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Não é que a Ford anunciou, no Salão de Paris, que vai oferecer
produtos “diferenciados” para diferentes países? Em linguagem direta,
a empresa vai produzir o novo Focus para um público com maior poder
aquisitivo, que pode pagar por um automóvel com mais tecnologia.
Enquanto isso, temos de nos contentar com um produto defasado tanto no
desenho quanto na concepção mecânica.
Já estou ouvindo o telefone tocar. “Defasado?” Não me refiro ao
fabricante, mas a um tipo de público para quem uma marca merece mais
do que devoção, mas também, digamos, torcida.
Em que pese o fato de o Focus permanecer o mesmo no mercado
norte-americano, o Brasil começa a ver seus produtos se distanciar
daqueles concebidos mundo afora. Reconfortante saber que a recuperação
do mercado interno – e também das exportações – indica uma
possibilidade de reação.
Há seis anos, Paris era só alegria. No estande da Renault, houve show
de escolas de samba saudando a nova fábrica de São José dos Pinhais,
PR. Era lançado o Peugeot 206, um futuro nacional, e confirmada a
Citroën Picasso, corroborando a tendência das minivans. O Salão de
Paris de hoje é o retrato da pequenez do mercado brasileiro.
Eis que o representante mais “pé no chão” que faz sucesso na mostra
francesa (e que deverá enfeitar os corredores do pavilhão de
exposições do Anhembi) é o Citroën C4. De resto, os modelos em comum
entre São Paulo e Paris (curiosidade interessante é que muitos são
embarcados às pressas para vir ao Brasil) são carros “dos sonhos”, bem
distante da realidade das garagens da maioria. Automóveis de pelo
menos R$ 120 mil, valor estimado do compacto BMW Série 1 ou do Peugeot
307 CC.
Basta olhar a lista de lançamentos no
Salão de Paris publicada no BCWS. Quais desses modelos
poderão ser vistos no prazo de um ano fora do quadrilátero do bairro
dos Jardins? Tudo indica que algumas marcas guardam surpresas para que
a imprensa tenha manchete. Não é possível que o maior lançamento da
Volkswagen em São Paulo seja mesmo o CrossFox, uma versão (ainda) mais
alta do conhecido Fox.
Em março, um show em memória dos dez anos da morte de Ayrton Senna
reuniu diversas personalidades no estádio do Pacaembu, em São Paulo.
Curiosamente foi a oportunidade de comprovar a diferença que existe
entre a atuação de profissionais de comunicação e outros que, apesar
de muito bons no que fazem ou fizeram (ex-jogadores que ganharam o
tetra de futebol nos EUA ou o ouro nas Olimpíadas de Barcelona), não
têm a mínima intimidade com o microfone. Bastou, por exemplo, ver a
diferença entre as performances de Galvão Bueno ou Chico Pinheiro e o
craque Dunga, naquele mesmo evento.
Algo parecido ocorre nas letras. Multiplicam-se em jornais e revistas
a figura dos informes publicitários. Particularmente, eu já havia me
acostumado a jogar fora quando vinham sob a forma de cadernos de
jornais. Só que agora invadem as páginas internas. Em boa parte deles,
a palavra final não é dos profissionais de comunicação, mas de
técnicos ou de vendedores (e neste caso há um festival de clichês que
leitor minimamente esclarecido está farto de encontrar).
Comercializadas em bancas, raras são as vezes em que essas peças
conseguem passar o recado. Na maioria dos casos (e isso tem ocorrido
cada vez mais em publicações que falam de automóveis), é papel (muitas
vezes nobre, cuchês caríssimos, de alta gramatura) jogado no lixo.
Pobres das nossas árvores...
No mesmo balaio tomo a liberdade de incluir algumas publicações
segmentadas, que tomam carona em assuntos do momento para fazer não
jornalismo, mas um amontoado de atentados ao idioma. Esse tipo de
assunto (a dosagem de tecnicismo no material editorial) é tema de
saudáveis e freqüentes discussões no BCWS. Sinto orgulho de
fazer parte de um time em que há não só informação técnica com
profundidade, mas compreensível até ao leitor que acaba de chegar. |

Neurose 1 - Agora é
lei: no prédio onde mora este colunista nenhum carro entra sem o
adesivo de identificação do condomínio. Motivo: a síndica está
alarmada com as notícias de assaltos praticados por ladrões que
entram em automóveis sem identificação. Os porteiros, por
ingenuidade, acabam permitindo o acesso de veículos sem
identificação adequada, em geral um adesivo no pára-brisa.
Neurose 2 (gumes) - Só que a síndica não sabe que outra
modalidade de assalto consiste em identificar, pelo adesivo no
automóvel, onde o motorista mora e assim rendê-lo na rua,
levá-lo ao prédio e praticar o assalto. Coisas da vida
moderna...
Somos números 1 - Ainda bem. Em parceria com a Polícia
Rodoviária Estadual, o Cesvi (Centro de Experimentação e
Segurança Viária) Brasil mapeou por modalidades os acidentes nas
estradas.
Somos números 2 - Avaliando 32 mil boletins de
ocorrência, o centro descobriu, por exemplo, que o pico de
acidentes na via Anhanguera ocorria entre os quilômetros 93 e
103, no chamado “trevo da Bosch”. O estudo levou, entre outras
ações, à criação de alças de acesso.
Somos números 3 - Por fim, pasme: 73% dos acidentes
acontecem com tempo bom, outros 14% sob chuva e 10% com o tempo
nublado. As pessoas dirigem com mais cuidado sob condições
adversas.
Até para bandidos... - Enquanto alguns fabricantes se
recusam a vender para frotistas e governos, a Volkswagen
divulgou na última semana que suas vendas nessa modalidade
cresceram 38% (o mercado em geral aumentou 19%). Resta saber,
parafraseando o diretor Paulo Sérgio Kakinoff, que disse vender
“até para bandidos”, quantos veículos este último grupo comprou. |
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