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"Parabéns! Você está na melhor rodovia do litoral fluminense."
Depois de horas ao volante (em quatro dias foram quase 1.600 km a
bordo de um Chevrolet S10 a diesel), fiquei até com vontade de soltar
um solitário "muito obrigado", mas dizer que preferia a minha parte em
dinheiro – ou melhor, em pedágios mais baratos ou que pelo menos
compensassem o tal desembolso.
As estradas, pelo menos as das regiões Sul e Sudeste, procuram
incorporar alguns elementos das relações de consumo. Efeitos da
exploração da iniciativa privada. Mais ou menos como quando pego algum
vôo e a comissária diz ao microfone: "Sabemos que a escolha da
companhia aérea é uma questão de preferência". Não é. Ou é preço ou é
coisa "da firma" (ou seja, ainda é preço). Ou comprei uma passagem da
Varig e me mandaram de TAM (ou vice-versa). De novo é preço!
Como se fosse possível escolher a estrada. Aliás, as concessionárias
de rodovias também resolveram emprestar as famigeradas condicionantes
tão em voga na indústria automobilística. Quando querem propalar sua
liderança, algumas fábricas tratam de restringir o universo (líder no
segmento dos compactos verdes de duas portas com friso lateral etc.).
Ou "você está na melhor rodovia que liga Niterói a Búzios...".
Pesquisa realizada durante um mês por equipes técnicas da CNT
(Confederação Nacional dos Transportes) mapeou os melhores e piores
trechos das auto-estradas brasileiras. Campeã foi a rodovia dos
Bandeirantes, entre São Paulo e Limeira. Já o pior trecho ficou com o
que liga Poços de Caldas, MG, quase divisa com o Estado de São Paulo,
a Lorena, SP, cidade que é passagem obrigatória para quem vai para o
Rio via Dutra. O trecho superou (no mau sentido) até uma região bem
mais pobre, a estrada que liga Fortaleza, CE, a Picos, PI, segunda
colocada no "ranking do mal".
Tudo bem que o Brasil não tenha exatamente estatísticas confiáveis,
mas não é preciso ter a neurose com números que existe nos EUA para
saber que a maior causa de acidentes de trânsito é a falha humana. Os
dados mais radicais falam em 90%, divididos entre imperícia,
imprudência e negligência. Outros 6% seriam provocados pela má
conservação das vias (segundo a CNT, só 5,4% são ótimas e 11,6%, boas)
e 4%, por defeitos mecânicos no automóvel.
Nessa minha viagem de Réveillon vi toda sorte de assassinos em
potencial. Boys que só deixam o farol de neblina aceso na
estrada escura (e que ainda reclamam se você não os enxerga direito),
ultrapassagens na base da roleta-russa (ou seja, não só na faixa
contínua, mas sem a mínima garantia de que não há outro veículo no
sentido contrário).
Acostamento virou faixa adicional, sobretudo nas estradas mais
estreitas (e o maluco aqui resolveu voltar pela Rio-Santos). Toda e
qualquer lógica é contrariada: no acostamento se anda em alta
velocidade e com pisca-alerta aceso (sim, o equipamento só deveria ser
acionado com o veículo parado!). Resultado: acidentes e mais
acidentes.
Investir alto (e lucrar bastante) com estradas é uma tendência
mundial. Há quase um mês foi inaugurada na França a ponte mais alta do
mundo, com 343 metros (19 a mais que a torre Eiffel), sobre o vale
Tarn (ligação entre Paris e a fronteira com a Espanha). O projeto
custou 394 milhões de euros. Ainda assim a Eiffage, construtora
responsável pela obra, está rindo à toa: o pedágio custará o
equivalente a algo entre R$ 20 (na baixa temporada) e R$ 26 (na alta)
e a empresa poderá explorar a concessão por 75 anos.
Aqui a iniciativa privada em concessões de rodovias é um fenômeno
relativamente recente. O Estado percebeu que não tem tentáculos
suficientes para cuidar das auto-estradas. Por outro lado, por um
reflexo do que ocorre com os impostos, temos a crônica impressão de
que o dinheiro que gastamos não é revertido em nosso benefício.
É inegável que existem no país obras de Primeiro Mundo (veja a ponte
Rio-Niterói, construída em meados dos anos 70) e estradas com uma
qualidade notável (uma Carvalho Pinto, o Rodoanel...). Mas de nada
adianta ter estradas assim se o motorista (exato, aquela pecinha atrás
do volante) é de Terceiro Mundo. Nos últimos anos os automóveis
receberam o que há de melhor em tecnologia de conforto e segurança.
Mas o que fazer, se o pior do Brasil é o brasileiro? |

Jus ao slogan 1 - A
General Motors do Brasil, cujo bordão era “andando na frente”,
assumiu pela primeira vez a liderança no mercado brasileiro, com
364.259 veículos emplacados em 2004 e participação de 23,1%.
Jus ao slogan 2 - Há indiscutíveis méritos: modelos
modernos, como Meriva, novo Corsa e Montana. Mas outros
defasados, caso de Astra, Celta, S10/Blazer e Vectra. De
qualquer forma, não deixa de ser um aviso para Fiat e
Volkswagen.
É verão 1 - Até 13 de fevereiro, a Ford participa da ação
Maré Claro by Siemens, no litoral paulista, que inclui um centro
de convivência flutuante no navio Borodine, que estará ancorado
alternadamente entre as praias de Ilhabela, Baleia e Ubatuba.
É verão 2 - No navio haverá um showroom com
modelos da Ford, que fará (em terra firme, claro!) teste com
veículos da marca – Fiesta Sedan Flex, Focus Sedan, EcoSport e
Ranger.
Haja bolso - Aviso aos motoristas: o IPVA (Imposto sobre
a Propriedade de Veículos Automotores) está em média 7% mais
caro neste ano. Fique atento para não perder o prazo!
Berço do automóvel - Neste ano o Salão de Detroit (EUA)
começa um pouco mais tarde. As coletivas de imprensa acontecem
do dia 9 ao dia 11. São aguardados mais de 6.600 jornalistas de
68 países. O BCWS, como habitual, faz uma completa
cobertura. |
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Tan tan tan -
Fãs de Ayrton Senna têm no autorama Marca de um Campeão, da
Estrela, uma boa pedida de brinquedo. Custa R$ 750.
Moto - Este é para os amantes das duas rodas: o livro
Manual Completo da Moto: Mecânica e Manutenção, de George
Lear e Lynn S. Mosher. Preço: R$ 86. |
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