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Entrevista
"Hoje
praticamente todos os sinistros são investigados"
Renato Guimarães Jr.
Diretor da Simplis Consultoria de
Seguros
Autogiro – Há quanto tempo você atua no
ramo de seguros?
Renato Guimarães Jr. – Eu, especificamente, há oito anos. A
empresa, a Simplis, completou 30 anos agora. Começou com meu pai, como
um agente, trabalhando em uma seguradora. Depois resolveu montar a
corretora dele, lançando um seguro de vida em grupo para funcionários
públicos. Fez bastante sucesso. Chegou a ter 80% dos municípios do
Estado de São Paulo inscritos.
AG – O que mudou em seguro de carro nos
últimos anos?
Renato - As fraudes. Elas têm aumentado drasticamente nos
últimos tempos. Os roubos de carro também. O que eu vejo que mudou, em
razão disso, foi o preço, que vem aumentando constantemente. Há ainda
também a tendência de auditorias em cada sinistro. Antes elas eram
feitas por amostragem. Hoje praticamente todos os sinistros são
investigados.
AG – Ou seja, inverteu-se o pressuposto
segundo o qual todos são inocentes até que se prove a culpa. Hoje
todos são suspeitos...
Renato – Não que todos sejam suspeitos. Mas, se o sinistro
tiver algum pormenor, por mais insignificante que seja, vai ser
investigado. Dou um exemplo: um rapaz estava voltando para casa e
bateu em um carro parado na rua da casa dele. Alguma coisa de errado
aconteceu... Se a perícia comprovar que ele não estava em condições de
dirigir, por estar bêbado, ou mesmo se estivesse na contramão, a
seguradora não paga. Qualquer infração de lei a seguradora não paga.
AG – Quantos por cento dos sinistros
pagos pelas seguradoras, pelos cálculos, são fraudes?
Renato - Cerca de 30%. Pode-se dizer que é um número bem alto.
AG – Muita gente comete fraude sem saber?
Renato - Sim, sem saber que é fraude. Tem aquela
história de bater em alguém e, mesmo que não tenha culpa, assumi-la,
desde que o outro pague a franquia. Assim a seguradora paga o meu e o
dele.
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Tem gente que faz
isso e não sabe que é fraude. Há muitas campanhas para prevenir esse
tipo de coisa. As campanhas sempre são bem-vindas. Se a seguradora
descobre que ele fez isso, ele simplesmente perde a cobertura. E tem
de pagar por tudo.
AG – Tem como tirar um monte de coisas
que encarece a apólice e pagar bem menos por um seguro de carro?
Renato - Sim, tem, mas não vale a pena. A seguradora já faz de
forma que não valha a pena. O seguro tirando o máximo possível já sai
uns 80% do total que ele pagaria.
AG – Qual é a última palavra em seguro de
carro?
Renato – A cobertura de vidros, que não existia e é algo
recente. A outra novidade é que as seguradoras antes tinham uma norma
única em relação à troca de veículos, para o segurado continuar com os
bônus. Agora cada seguradora tem o seu tempo. Umas estabelecem um
prazo de 60 dias para aproveitar os bônus, outras de 30. Se tinha 30%,
vai perder 30% de desconto. Hoje você tem de olhar com atenção cada
apólice, pois não existe uma uniformidade no mercado. Cada uma tem uma
maneira de trabalhar, com prazos diferentes, regras diferentes.
AG - Grandes grupos que entraram no
mercado ajudaram ou atrapalharam?
Renato – Alguns ajudaram. Atrapalharam os que são grandes lá
fora e entraram no Brasil querendo comprar mercado. Acho que causaram
prejuízo, pelo menos para os corretores, que tiveram de vender um
produto mais barato. Alguns venderam sem intermediação do corretor. E
o que aconteceu? Teve seguradora sendo comprada aqui pelas grandes
nacionais. Perdeu o lado mais fraco da história, o do corretor. |