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Volta e meia é recorrente em discussões de adultos temas relacionados
a personagens de histórias em quadrinhos e desenhos de TV, daquelas
tardes em que a gente ia para a escola de manhã cedinho e depois se
dava ao luxo de, tomado por um ócio só permitido às crianças, ficar
vendo as peripécias dos mais estranhos bichos que permearam nossas
infâncias... “Você se lembra do Zé Colméia?”, começam normalmente
essas histórias.
Nesta época de final de ano – e de velhos clichês, como o da esperança
renovada pela expectativa de tempos melhores e blablablá –, é quase
impossível não lembrar um tempo em que tateávamos o carro do pai ou do
avô, virávamos alegremente o volante com o veículo parado ou mesmo nos
arriscávamos a apertar a buzina, o que invariavelmente rendia o pito
de um adulto.
Se os pés não alcançavam nos pedais, a época em que não havia números
tão escabrosos de mortes no trânsito (mais provavelmente por falta de
estatística do que de fatalidades) entrava para a história como uma
meia independência, a da magia de a curva que fazíamos com as próprias
mãos. “Pedala, pai”, disse certa vez um primo ainda criança, quando o
pai parou no sinal.
Sim, lugar de criança é no banco de trás. Mas quantos de nós não
transgredimos essa regra? Hoje isso é impensável e nem de longe estou
incentivando tal prática (acho absurdo crianças de menos de dez anos
no banco do passageiro...). Mas esse fascínio pelo poder de dirigir um
automóvel reproduzíamos no parque de diversões, só que com um
componente deliciosamente inconseqüente – nos carrinhos de bate-bate
dos parques de diversão.
Costumo dizer a quem às vezes observa de forma negativa a segmentação
da mídia (já há no Brasil revistas de charutos e de vinhos) que não
haveria sentido em ter, pouco mais de um século atrás, uma revista ou
mesmo um suplemento de automóveis. Ou de aviões. Ou de informática – o
que já mudou consideravelmente nos últimos 25 anos, em conteúdo,
abordagem e sobretudo aplicabilidade prática.
Mas voltemos aos desenhos... Outro dia revi, numa dessas sessões da
tarde, todos os recursos que tinha o Mach 5, carro do invencível Speed
Racer (sim, aquele rival do Corredor X), do desenho japonês. No centro
do volante, havia várias teclas (de A a G), sendo que cada uma
acionava um recurso (o carro saltava, serrava o que passasse à frente,
ficava completamente vedado para missões submarinas, sei lá).
Nunca chegamos a essa era (até porque não seria ambientalmente correto
sair serrando árvores por aí). Se bem que quase. Bolsas infláveis que
em fração de segundo salvam a vida do motorista não deixam de ser um
equipamento seriamente derivado do desejo de infância de viver. E
brincar. E estar no mundo. E acreditar. E querer o bem (puxa, esse
trecho mais parece um cartão de Natal).
Poderia falar muito mais dos carros nos desenhos animados – outro dia
um colega fez uma bela reportagem sobre a célebre Corrida Maluca.
Porém, como é fim de ano e só falei de atrações do passado, quero
contar o que outro dia vi... Só para quem não deixou de ser criança! É
Bob Esponja, o Filme, que estréia nos cinemas no dia 24 de
dezembro. Nele, nosso herói parte com o amigo Patrick Star (uma
simpática estrela do mar) para recuperar a coroa do rei Netuno,
roubada pelo vilão Plâncton...
Quem curte automóveis não pode deixar de sorrir quando Bob apresenta
ao amigo o hambúrguer de siri móvel (na ilustração) que os levará para a aventura.
Como alguém que mostra o novo Ferrari, abre o “capô”, onde fritadeiras
são parte do motor e as rodas são de picles. E partem para a aventura
– que não vou contar para não estragar a surpresa.
Tudo isso pra dizer, nesta última coluna do ano, que poucas invenções
dos últimos séculos surgem de forma tão forte na fantasia e no
imaginário das crianças como o automóvel. E talvez por coisas assim,
que simplesmente não conseguimos explicar, ele exerça tanto fascínio
em tantos de nós.
Gostaria de me desculpar pelo fato de a coluna ter saído atrasada esta
semana (em vez de terça, sexta-feira). Mas é a última de 2004 e vai
ficar mais tempo no ar – Autogiro só volta dia 4 de janeiro.
Quero ainda agradecer pela companhia neste ano. Concordando ou não com
as mais amalucadas colunas, no fundo todos queremos o mesmo: ajudar a
pensar essa maravilhosa invenção, o automóvel, e sua interação com as
pessoas para melhorar a qualidade de vida de todos nós.
A todos, um ótimo Natal e um 2005 cheio de alegrias. |

Investimento 1 - A
Volkswagen anunciou que vai injetar R$ 99 milhões na fábrica da
via Anchieta, em São Bernardo do Campo, SP, para produzir o Fox
para exportação.
Investimento 2 - No mesmo evento em que ocorreu o
anúncio, dia 17, em São Paulo, a fábrica comemorou 500 mil
unidades do Gol exportadas para 50 países entre 1980 e 2004.
Melhores momentos - Céu de brigadeiro também para a Ford,
que comemorou recorde de vendas do EcoSport em um mês desde seu
lançamento, em janeiro de 2002 – 4.160 unidades emplacadas em
novembro.
Promoção - A Tokio Marine Seguradora vai oferecer, em
parceria com a Varga, checagem gratuita de diversos itens do
automóvel aos segurados que estejam com a apólice do carro em
vigência, aos corretores e aos profissionais da seguradora.
2005 acelerado - Confirmadas a Mil Milhas de Interlagos
para a 0h do dia 25 de janeiro. Quem quiser assistir terá de se
apressar, pois os ingressos na arquibancada estão limitados a
11,5 mil lugares. Há treinos nos dias 22 e 23.
Perigo na estrada - Até outubro ocorreram nas estradas
federais 57.519 acidentes, sendo 18.248 com caminhões e 2.561
com ônibus. Segundo a CNT (Confederação Nacional dos
Transportes), 51,5% dos motoristas trabalham de 13 a 19 horas
por dia. Essa jornada excessiva seria uma das principais causas
de acidentes. |
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Pioneiro da F-1 -
Quem ainda não comprou o presente de Natal pode adquirir o DVD
que comemora os 30 anos do bicampeonato de Émerson Fittipaldi (o
título tem o nome do piloto), que tem qualidade de cinema. Está
à venda em bancas e livrarias. Preço: R$ 39,95.
DVD a bordo - Com monitor de teto de sete polegadas
Wide-Screen, em que é possível curtir DVD e
MP3, o Clarion OHMD 74 é outra
boa opção de presente. Tem entrada externa para videogame,
controle remoto e luminária. Preço sugerido: R$ 5.800. |
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