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Entrevista

"Hoje ninguém mais esconde quando tem um carro blindado"

Alexandre Ret

Diretor comercial da O'Gara-Hess & Eisenhardt


Autogiro – Ouvi dizer que você tem uma tese segundo a qual o mercado de blindados passará por uma depuração em 2005. É isso mesmo?

Alexandre Ret - A gente tem várias empresas no mercado, em torno de 60, e o volume de blindagem não comporta todas elas. E os usuários, com o passar dos anos, estão começando a conseguir diferenciar bem um produto do outro, ou seja, quem é aventureiro e quem não é. Isso é uma teoria até da Abrablin [associação das empresas de blindagem], de que empresas que são aventureiras vão mudar o ramo de atividade. Os clientes estão notando com quais é melhor trabalhar.

AG – Haverá novidades em termos de tecnologia?

Ret - É possível, pois todo ano é feito algum avanço tecnológico, em termos de composição do vidro ou de material de parte opaca. De uma maneira geral, a blindagem tem ficado cada vez mais leve e parecida com o acabamento original do veículo.

AG - Hoje quanto pesa uma blindagem?

Ret - Aproximadamente 200 kg, em média. É o peso de menos de três pessoas, ou seja, não é tanto assim. E normalmente os carros que são blindados têm uma capacidade de carga bastante generosa.

AG – E qual é o modelo mais blindado?

Ret - É o Toyota Corolla, por inúmeras razões. Não é um carro tão caro, atende bem o dia-a-dia do trânsito de São Paulo, e o pessoal usa para levar as crianças à escola, essas coisas. A gente aqui tem também um público AA. Então há muitos BMW, Mercedes-Benz, Jaguar, Porsche. Mas se for quantificar em números absolutos, o Corolla é o que mais é blindado.


AG
– Algumas blindadoras se auto-intitulam as “oficiais” de grandes marcas nos países da matriz. Muitas vezes isso é enganação?

Ret – Se algumas falam isso aqui, não está correto. A Mercedes, por exemplo, está fora de cogitação, pois ela mesma blinda seus automóveis. A BMW terceiriza os serviços, tanto na Alemanha quanto no México. Hoje o que existem são parcerias comerciais com fabricantes, que indicam duas ou três empresas para que o comprador blinde seu automóvel. Mas é uma indicação de mercado. Eu tenho homologação comercial na General Motors, mas é algo puramente comercial. Tenho eu e mais duas outras empresas. Mas de fábrica não existe blindadora oficial.

AG – Qual é o perfil de quem blinda o carro hoje? Tem mudado nos últimos anos?

Ret – Não, não tem mudado. Para nós é o mesmo cliente. Ele só fez uma transição. Alguns foram embora e voltaram. Mas ainda é o cliente AA, e desceu para uma classe média alta. Tem de estar disposto a desembolsar no mínimo R$ 120 mil em um carro novo. A gente faz pesquisa, mas é tão diversificado. Meu feeling é de que mulher deu uma aumentada.

AG - Andar de blindado virou sinal de status?

Ret - Para um certo público, sim. Seu rol de amizades, todo mundo usa e você fica tentado a ter um veículo blindado também. Não existe mais essa preocupação de esconder que um veículo é blindado. Hoje se considera até mais seguro dizer que o carro é blindado.

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