O neto pergunta ao avô:
– É verdade que quando o senhor era pequeno não havia televisão?
O avô responde que sim, e o menino emenda:
– Então onde é que vocês jogavam videogame?
Piada de Luis Fernando Verissimo
Uma das primeiras
coisas que se aprende em aulas de história é lançar mão de mecanismos
para não estudar o passado com os olhos do presente. Reações, decisões
e medidas que se mostram equivocadas mesmo a curto prazo precisam ser
analisadas não só a partir de um diagnóstico psicológico do
protagonista da ação, mas do contexto em que elas se passam.
Nesta Autogiro, sempre faço comparações com comportamentos e
serviços no Brasil em relação a outros países. Primeiro porque é
importante ter parâmetros. Segundo porque uma mania nacional (e falar
sobre as manias nacionais não deixa de ser mais uma mania nacional) é
dizer que o país tem “o maior isso” ou “o melhor aquilo” do mundo.
Quem vê de longe o “país do futebol” (que aliás perdeu para o Equador
na semana passada) talvez tenha impressão de que aqui não existe
impunidade – será que acham isso os turistas atacados por ladrões nas
praias do Rio de Janeiro? É que brasileiro ama elaborar mais e mais
leis. A última do papagaio é a paulistana “lei dos valets”, que
procura colocar um pouco de ordem nessas empresas que contratam (?)
manobristas para estacionar o automóvel das pessoas.
O que diz a lei:
> A empresa precisa estar regularmente constituída, ter em seus
quadros motoristas devidamente registrados, nos moldes estabelecidos
pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), assim como regularmente
habilitados para a condução de veículos na categoria profissional (B),
que deverão se apresentar uniformizados e identificados.
> É preciso comprovar que celebrou acordo com os trabalhadores
eventuais junto ao sindicato da categoria e na Delegacia do Trabalho.
> Deve ter local adequado e seguro para o estacionamento dos
veículos.
> Precisa apresentar relatório técnico de impacto de
vizinhança, fazer seguro para cobertura de incêndio, furto, roubo e
colisão do veículo e seguro de percurso.
> É obrigatório emitir recibo a ser entregue ao cliente, para
eventual comprovação futura de que se utilizou dos serviços de
valet, que tenha nome da empresa, número do CNPJ (Cadastro
Nacional de Pessoa Jurídica), dia e horário do recebimento e da
entrega do veículo, nome do modelo, marca e placa do automóvel, local
onde o veículo foi estacionado e a frase: “A empresa prestadora dos
serviços de valet assim como o estabelecimento são
solidariamente responsáveis por quaisquer danos causados aos
veículos”.
A lei ainda menciona que os manobristas devem ser orientados em
relação ao código de trânsito (se for preciso, recebendo até aulas),
que os preços e o valor do seguro devem ser afixados em local visível,
entre outras orientações, inclusive a de ser “expressamente vedado” o
uso de via pública para estacionar ou reservar vagas.
Dois anos atrás, fui um conhecido bar da Vila Madalena, em São Paulo –
sabe aqueles lugares legais, com música ao vivo, em que você só vai em
ocasiões especiais? Tudo poderia ter sido perfeito, mas o carro que eu
dirigia foi estacionado sobre a calçada de uma praça e multado, com
justiça, pela fiscalização. Quando a multa chegou, primeiro que eu não
conhecia o lugar. Em segundo lugar, eu jamais estacionaria o veículo
sobre a calçada.
Resolvi, antes de procurar os Procons da vida, cobrar a multa
diretamente dos responsáveis. Metódico ao extremo, havia anotado na
agenda onde havia ido àquela noite. Embora desencorajado por um amigo
(“Ah, é melhor pagar os R$ 120...”), voltei ao local e tive uma
surpresa boa, até certo ponto. A reação da pessoa que cuidava do
serviço foi: “Realmente, tivemos superlotação naquela noite e alguns
carros foram parados sobre a calçada”. Assumiu e se comprometeu a
pagar, o que acabou fazendo. Conheço gente que já tomou altas
canseiras. Continua |

Contra a distração 1 -
Mercado indo bem, empresas animadas e muita inventividade.
Foi assim o congresso SAE Brasil, que apresentou várias
inovações interessantes. Uma delas é o reconhecedor de placa de
velocidade, mostrado pela FEI (Faculdade de Engenharia
Industrial).
Contra a distração 2 - Um programa de computador ligado a
uma câmera no carro captura imagens de placas de velocidade,
interpreta o que ela diz e compara com a velocidade do carro,
soando um alarme se o veículo estiver mais rápido. Distraídos,
seus problemas acabaram!
Pelo conforto 1 - O estande da Bosch, por sua vez,
mostrou o simulador de assento dinâmico de direção (DDSCompact),
que adapta o suporte lateral do encosto às condições de direção
usando bolsas de ar embutidas.
Pelo conforto 2 - Ah, ligado ao ESP (controle de
estabilidade), o sistema determina quando e quais bolsas de ar
devem ser infladas. É possível ainda programar o equipamento
para fazer massagens nas costas.
Sempre alerta 1 - O Departamento Nacional de Trânsito
acaba de aprovar o Dasp, dispositivo que ativa as luzes de freio
do veículo quando ele estiver parado, independentemente de o
motorista estar pisando no pedal de freio.
Sempre alerta 2 - A idéia é evitar colisões na traseira
quando um carro pára na pista, em razão de uma interrupção do
trânsito, por exemplo, ainda sem ligar o pisca-alerta.
Picape da Honda - Marca japonesa acaba de apresentar o
Ridgeline, primeiro picape da marca, a ser comercializada no
próximo ano. Já é um dos modelos previstos para ser mostrados no
Salão de Detroit, EUA, em janeiro. |
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