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Entrevista
"Biodiesel começa a
ser adicionado ao diesel comum no dia 1º. de janeiro"
Miguel Dabdoub
Coordenador do projeto Biodiesel do
Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas (Ladetel) da USP
Autogiro – Quando o biodiesel começa a
ser usado?
Miguel Dabdoub – A partir de 1º. de janeiro de 2005, em um
percentual de até 2%, adicionado ao diesel comum.
AG – Onde será a produção do combustível?
Dabdoub – Haverá uma pulverização da produção. São Paulo, por
exemplo, não tem tradição de produção agrícola de grãos, mas de
cana-de-açúcar. Por outro lado, o Estado tem uma estrutura muito
grande de esmagamento. Não podemos discriminar nenhuma região. Em
Varginha (MG), iniciaram a produção com mamona. Agora já estão indo
para o girassol.
AG – Por que será acrescentado álcool à
mistura?
Dabdoub – O Rudolf Diesel [cientista que, no final do século
19, em Munique, na Alemanha, concebeu o motor a óleo diesel] morreu
sem saber o que poderia ser usado no motor. Na época, o combustível
era o óleo de amendoim. Só na década de 20, houve a mistura óleo e
álcool. Ao contrário do que muita gente pensa, o álcool no combustível
não foi uma invenção brasileira. Na década de 40, começaram a
esterificar o óleo. Aí é que entrou o álcool,
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usado na época para
transformar o combustível em algo bem similar ao que depois se
conheceu por diesel. O álcool deixa o óleo vegetal mais próximo do
diesel, dos pontos de vista físico e químico.
AG – O sr. já explicou que biodiesel pode
ser produzido a partir da soja, da mamona, do dendê, o babaçu, do
pequi, enfim, de várias oleaginosas. Mas qual é a mais produtiva?
Dabdoub – Ah, de longe é o dendê.
AG – No exterior já existe biodiesel “puro”?
Dabdoub – Sim. Na Alemanha já existem dois milhões de veículos
com biodiesel. Lá existem bombas só de biodiesel.
AG – Mas, afinal, o que muda na vida dos
que utilizam óleo diesel em seus veículos?
Dabdoub – A princípio, não muda nada. No final da cadeia
produtiva, vai favorecer a produção de álcool. Ninguém vai saber, não
haverá uma bomba específica para biodiesel. Há, sim, uma tendência de
que o preço caia na medida em que o percentual de biodiesel for
aumentando. De acordo com os testes, até 30% de biodiesel não há
problemas. Biodiesel puro ataca as borrachas do sistema, no caso de
uso prolongado. Penso que a redução de preço possa ocorrer em um prazo
mínimo de três anos, para ganhar volume, concorrência.
AG – O sr. acha que o biodiesel vai
vingar?
Dabdoub – Acho que vai vingar no Brasil, sim. Vai caminhar e
depois parar um pouco para rever alguns pontos. O governo terá de
analisar sua política de incentivos. A princípio, a idéia é incentivar
praticamente só o Nordeste. Tenho dito ao governo que pobre é pobre em
qualquer lugar, seja no sertão, seja no vale do Jequitinhonha. |