624.
Para viagens – O Cyber Home TH DV 700 é um leitor de DVD
portátil (lembra esses aparelhos usados em classe executiva de
avião), com recursos como Foto CD e tela de 7 pol. Reproduz CD,
CD-RW, MP3 e JPEG. Custa R$ 1.999. |
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