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Existe uma velha ladainha que fala em lei de mercado (ah, o mercado
quer assim), tendência (a tendência é a cor tal) e até algo entre
tradição e cultura. Outro dia fui ao lançamento de um CD de um artista
popular brasileiro. Seu empresário, questionado sobre o porquê de fora
do país alguns cantores lançarem singles, disse que "o Brasil
não tem tradição de single".
Tradição? Então pobreza mudou de nome. Muito brasileiro não tem
tradição de fazer três refeições por dia... Um CD com 15 músicas já é
inacessível para a maioria (onde prolifera a pirataria?), que dizer de
um disco com apenas uma música?
Nos automóveis ocorre o mesmo. Antes da revisão das alíquotas do IPI
(Imposto sobre Produtos Industrializados) em 2002, "especialistas" de
plantão falavam sobre a tendência de o brasileiro comprar veículos
1,0-litro. Afinal, o que mudou a não ser os preços mais acessíveis
para modelos de cilindrada maior? Daí há a "cultura" de automóveis de
quatro portas – tudo porque falta de opção mudou de nome.
Outro dia critiquei o conservadorismo de quem adora carro prata, ao
que uma amiga puxou minha orelha. Escreveu-me perguntando: "Afinal,
seu carro não é prata?" Sim, e troquei por outro. Adivinha de que cor?
Prata! Adoro carro prata? De jeito nenhum. Mas as opções na
concessionária eram preto, que suja muito fácil, e um verde musgo de
que não gostei. Ah, manda o prata! Havia outras cores? Sim, só que
eram outros catálogos, ou muito básicos ou muito luxuosos para o bolso
de um pobre jornalista.
De outros especialistas, já ouvi: "Brasileiro gosta de trocar marcha".
É mesmo. Eu amo. Principalmente quando pego a marginal do rio
Pinheiros na confluência com a avenida dos Bandeirantes, em São Paulo,
no final de tarde. Belo substituto de academia. Nem preciso ficar
apertando aquela bolinha de borracha para desestressar. Dê-me um
câmbio automático para ver se não crio a "cultura" de nunca mais
querer pisar em uma embreagem...
Hoje quem pode tem automóvel com ar-condicionado e direção assistida,
mas já houve um tempo em que os dois eram vistos como luxo. O ar hoje
é tido como imprescindível para garantir a segurança, e a assistência
de direção, como essencial para um dirigir confortável.
O que dizer então das bolsas infláveis? Adorava fazer reportagens
dizendo que "brasileiro não paga pela segurança de uma, mas gasta até
mais com ar-condicionado". Na vida real, porém, faz sentido. Se tenho
de escolher entre um conforto constante e a proteção em um acidente,
algo que espero ser episódica, aliás, nula, fico com a primeira opção.
É por causa de gente assim que não aumenta a escala de produção de
bolsas infláveis, e o preço não cai? O que fazer, se sou só mais um na
multidão?
Aliás, sou mesmo. Não é raro eu me pegar achando um extraterrestre o
motorista que, como eu, não instalou uma película escura nos vidros.
Não cheguei às raias do ridículo pensando o mesmo de alguém que não
pregou o famoso engate. Tenho inclusive dado boas e sarcásticas
risadas de gente que danifica muito mais o automóvel em pequenas
batidas que não teriam grandes conseqüências, mas tiveram em razão da
bolota traseira.
Então, resumindo o que manda a “cultura”, a “tradição”, a “vontade
popular” em termos de carro: é um veículo pequeno, com motor
1,0-litro, prata, com filme, engate, ar-condicionado, direção
assistida. Sem bolsas infláveis. Em vez do engate, que tal um adesivo
do tipo “mantenha distância”?
Para confirmar que todos somos iguais, inclusive perante a lei (claro
que há uns mais iguais do que os outros), vou paulistanamente pedir
isenção do rodízio, assim como ocorrem em algumas categorias
profissionais, como a dos médicos. Sou jornalista. Tenho de sair de
casa mais cedo. Não posso ter meu direito de ir e vir cerceado. É
contra a liberdade de imprensa! Abaixo o rodízio para jornalistas.
Somos menos iguais que os outros. Mas com a mesma “cultura”.
Nosso entrevistado é Vittorio Rossi Jr., filho do famoso Primo Rossi
(lembra-se da famosa tirolesa “Parabéns, Primo Rossi, parabéns...”?).
Ele fala sobre o que mudou no mercado nos últimos 40 anos.
Continua |

Calendário flex 1 -
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores) comentou, na última segunda-feira, que cinco
fabricantes já têm motor flexível.
Calendário flex 2 - Por ordem de ingresso na produção:
Volkswagen (março de 2003), Fiat e GM (junho de 2003), Ford
(julho de 2004) e Renault (outubro de 2004).
Pleno vapor - Eis que a produção de veículos ultrapassou
os dois milhões. Foram 2.020.704 entre janeiro e novembro (20,8%
a mais que no mesmo período de 2003, quando foram fabricados
1.672.983 veículos).
Perda de espaço - Modelos 1,0-litro, que já quase bateram
nos 80% do mercado, estão com 57,4% na média do ano, enquanto
carros entre 1,0 e 2,0 litros estão em 42,2%. Mais de 2,0 litros
respondem por apenas 0,4%.
Quase um terço - Enquanto isso, modelos flexíveis
(contabilizados pela Anfavea como a álcool) ultrapassaram os 30%
pela segunda vez no ano – em setembro representaram 32,1% e em
novembro 30,8% dos automóveis novos vendidos. |
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Música portátil -
Boa dica de presente para viagens é o
MP3 Philips Key 014 256 MD. Com
256 MBytes de capacidade e conexão USB ao computador, armazena
oito horas de música. Preço: R$ 829.
Livro dos recordes - Você sabia que o carro mais comprido
do mundo é uma limusine de 30,5 metros e 26 rodas? Essa é só uma
das curiosidades sobre o mundo dos automóveis que estão no
Guinness World Records 2005 (Ediouro), que custa R$ 74,30.
Som - Com capacidade de tocar CD, CD-RW, MP3 e WMA, o JVC
AR 7000 tem 50 watts de potência, sistema Sirius com 24 bits e
painel de 256 cores. Custa R$ 2.500. |
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