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Na
última semana recebi o telefonema de um diretor de marketing dizendo
que o dono de uma concessionária, citada por mim na última semana,
ficou indignado com um comentário que fiz. Em uma nota, escrevi que os
que tentarem ganhar muito dinheiro explorando o consumidor vão fechar
as portas. O executivo chegou a me questionar se era algo pessoal, por
alguma razão.
Não, não era pessoal. É não só hábito de abelhudo, mas dever
profissional de repórter, entrar em loja, ir a feiras de automóveis e
perguntar, inquirir, sentir a quantas anda o mercado. Tanto que, no
último sábado, em outra revenda, ao questionar um vendedor sobre
determinado veículo, citando números de catálogo e opcionais, o homem
não resistiu e perguntou: “Você é de revenda, amigo?” Ao que respondi:
“Não, sou só um consumidor curioso...”.
Alguns fatos (sobretudo os que causam indignação) acabam virando nota,
uma coluna inteira ou até uma reportagem em algum veículo de imprensa.
Vamos então ao ponto: por que querer ganhar 40% sobre uma compra e
venda de automóvel faria alguém fechar as portas? Em primeiro lugar,
porque o consumidor está de olho no que se pode chamar de capitalismo
predatório. Isso cria rejeição. O rejeitado não percebe, pois é um
processo lento, gradual. Posso explicar de forma simples. Simples a
ponto de usar a “parábola do iogurte”.
Adoro iogurte Nestlé. É o melhor que existe no Brasil. Tomo o
desnatado (aquele verdinho), que é mais saudável. Como me ensinou o
professor Luis Carlos Ewald (aquele pão-duro de cabelo e barba
brancos, que às vezes aparece no Fantástico e que já foi tema
de Autogiro), melhor do que
se encantar com banda de música, com garotas que ganham R$ 20 para
passar oito horas de pé, acenando uma bandeira, ou um sorriso falso de
um vendedor desesperado é criar intimidade com os preços.
Sim, porque muitas vezes o “pagamos o preço justo pelo seu carro”,
como está em uma revenda na marginal Pinheiros, não passa de balela.
Ah, o iogurte. O que eu compro sempre custa em média R$ 1. Quando está
em oferta, sai por R$ 0,85, R$ 0,90... Às vezes dá a louca no
supermercado, que o vende a R$ 1,20, até R$ 1,30. Pois quando o Nestlé
está sendo vendido a esses preços mais altos, eu dou uma olhada em
Batavo, Vigor, Paulista, Parmalat... Às vezes arrisco a levá-los para
casa. Não têm a mesma consistência e qualidade, mas chegam a
surpreender na cremosidade. Dia desses me encanto com um produto da
concorrência e troco de marca de uma vez por todas...
O quê? O colunista está ficando louco por comparar carros a iogurtes?
Não precisaria ir tão longe. O mundo árabe, que controla a maior parte
do petróleo mundial, foi um dos grandes responsáveis pela viabilidade
de iniciativas como a da cinqüentona Petrobras ou a produção em outros
países, como Venezuela. Tivesse o preço ficado em um patamar, digamos,
“suficiente”, a hegemonia dos países do Oriente Médio teria proporções
de monopólio.
Voltando aos automóveis: o problema é que boa parte das fábricas que
aí estão foram implantadas sob uma economia fechada, pouco afeita à
concorrência ou mesmo a alguns conceitos tão caros ao consumidor – um
bom pós-venda, um atendimento à altura dos milhares de reais que ele
desembolsou, a atenção mesmo depois de a compra se concretizar.
Imperavam até início dos anos 1990 outras máximas, a saber: 1) Não
quer o veículo assim? Tem quem queira... 2) Pense bem antes de
comprar, pois, se der defeito, não aceitamos reclamações (dia desses
vi estampada no jornal a foto de uma loja de sapatos que ostentava uma
placa assim). 3) Carro é um bem durável, um patrimônio para toda a
vida.
Foi tamanha a birra da tal concessionária, que subvalorizou um usado
na troca por um novo (e não há nada de pessoal aqui; tanto é que faço
questão de não citar uma única marca), que, mesmo se me oferecerem um
ofertão, não vou comprar deles. Pensarei: “Ih, eles devem estar
ganhando muito em algum lugar”. Incrível como cometo um pecado mortal
por simplesmente conhecer o mercado um pouco mais do que a média
daqueles que adquirem seu carro zero-quilômetro pela primeira vez.
Aquele “você é de revenda, amigo?” ainda ecoa na minha mente como um
“não sabia que vocês estavam fazendo investigação comercial”.
Dez anos atrás eu comprava um automóvel zero em uma concessionária do
bairro da Pompéia. Não era algo usual o emplacamento na revenda, coisa
que aquela fazia (era então a maior da marca). Surpreso, perguntei:
“Nossa, o carro sai daqui emplacado?” O vendedor, em tom blasé,
respondeu: “Ora, você está na Fulana de Tal”, dizendo o nome da
autorizada.
Lembro, por outro lado, que a garantia do veículo que comprei havia
vencido fazia 15 dias e tentei trocar o botão do pisca-alerta, que
funcionava sem parar. “Ah, a garantia está vencida. Não podemos fazer
nada”, disse o atendente, que cobriu muito bem cobrado pelo
“conserto”. Nunca mais pisei naquele ambiente de arrogância. Hoje o
imponente imóvel que servia como showroom está vazio, à procura
de alguém disposto a alugá-lo. Continua |

Mercado flex - Em
2003 foram comercializadas 48.178 unidades de automóveis de
passeio e comerciais leves com motores
flexíveis, 3,7% do mercado
total. Em 2004, no acumulado de janeiro a agosto, as vendas de
182.274 unidades, 18,8% do mercado.
Dedodurismo oficial – Agora as companhias de seguro
enviam com a fatura do mês um impresso com telefone para
denúncia de fraude. “Você não precisa se identificar”, diz o
boleto. Se preferir, o segurado pode denunciar pelo correio ou
por um site.
Tá russo 1 – O Gol agora é exportado para a Rússia, logo
depois de ter chegado a mercados de países da América Latina,
Oriente Médio, norte da África e China.
Tá russo 2 – As exportações começaram oficialmente no
último mês, com o desembarque do navio Repubblica Argentina, de
bandeira italiana, no porto de Hanko, na Finlândia. O lote de
567 Gols seguiu por terra até Moscou.
Sem preço de banana 1 – Como no texto principal desta
coluna citei preço de petróleo (que aliás tem batido recordes
nas últimas semanas), vale lembrar um erro histórico: “Quando o
país for auto-suficiente na produção de petróleo, o preço da
gasolina vai baixar”. Errado.
Sem preço de banana 2 – Como as commodities têm
preços internacionais, pode esquecer: não é o fato de o petróleo
“ser nacional” que vai fazer o preço cair, pois os valores
seguem padrões internacionais.
Cola aí – Donos de carros socados e irados
de plantão já têm uma data de 2005 para colocar na agenda: 6 a
10 de abril. É quando acontece o 1º. Salão do Tuning. O
ex-piloto Emerson Fittipaldi é um dos responsáveis pelo evento. |
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Vai um filminho aí?
– O leitor de DVD portátil Mustek L 207 tem tela de sete
polegadas e carregador que pode ser ligado ao acendedor de
cigarro ou tomada de 12 volts. Preço: R$ 2.000.
Jogo para PC – O game Toca Race Driver 2 vem em DVD-ROM,
com a mais variada gama de esportes motorizados do mundo. Custa
R$ 100. |
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