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Entrevista
"O carro tunado de
hoje é o carro de linha de daqui a dois anos"
Valmir Ventura
Assessor comecrial do Salão de Tuning,
que acontece de 6 a 10 de abril
Autogiro – Na sua opinião, o tuning
é um modismo ou algo que veio para ficar?
Valmir Ventura – Acho que é uma tendência que veio para ficar.
Com a multiplicação dos eventos, vai começar a pegar não só os
aficionados, mas os consumidores comuns, passando de um para o outro.
E pegar o pessoal que não conhece esse mercado. Tem muita gente que
procura uma certa identidade, sobretudo o jovem. Acho que ainda vai
crescer bastante entre os jovens.
AG – Como você vê possíveis problemas de
legislação, com as modificações que são feitas no automóvel?
Ventura – Uma preocupação do salão também é essa. Vamos
promover workshops informando o que é legal e o que não é,
dizendo o que é necessário para legalizar um carro. Há clubes que
trocam informações entre eles, procurando informar os proprietários de
automóveis.
AG – Quanto e qual é o perfil esperado
para o salão?
Ventura – Aproximadamente 20 mil pessoas por dia, entre classes
A e B, com uma faixa da classe C. Há uma estimativa de que as pessoas
gastam cerca de R$ 5.000 por ano para tunar o carro. Não há pesquisa
oficial de perfil de público. Fizemos já três eventos e nossos
contatos nesses eventos traçam esse tipo de perfil. Temos um rapaz em
Curitiba que, sozinho, gastou
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R$ 150 mil em um
carro. Modificou toda a estrutura do carro. Para o salão vamos levar
um BMW tunado.
AG - Onde vai parar essa onda?
Ventura – Ainda vai crescer bastante. Todo mês há novas
revistas sobre o tema nas bancas...
AG – E as fábricas, na sua opinião também
estão aderindo?
Ventura – Sim. Temos no evento já um Fiesta com modificação no
pára-lama, de fábrica. O carro tunado de hoje é o carro de linha de
daqui a dois, três anos. O Fox equipado também é outro exemplo, bem
como as séries especiais, que mostram a adesão das fábricas. Acho que
a tendência é aumentar. Nos EUA, há uma linha de fábrica que já
comercializa o carro pronto para ser modificado.
AG – Por outro lado, será que não vai ter
gente interessada em ter um carro, digamos, comum?
Ventura – A frota brasileira está em torno de 20 milhões. Está
chegando a 1% o número de veículos tunados. O tuning vai desde
um rádio diferente até a configuração mais equipada possível. Não é só
carro todo completo, com aerofólio, roda etc. Vai desde uma alteração
mais simples a uma mais complexa. Os consumidores não querem só o
carro original, mas dar aquele toque pessoal. Daí vem o fenômeno
tuning.
AG – Isso demonstra ainda um poder
aquisitivo maior de faixas mais jovens?
Ventura – Sim, há uma grande fatia de público que busca emoção.
Por outro lado, vemos muitas pessoas mais velhas com modelos
modificados. Você não acredita no que um senhor de 70 e poucos anos
fez no Marea dele [risos]. |