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Vez por outra, alguns colegas lembram uma história, anedótica até,
segundo a qual pesquisadores descobriram uma forma de abastecer
automóveis com água. Esses cientistas teriam desaparecido
misteriosamente. Dizem que foram mortos por contrariarem interesses
maiores – os da indústria petrolífera. “Isso é conversa para boi
dormir”, comentou outro dia comigo um desses conceituados jornalistas
especializados.
Pois bem. Na última sexta-feira, o professor Miguel J. Dabdoub (já
entrevistado em Autogiro), coordenador nacional do Projeto
Biodiesel Brasil da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto,
SP, escapou por pouco de ser morto. Dois tiros foram disparados contra
a sala do prédio em que ele estava. Dabdoub teve de se refugiar no
laboratório do Departamento de Química. Pesquisador do biodiesel há 15
anos, o professor chegou a registrar boletim de ocorrência por receber
ameaças de morte. Ex-alunos da USP que trabalhavam no Ladetel
(Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas) são acusados de
tentar vender a tecnologia.
Apresentada em Brasília no mês passado, em evento até certo ponto
discreto (lançamentos de carros costumam ter a participação de muito
mais jornalistas) do qual este colunista teve a honra de estar
presente, o biodiesel talvez fosse motivo para mais alarde caso
modificasse radicalmente a vida das pessoas de imediato – como um
automóvel com porta-luvas acionado por controle remoto...
Só que como o Brasil, num desses arroubos difíceis de entender, é o
único país no mundo em que o diesel como combustível é simplesmente
proibido nos automóveis de passeio, não é o caso. Com tradição no
desenvolvimento de programas alternativos de combustíveis renováveis –
do Proálcool aos modelos elétricos da Gurgel –, o país começará a
utilizar o biodiesel misturado no diesel a partir de janeiro do
próximo ano, nos veículos que podem usá-lo, claro. Assim mesmo, de
forma meio despercebida – do mesmo jeito que, como poucos sabem, mais
de um quinto da gasolina comercializada nos postos é álcool.
Biodiesel é extraído de plantas oleaginosas, como canola, girassol,
soja, amendoim, mamona, dendê, babaçu... De acordo com os estudos,
apresentados em conjunto com o grupo PSA Peugeot-Citroën (aliás, uma
empresa reconhecida pelo pioneirismo das tecnologias e inovações
visando preservar o meio ambiente), o B30 (30% de biodiesel adicionado
ao diesel convencional) reduz o efeito estufa (emite menos dióxido de
carbono) e melhora a qualidade do ar (reduzindo a quantidade de
partículas na atmosfera), além de diminuir a necessidade de importação
de petróleo bruto e diesel. No mais, é uma energia renovável, que
tende a criar mais postos de trabalho na zona rural. Calcula-se que
sejam gerados de 200 mil a 1,3 milhão de empregos, dependendo das
matérias-primas empregadas, e que as importações possam ser reduzidas
em até US$ 2,1 bilhões.

Não que as conclusões dos estudos não merecessem crédito. Longe disso.
PSA e Ladetel têm credibilidade para dar e vender. Só que nós,
jornalistas, estamos escolados em relação a conferências movidas por
interesses comerciais (e isso pudemos sentir pelo tom das questões na
conferência de apresentação). Na última semana, por alguma razão,
lembro que participei, no início dos anos 1990, de algumas que
mostravam os automóveis da russa Lada como tecnologia de ponta, que
desafiaria a robustez do Fusca. Pura ladainha... Quem ouviu isso há
mais de dez anos tem motivos de sobra para não acreditar em slides
que prometem um mundo de sonhos.
Só que os tiros desferidos contra o laboratório em que Miguel Dabdoub
trabalhava, na última semana, me deu a certeza definitiva para afirmar
que o projeto é sério e pode mesmo trazer um avanços sem precedentes,
sobretudo se levarmos em conta a área cultivável do Brasil. Testado em
dois modelos, um Peugeot 206 e uma Citroën Picasso, os resultados
foram animadores: não houve problemas nos motores, os desempenhos se
mantiveram praticamente os mesmos que nos automóveis de linha e os
sistemas de injeção foram devidamente vistoriados pela Bosch.
Roubo da tecnologia? Acerto de contas? Vingança? Pessoas que não têm
interesse em ver o Brasil desenvolver uma tecnologia que o torne menos
dependente do petróleo? Seja o que for, o processo já começou e não há
como voltar atrás, com ou sem a presença do professor Dabdoub, a quem
deve ser assegurada a integridade física. A mesma, aliás, que foi
negligenciada a Chico Mendes.
Ficam duas perguntas: 1) Que estímulo um país em que há pessoas de
atitude tão tacanha proporciona à pesquisa científica? 2) Quem,
afinal, tem medo do biodiesel? |

Mamma África - O
picape Montana acaba de ser lançado na África do Sul, para onde
é exportado em regime de CKD pela General Motors do Brasil. A
marca pretende exportar 15 mil unidades por ano, com volante do
lado direito.
Ajuda dos universitários - No estande da Volkswagen no
Salão do Automóvel
haverá cerca de 100 estudantes que tirarão dúvidas sobre os
produtos da fábrica. Para fornecer informações com exatidão e
rapidez, vão usar palmtops em que estarão armazenados
dados sobre os veículos.
Piada sem graça 1 - A autorizada Ford Sandrecar afirmou
que pagava R$ 16.500 por um Ford Ka completo que, zero, custa no
site R$ 27 mil e, como usado, pode ser vendido por R$ 23.500.
Piada sem graça 2 - Ao que parece, algumas revendas ainda
pensam que não existe concorrência. E parecem dispostas a
arrancar um lucro de quase 40%. Não é assim que se negocia e
quem não notá-lo simplesmente vai fechar as portas.
Delivery - Está sendo lançado o Car Business,
serviço de assessoria automotiva em mecânica e funilaria, criado
para quem não tem paciência de levar o carro para a oficina ou
mesmo cuidar da burocracia de importação de peças.
Carangas e motocas - Nesta terça, dia 5, acontece o 1º.
Encontro de Motos do Vilarejo São Paulo. Será a partir das 18h,
na rua Curupacê, 420, Mooca (altura do número 500 da avenida
Paes de Barros). Informações: (11) 6601-5281. Grátis. |
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Lava-rápido - A
lavadora de alta pressão Tekna é ideal para lavar o carro. Seu
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Alto e bom som - Para atender a consumidores que apreciam
um som de grande impacto, alta potência e excelente qualidade
sonora, a Stetsom Eletrônica está lançando o amplificador
mosfet Vulcan 10000.4, com quatro canais. Informações pelo
tel. 0800 707 1990. |
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